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Inspirados pelo Autismo – parte 2

Após um grande e tenebroso inverno, voltamos com a segunda parte do workshop Inspirados pelo autismo que fizemos! (leia parte 1 antes de ler esse post)

Vamos falar nessa parte sobre o Desenvolvimento Social da pessoa com autismo. É muito importante desenvolvermos esse aspecto com as pessoas com autismo já que ela será uma base bem forte para os outros aprendizados já que a conexão social é peça fundamental para darmos todos os passos!

As habilidades sociais fundamentais são o contato visual (conexão via olhar, deve ser bastante valorizada), atenção compartilhada, ou seja, a pessoa olhar para o que nós ou outras pessoas estão olhando, comunicação (verbal e não verbal), FLEXIBILIDADE (o que mais temos trabalhado com o Lu: aceitar mudanças, esperar a sua vez, brincar de coisas diferentes, falar de assuntos diferentes, dentre outras), mais felicidade / menos ansiedade, habilidades em brincadeiras e habilidades em fazer amizade.

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Aprendemos que devemos sempre ter uma meta menor para irmos avançando para o próximo degrau e encorajando nossos meninos e meninas! Por exemplo nós trabalhamos a flexibilidade de maneira bem lúdica variando comportamentos em nossas brincadeiras. Por exemplo mudando a voz ou sugerindo coisas novas de forma espontânea, sem falar que vamos mudar… Sentimos o momento e tascamos a mudança e se ele reclamar, simplesmente voltamos atrás, sem pedir desculpas… com a cara mais lavada do mundo: Ah é mesmo, é essa voz! Hahahaha! Existem inúmeras formas de fazer isso, é só por a criatividade pra funcionar!

Quanto mais motivado para a interação, mais a pessoa com autista se encherá de coragem para fazer o contato! Então vamos incentivaaaar!!!
De que forma?

 photo SONRISE2_zpsc1bf8938.jpgTemos que ser mais motivadores que brinquedos movidos a pilha! Ahá, o carrinho de controle remoto e o ursinho bate bate perderão feio!

Devemos valorizar nossas expressões agora já que antes eles não conseguiam “ler” e entender o que queriam dizer! Pensem que agora vamos otimizar as oportunidades compensando as que se foram. Vamos soltar a franga! Uhuuuuu

A partir de agora só vale uma perspectiva inspiradora… xô baixo astral e foco no que realmente importa, encorajar a conexão! Vamos nos divertir, vamos elogiar os esforços e respondê-los de forma positiva e presente, aumentando cada vez mais o tempo dessa conexão.

Para aumentarmos a conexão, precisamos conhecer bem a pessoa com autismo… Você pai, mãe ou cuidador e familiar deve pensar: conheço meu filho de cabo a rabo (hahaha nossa mãe que fala isso) mas não é bem assim! Nós nem conhecemos a nós mesmos direito (Quem sou eu? Hahaha Ser ou não ser, eis a questão! Hahaha) e então teremos que ser detetive! Devemos nos colocar no lugar deles, nos divertirmos com o que eles gostam, experimentar o que eles fazem, olhar do ponto de vista deles. E é bem divertido descobrir cada vez mais sobre quem você ama! Ao invés de julgarmos de fora, que tal vivenciarmos? Uma vez em uma palestra escutamos de uma mãe que o sonho dela era passar 24 horas na pele do filho dela… E agora é possível… vamos brincar de ser eles para ajudá-los e nos ajudar a entender muitos porquês que criamos!

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E aí, conhecendo esse ponto de vista deles (porque o mundo é o mesmo, por favor!) estamos aptas a nos adaptarmos para mostrar pra eles como é legal interagir. Eu gosto do que você gosta, quer conversar comigo? Eu gosto do seu brinquedo, vamos brincar juntos? E aí depois é claro que o terreno estará aberto a coisas novas… “Essa pessoa é confiável, me entende, sabe o que gosto, então ela vai me mostrar outras coisas legais”. Simples não?
Sim, é simples mas exige esforço!!! E para isso devemos sempre estar com o pensamento positivo e acreditando que tudo vai dar certo e tendo certeza de que eles são capazes! Você vai descobrir que seu filho sabe mais coisas do que você pensa!

Para incentivarmos o progresso devemos comemorar bastante os esforços e vitórias dos autistas pois através dessa comemoração criamos um ciclo: esforço/vitória – COMEMORAÇÃO – iniciativa social espontânea.

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Quando somos elogiados, quando percebem nossos esforços, quando somos estimulados, nos sentimos corajosos pra seguir em frente. As comemorações tornam a interação mais divertida (pra nós também) e fornecem estímulos para a pessoa dar continuidade no processo. Fique atenta para não ignorar os esforços pois não podemos esquecer deles ao adquirirmos mais habilidades. Por exemplo: quando já tivermos adquirido o olhar e estivermos trabalhando a fala, elogie também a conexão com os olhos! Faça isso de forma natural… “que olhos lindos” ou “adoro quando você olha”!
Comemorar o esforço é tão ou até mais importante que comemorar a vitória pois é isso que deixa a pessoa a vontade para tentar sempre. Mas devemos deixar bem claro sempre o que está sendo comemorado.

Se por exemplo a criança tentou falar a palavra que está sendo trabalhada mas não a pronunciou de maneira correta, comemore mas deixe claro que ela pode falar o certo! Você falou uuuuu para pUUUlar! E vão repetindo a ação até ver que é o momento certo para variar… trabalhar o A de pulAAAr e assim por diante.

Devemos ser bem entusiasmados com as nossas comemorações portanto a dica é: se divirta realmente com o que está fazendo! Acredite e faça com entusiasmo. Comemore com todo o corpo, face, voz!

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O mais legal é realmente nos atentarmos para tudo de bom no nosso dia a dia. Vivermos o presente, agradecermos mentalmente as coisas e praticarmos esse pensamento de comemoração ao longo das atividades diárias. É um exercício com a gente mesmo e devemos praticá-lo com todas as pessoas, não só com autistas. Fazendo isso, não se torna mecânica a forma de buscar o que devemos comemorar… você vai enxergar e se encantar e quando ver, estará comemorando tudo com entusiasmo!

Quer ver como não somos acostumados a elogiar ou receber elogios? Quando uma pessoa nos elogia, ficamos sem graça. Quando elogiam nossa roupa, nosso carro, já vamos logo nos justificando que é uma roupa tão antiga ou um carro legal mas que foi duro comprar. Quando elogiam nosso trabalho nós mesmos ficamos sem reação, não sabemos se agradecemos, se falamos das dificuldades, etc. Temos facilidade de reclamar das coisas mas não vemos que estamos reclamando até mesmo de coisas que são legais… como por exemplo reclamar de um filho que fala demais sobre um mesmo assunto enquanto que tem mães que dariam tudo pra ouvir a voz de seu filho… ou reclamarmos que os filhos enfileiram objetos enquanto que na cabeça dele ele pode estar fazendo um milhão de descobertas que você nem imagina porque está focada no ato dele enfileirar.

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Para auxiliar na interação das pessoas com autismo, o programa Inspirados pelo autismo sugere um estilo RESPONSIVO de interação e não o estilo que costumamos fazer no dia a dia que é chamado de estilo diretivo.

O estilo diretivo, a título de exemplificação é esse que usamos quando damos ordens, comandos e impomos o que pensamos sem considerar o que a criança entendeu, gosta ou acha a respeito da nossa interação. Frases como “Coloca esse sapato agora” ou “Não sobe no sofá” ou “Vamos por esse caminho e ponto final” são frases dentre muitas que já ouvimos e que dizemos que ignoram as comunicações da criança ou adulto e impõem um aprendizado “robótico”. Fazemos por medo ou ignoramos ou damos birra e somos forçados e as vezes até de forma invasiva (à força, com gritos, ameaças). Esse tipo de interação amedronta nossos meninos que querem cada vez mais se isolar por se sentirem incompreendidos.

“O estilo responsivo de interação tem como princípio responder aos sinais e comunicações da criança para atender aos seus interesses e necessidades. Respondendo de forma imediata, positiva e intensa à maior parte das tentativas de comunicação da criança, demonstramos a função e o poder de sua comunicação, e a estimulamos a querer se comunicar conosco com maior frequência e qualidade.

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Quanto mais motivada a criança estiver para interagir conosco espontaneamente, maior será o seu envolvimento, participação e aprendizado. Queremos então inspirar a criança a se sentir motivada para interagir, superar suas dificuldades e aprender.”

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Na página do Inspirados pelo Autismo, vocês podem ler um guia com FERRAMENTAS DE ENSINO UTILIZANDO O FOCO DO ESTILO RESPONSIVO (Informações dirigidas aos professores da escola) que é muito interessante e assim todos falam a mesma língua!

E então vocês devem estar se perguntando: como fazer solicitações pras crianças? Eu sempre tenho que esperar partir dela?

Simplesmente o que é o ideal é seguirmos o que a criança gosta, para motivá-la a ter foco na diversão e a partir dessa conexão convidarmos a criança de forma entusiasmada (não um comando). A pessoa com autismo comunica o que quer e você prontamente atende, valoriza o esforço dela em tentar e a encoraja e de acordo com a resposta dela você se ajusta (se ela não conseguiu ainda, tente mais vezes e se ela já conseguiu algumas vezes, ofereça pequenas variações de acordo com as metas estabelecidas!).

Nesse comportamento de responsividade, é importante ficarmos atentos sempre as PAUSAS pois elas que indicam a interação e a resposta “solicitada”.
Exemplo: Criança que adora cócegas. Você faz (oferece de graça), ela ri, faz de novo, ela ri… Você faz isso tudo isso falando por exemplo a palavra “cosquinha” antes da ação oferecida. Você mostrou pra ela que o comando daquela ação é “cosquinha”. Vá fazendo pausas entre as ações e veja se ela espera a próxima (ela olha, faz carinha de ansiedade, põe o corpinho pra frente) e você diz: você olhou pra mim querendo mais!!! E faz… até que depois e um tempo você pode trabalhar a fala! Sem pedir diretamente, você mostrou pra ela que se comunicar é importante, traz vantagens, é eficaz!

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Muitos estudos já foram realizados de forma empírica e científica e vamos citar aqui um para vocês verem que essa forma de interação dá muito certo (e no workshop vimos vários vídeos que faziam a gente se emocionar com os resultados).
Em 2002, um estudo feito na UCLA, 25 crianças com autismo foram observadas e as mães se interagiam com elas, cada uma com sua interação maternal natural. Após 01 ano de observação: a criança adquire comunicação não verbal de forma significante de acordo as respostas da mãe. Especificamente na sincronização das comunicações não verbais e verbais e verbalizações não diretivas (responsiva).
Após 1, 10 e 16 anos, os ganhos da linguagem dessas crianças foram significantes em relação à verbalização da mãe sincronizada, particularmente aquelas de qualidade não diretivas (Responsivas).*

*Siller, M., & Sigman M. (2002) The behaviors of parents of children with autism predict the subsequent development of their children’s communication. Journal of Autism and Developmental Disorders, 32(2), 77-89.

Para finalizar, uma observação importante: o controle estando nas mãos da criança a mantém segura, sem medo de coisas imprevisíveis e deixa a relação mais firme e a vontade de interagir mais evidente.

A intervenção deve ocorrer apenas em casos de segurança para que a pessoa com autismo não se fira ou coloque outras pessoas ao redor em risco.

As solicitações para a pessoa devem ser feitas de forma divertida, ela sendo indireta (responsiva) ou direta (podem ser feitos convites com empolgação e ao com imposição) e a pausa (não pare com cara de “que chato esperar a reação” e sim com cara de interesse!!!).

Bom, até a próxima!

FONTES:
imagem 1, imagem 2, imagem 3, imagem 4, imagem 5, imagem 6, imagem 7, imagem 8, imagem 9

Inspirados pelo Autismo

Workshop Inspirados pelo Autismo parte 1

Oi gente! Até que enfim vamos contar sobre o workshop que participamos em Belo Horizonte sobre – como o pessoal mesmo que organiza e realiza o curso diz – uma perspectiva inspiradora para o autismo! Tanta coisa pra contar que esse workshop vai render muitos posts. Gente, nós como TDAHs assumidíssimas, reconhecemos nossa dificuldade de ler muita coisa e por isso resolvemos dividir por assuntos o que vimos por lá!

Tudo começa com a mudança do seu ponto de vista em relação ao autismo. Não devemos enxergá-lo como um inimigo pois isso vai apenas nos trazer stress e péssimas emoções. A nossa avaliação de uma circunstância fora de nosso controle direciona que tipos de emoções e ações teremos.

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Vamos imaginar por exemplo que temos um aniversário de uma criança querida e organizamos uma festa no quintal com um churrasco ao ar livre, mesinhas com enfeites, brincadeiras na grama e a mesa toda enfeitada! A criança não aguenta esperar a hora certa dos amiguinhos chegarem para ela sair lá fora pra brincar e pergunta sem parar se falta muito tempo pra começar a festinha! Ela tá linda, toda arrumada e faltando uma hora pro aniversário cai o maior pé d’água que você já presenciou… a mesinha tá molhada, é impossível usar a churrasqueira dentro de casa e os convidados se atrasarão… a sua criança chora sem parar, decepcionada com a situação. Na casa ao lado, um agricultor comemora o que ele vê pela janela… ele quase não acredita que suas preces foram atendidas: choveu e sua plantação está salva. Isso merece um brinde!!! Merece uma festa!!!
A chuva é a vilã ou é a mocinha da história? Depende do ponto de vista!!! E é com esse sentimento que devemos encarar o autismo: o que fazemos e sentimos vem das nossas crenças, ou seja, da nossa maneira de pensar e encarar o mundo.

Crenças são conclusões que elaboramos em relação a eventos, a pessoas e a nós mesmos. Nossas crenças afetam como nós percebemos o mundo e como nos sentimos em relação aos eventos que acontecem. Algumas crenças nos levam a interpretar os eventos ou pessoas ao nosso redor de forma negativa, nos levando a sentimentos de tristeza, raiva ou medo. Outras crenças nos ajudam a ver oportunidades e nos levam a sentimentos de felicidade, inspiração e alegria.

Autistas podem ser felizes sim (como você que está lendo também pode!) e eles são muito capazes de adquirir qualquer aprendizado.

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O autismo não é considerado mais irreversível pois nossos cérebro pode ser fisicamente alterado em qualquer época da vida e não apenas nos seus primeiros anos como se acreditava antigamente. A história da poda neuronal caiu por terra. Os neurocientistas já sabem, desde a década de setenta, que o cérebro muda significativamente ao longo da vida, em resposta às experiências aprendidas. Esta flexibilidade do cérebro em resposta às exigências ambientais é chamada plasticidade cerebral. Antigamente pensava-se que só as crianças possuíam essa capacidade de plasticidade cerebral devido ao extraordinário crescimento de novas sinapses em paralelo com a aquisição de novas competências neste período. (período que a pessoa geralmente é mais estimulada)

O cérebro é fisicamente alterado através do reforço, enfraquecimento e eliminação das conexões neurais existentes, e o crescimento de outras novas. O grau de modificação depende do tipo de aprendizagem que seja feito, enquanto mais tempo tome a aprendizagem, se produz maiores e mais profundas alterações. (clique aqui para ler mais sobre o assunto)

Durante os últimos 15 anos, uma grande quantidade de pesquisas têm descartado a idéia da rigidez cerebral e apontado para a presença da plasticidade cerebral durante toda a vida do indivíduo. Por exemplo, utilizando moderna tecnologia de imagens cerebrais, pesquisadores do Semel Institute of Neuroscience and Human Behavior da universidade americana UCLA, em conjunto com pesquisadores da Mount Sinai School of Medicine, publicaram um estudo no General Arquives of Psychiatry. Eles ensinaram crianças dentro do Espectro do Autismo a prestar maior atenção a alguns estímulos sociais (como a expressão facial e de voz) e constataram que as regiões cerebrais que haviam previamente apresentado baixa atividade em resposta àqueles estímulos, passaram a apresentar níveis normais de atividade após o treinamento. Isto significa que os cérebros destas crianças transformaram-se em resposta à mudança dos estímulos do ambiente. (fonte: inspiradospeloautismo.com.br)

Partindo desse princípio podemos iniciar uma nova perspectiva do autismo que nos inspira a querer sempre e cada vez mais incentivar as pessoas com autismo, focando em seus potenciais pois ele é CAPAZ de adquirir qualquer aprendizado em QUALQUER IDADE! Então mãos a obra?!

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Ouvir o dia inteiro ou quase a vida toda que o que você faz é errado ou feio não é legal pra ninguém. Faça esse exercício mental ou lembre-se das situações que você foi criticada (o) e se sentiu injustiçada (o). Algo como: “Pra quê tanto sapato se você só tem só dois pés?” ou, “Vai comer esse tanto de doce, não acha que precisa emagrecer?” ou “Já vai sair de novo? Você não pára quieta!” ou “Nossa você gosta de acordar cedo no fim de semana?”, “Você não cansa de ler não?”, “Nossa você é fanático com futebol!”. Passamos por isso algumas vezes e não gostamos nem um pouco. Temos necessidade de sermos acolhidos e é por isso que a aceitação é importante! A partir disso, gera-se um vínculo! (E podem apostar pois o Lu não tem medo de nos mostrar nada que ele gosta, ele confia muito no que dizemos a ele por não criticarmos seus comportamentos a todo momento).

Em uma perspectiva de aceitação, a pessoa com autismo não é errada, é diferente. E a partir desta perspectiva de aceitação, os pais e profissionais podem buscar auxiliar ativamente suas crianças! Vamos nos sentir felizes com as pessoas com autismo pelo que elas são HOJE! O que eu já tenho é legal e me proporciona mil maneiras de trabalhar os aprendizados que tenho como meta!

Todos dizem enxergar o copo meio cheio mas quem realmente PRATICA essa crença? Estamos na maioria do tempo reclamando que nossos meninos não falam ainda ou só se interessam por determinado tipo de assunto mas não percebemos o quão rico eles já são e o terreno enorme e fértil que temos pra plantar nossas sementinhas, pra regar e ver germinar e crescer!
A partir dessa atitude de praticarmos o copo meio cheio, nossa vida muda não apenas referente ao autismo mas referente a tudo que nos propusermos. E crença + atitude = Aceitação ativa!

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Felizes em em paz com as pessoas que queremos ajudar com esse programa, podemos VALORIZAR os talentos e motivações dela, ajudando-a assim a superar todos os seus desafios! Podemos ajudar a pessoa a ser bem sucedida, encorajando-a a tentar de novo quando for preciso e dando ênfase em tudo aquilo que queremos que ela faça mais, isso tudo sem nos esquecermos de valorizarmos o menor esforço que ela fizer! Devemos sempre valorizar a conexão social (os olhares, os toques, o apontar, o interesse).

Valorizando a atitude esperada damos a ela a confiança! A tentativa é uma grande passo e devemos sempre comemorá-la! Devemos mostrar sempre com empolgação que percebemos o esforço, elogiar e dizermos o que esperamos com carinho! Isso faz com que a pessoa queira tentar novamente! Com persistência chegamos lá!

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E cuidado para não valorizarmos o comportamento indesejado para que ela não se sinta mau ou ache que é incapaz ou burra.
Enfase no esforço e na vitória!

Exemplo: quando uma criança dá um tapa no coleguinha, repreendemos, brigamos, falamos que é errado. Quando ela é gentil e educada, nos esquecemos de valorizar, elogiar, comemorar!

A tendencia natural dos pais é apreciar seus filhos porem pais de pessoas com autismo muitas vezes acabam preocupando-se tanto com elas que esquecem-se de focar no amor e apreciação que eles naturalmente têm.

Se envolva na apreciação, ela deve ser verdadeira e partir do fundo de seu coração. Um parabéns ou muito bem sem verdade no olhar ou na expressão pode desmotivar. Muito cedo em nossas vidas somos todos ensinados a fazer muitas coisas de forma mecânica como dizer “obrigado” quando as pessoas nos oferecem algo. Mas em que frequência sentimos uma sensação física e emocional de profunda gratidão ao dizermos “obrigado”? Geralmente somos ensinados a dizer “obrigado” para sermos “bem-educados” e mostrarmos consideração pela pessoa que nos oferece o presente. Raramente somos ensinados a sentir uma emoção de profunda gratidão e a compartilhar este sentimento com a outra pessoa.

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O que essa pessoa que queremos ajudar gosta de fazer? O que traz prazer a ela? Se for alinhar carrinhos ou correr pela casa balançando as mãos, ou qualquer outra atividade, observe e junte-se a ela! Descubra como ela se diverte e aprecie. Esqueça pensamentos de “O que os outros vão pensar?” ou “Essa pessoa vai achar que sou louca.” e divirta-se! Entendendo como essa pessoa se sente e se divertindo com o que ela gosta, você abre uma porta para a conexão e estabelece um vínculo que vai te auxiliar a mostrar a ela o que você também gosta!

Gostando de estar com essa pessoa, todas as atividades serão prazerosas para ela e para você e você terá clareza da presença dela com você pois com o foco nela, você perceberá as conexões e a medida que forem sendo estabelecidas mais entusiasmadas ambas ficarão!

É um ciclo: aceitação ativa > apreciação > Esperança e Entusiasmo > crença em mais possibilidades para a pessoa!

Então é isso. Voltamos pra contar do programa com mais detalhes!
O workshop foi maravilhoso e mesmo para nós que praticamos Son rise com o Lu desde que descobrimos que ele existia (por intuição e pesquisas na internet e conversas com nossa querida e amada amiga, confidente e personal assessora emocional Elaine Marabita Savian), nos surpreendemos! o Inspirados Pelo Autismo é uma abordagem educacional interacionista que reúne um mix de vários programas com adaptações à realidade do brasileiro e o son rise é muito forte entre eles. E como a base de tudo é o amor, a felicidade e a boa energia, é contagiante! contagie-se também!

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Para saber mais sobre o workshop e a proposta desse trabalho:
www.inspiradospeloautismo.com.br

Para ler o 2º post sobre este workshop, clique AQUI