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A importância da Terapia Ocupacional

Oie!!! Voltamos com um tema super importante (qual não é? hahaha). Vamos falar de uma característica associada ao autismo: integração sensorial.

A integração sensorial é o processo pelo qual o cérebro organiza as informações, de modo a dar uma resposta adaptativa adequada, organizando assim, as sensações do próprio corpo e do ambiente de forma a ser possível o uso eficiente do mesmo no ambiente. As nossas capacidades de processamento sensorial são usadas para a interação social; desenvolvimento de habilidades motoras e para a atenção e concentração.

O PROCESSAMENTO SENSORIAL inclui a recepção de um estímulo físico (Registo Sensorial), a transformação do estímulo num impulso neurológico (Orientação), e a percepção (Interpretação), ou seja, o consciente experimenta as sensações e em seguida organiza uma resposta adaptativa adequada e executa-a. As funções de processamento sensorial ocorrem continuamente e de uma forma rápida e inconsciente. (Um exemplo deste processo é a reação após tocar numa superfície quente)

Todos temos dificuldade em processar determinados estímulos sensoriais (um certo toque, olfato, paladar, som, movimento, etc) e todos temos preferências sensoriais. Só se torna um transtorno do processamento sensorial quando temos uma “experiência perturbadora”, uma enxurrada de estímulos com um impacto significativo sobre a capacidade de filtragem ou funcionamento diário. Esse processo gera uma disfunção neurológica chamada Transtorno do Processamento Sensorial (TPS).

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Através desse quadro e do link no começo do post, vocês podem conhecer alguns sinais de TPS. Quando existem distúrbios sensoriais, estes podem afetar o desenvolvimento e as habilidades funcionais, quer sejam no comportamento, na parte motora, cognitiva, quer sejam no nível emocional. Isso pode resultar em sentimentos de baixa auto-estima, levando-os a preferir o isolamento ao invés de interagir com os seus pares. Algumas pessoas apresentam excesso de reatividade o que pode levá-los a serem rotuladas como impertinentes, “fora de controle” ou perturbadoras nas aulas, afetando seu desempenho acadêmico na escola. E, infelizmente, a má compreensão dos pais e educadores em como responder às crianças com esse tipo de desordem, muitas vezes leva a sentimentos de frustração, possível depressão ou comportamento agressivo.

Os pais costumam saber e entender, melhor que ninguém, as crianças e, por isso, são capazes de perceber quando elas estão felizes ou sofrem por qualquer motivo. Mas às vezes é a causa de felicidade ou frustração que não é compreendida, e se nós a entendermos, é mais fácil desenvolver ações que ajudam no desenvolvimento do filho/filha.

Às vezes pedimos para as crianças certos comportamentos ou execuções de algumas tarefas e elas ainda não estão prontas, ou seja, ainda não adquiriram competências necessárias para tal. Por exemplo, com a idade de cinco anos, a criança desenvolve a parte de percepção motora como a coordenação olho-mão, controle de olho-mão, ajuste postural, organização espacial, estruturação espaço-tempo, manter a atenção – processos que são pré-requisitos para o bom desenvolvimento de habilidades motoras finas e suas competências acadêmicas básicas, tais como a escrita. Isto quer dizer que com quatro anos essa criança não está pronta para escrever.

É importante deixar claro que existe uma ordem no desenvolvimento da aprendizagem. Wiliams e Shellenberger (1996) formularam uma pirâmide para ilustrar esse processo.

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Na base da piramide encontramos alguns sentidos que não são os clássicos (visão, audição, paladar e olfato), porque o nosso sistema nervoso precisa de pré-processar o toque, movimento, força gravidade e posição do corpo. Este processamento sensorial estabelece uma boa base para o desenvolvimento de todo o resto.

– Sistema Tátil: o sentido do tato – resposta dos receptores da pele sobre o toque, pressão, temperatura, dor.

- Vestibular: situado no ouvido interno – responsável pelas reações ao movimento e equilíbrio.

- Proprioceptivo: o sentido da “posição” – como o cérebro interpreta a posição do corpo, peso, pressão, alongamento, movimentos e alterações na posição. A capacidade de perceber espacialmente, cada segmento corporal em particular ou o corpo como um todo, tanto em situações estáticas, como nas atividades que demandam movimento (dinâmicas).

A interação com os sistemas é complexa e necessária para interpretar uma situação de forma rigorosa e fazer a resposta adequada e apropriada. E é assim que você pode compreender o conceito de integração sensorial, tais como a capacidade do nosso sistema nervoso central para organizar e interpretar informações capturadas pelo sistema sensorial (visual, auditivo, gustativo, olfativo, tátil, proprioceptiva e vestibular) com o objetivo de responder adequadamente em nosso ambiente. Vamos explicar cada item da piramide para vocês entenderem cada processo e valorizarem cada aprendizado.

- Auditivo: contribuição relativa aos sons, a habilidade de perceber corretamente, discriminar, transformar e reagir a sons;

- Oral: Relativo à boca, a habilidade de perceber corretamente, discriminar, processar e responder aos paladares ou a estímulos dentro da boca;

- Olfativo: relativo ao cheiro, uma habilidade de perceber corretamente, discriminar, processar e responder a diferentes odores.

- Visual: relativo à vista, a habilidade de perceber corretamente, discriminar, processar e responder ao que se vê.

- Segurança postural: estabilidade e condições para o movimento, como a habilidade de assumir e manter a posição corporal desejada durante uma atividade quer seja essa estática ou dinâmica.

- Consciência dos dois lados do corpo: realizar movimentos utilizando lados direito e esquerdo

- planejamento motor (praxia): é a capacidade de uma criança de organizar, planejar e executar habilidades motoras perfeitas, novas ou não praticadas.

- Esquema corporal: é a consciência do corpo como meio de comunicação consigo mesmo e com o meio.

- Maturação dos reflexos: desempenho mecanicamente eficiente coordenado e controlado.

- Discriminação sensorial: habilidade para interpretar as características temporais e espaciais dos diferentes estímulos sensoriais. (ver tabela no início do post)

- coordenação olho-mão: consiste na realização de atividades com as suas mãos e os seus olhos trabalhando juntos.

- Sistema motor ocular: reflexo que estabiliza as imagens na retina durante o movimento da cabeça ao produzir um movimento ocular na direção oposta ao movimento da cabeça, desta maneira preservando a imagem no centro do campo visual. Por exemplo, quando a cabeça se move para a direita, os olhos se movem para a esquerda, e vice-versa.

- Ajuste postural: estabilidade e condições para o movimento, como a habilidade de assumir e manter a posição corporal desejada durante uma atividade quer seja essa estática ou dinâmica.

- Habilidades linguísticas e visuais:
Linguísticas: falar, ler, compreender o que escutou, escrever.
Visuais: discriminação visual, memória visual, relação viso-espacial, constância de forma, memória sequencial visual, figura e fundo visual

- Percepção visuo-espacial: a identificação de um estímulo e a sua localização (leitura de mapas, por exemplo)

- Funções de atenção e concentração:
Atenção: é um processo cognitivo pelo qual o intelecto focaliza e seleciona estímulos, estabelecendo relação entre eles. A todo instante recebemos estímulos, provenientes das mais diversas fontes, porém só atendemos a alguns deles, pois não seria possível e necessário responder a todos.
Concentração: é o uso da mente focada em um determinado objeto; é a capacidade de abstrair-se num ponto, focar um alvo e mantê-lo pelo tempo que desejar.

- Atividades de vida diária (AVD): são as tarefas pessoais concernentes aos autocuidados e também a outras habilidades pertinentes ao cotidiano de qualquer pessoa. (arrumar a cama, tomar banho, se vestir, etc)

- Comportamento: é definido como o conjunto de reações de um sistema dinâmico face às interações e renovação propiciadas pelo meio onde está envolvido.

- Aprendizado acadêmico: processo pelo qual as competências, habilidades, conhecimentos, comportamento ou valores são adquiridos ou modificados, como resultado de estudo, experiência, formação, raciocínio e observação

Através da Integração Sensorial, a criança vai organizar a entrada sensorial para seu próprio uso. Quem vai ajudar nessa área é a Terapeuta Ocupacional (T.O.)

As terapeutas ocupacionais trabalham para promover, manter e desenvolver as habilidades necessárias para que o cliente/paciente (neste caso, as crianças com TEA) seja funcional nos ambientes que integra. A participação ativa dessas crianças nos seus ambientes de vida promove:

Aprendizagem
Autoestima
Autoconfiança
Independência
Interação Social

Os terapeutas ocupacionais utilizam uma abordagem holística nos seus programas de intervenção.

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Os pais sempre se questionam se estão excessivamente preocupados em determinadas metas de crescimento no desenvolvimento da criança ou se devem procurar intervenção precoce quando eles suspeitam de problemas sensoriais. A questão é: a intervenção terapêutica é necessária ou os sintomas melhoram à medida que a criança cresce?

Para que esperar se, a cada dia, é provado que a intervenção precoce proporciona melhorias significativas no desenvolvimento da criança com TPS. O tratamento é feito de forma individualizada, depois de uma conversa com os familiares e testes feitos para saber as capacidades e dificuldades do paciente.

Estudar essas habilidades, ter em mente que todas estão interligadas, que há uma ordem de estímulo a ser feita pois muitas habilidades dependem de pré requisitos para serem adquiridas e ter o acompanhamento profissional adequado, com metas estabelecidas e auxílio para que as habilidades trabalhadas em terapia sejam reforçadas em casa, são muito importantes para que a pessoa com autismo não seja cobrada injustamente, gerando frustração para ele e para os familiares também.

fontes:
Cuidar Criança
Baoba Infantil
Teache me mommy
Indonesiaexpat
Reab me

Aprendiz de cabeleireiro

Estamos sumidas e pra variar o motivo é o tempo corrido… No nosso tempo livre a gente fica com o Lu, que está de férias e quer ficar o tempo todo com as irmãs. Quando a gente vai pra casa ele liga mil vezes perguntando se vamos pra casa dele e quando estamos trabalhando ele espera dar meio dia e liga perguntando se já estamos indo almoçar…

No começo das férias ele perguntou pra Luiza: quando começam as SUAS férias? A gente rola de rir e explica: você não gosta de estudar mas estudar é muito bom pois quem vai pra escola tem DUAS férias e quem trabalha tem uma só!

Estamos cheias de novidades e isso vai render MUITOS posts: Walisson, amiguinho do Lu, está em Uberaba e os dois estão brincando bastante, Lu conehceu o estúdio do MGTV (TV Integração, afiliada Globo), fomos ao cinema 5D, Lu vai colocar aperelho e foi ao dentista, a maquete está sendo feita, as novas brincadeiras entre Lu e a gente, pérolas e muito mais.

A primeira notícia das férias do nosso moleque ééééé: Ele cortou seu próprio cabelo sozinho…

Luiz junior cabelereiro

Não sabemos o porqueê ocorreu isso pois pensamos em várias hipóteses:

- Mamãe corta o nosso cabelo e o dela, é uma artista e sabe fazer isso muito bem sem nunca ter feito curso. Todos elogiam o cabelo dela e ficam surpresos quando ficam sabendo que foi ela mesma que cortou.

- Estava nervoso com alguma coisa e foi lá e fez isso

- Sempre que víamos ele falávamos: Lu, você tem que cortar o cabelo! (pelo pensamento concreto, ele foi lá e obedeceu)

- Crianças dessa idade (por volta dos 10 anos) cortam mesmo o seu próprio cabelo. Escutamos várias histórias nesse final de semana quando estávamos com nossa família na fazenda.
Bom, o melhor foi que a mamãe, percebendo a casa silenciosa, foi procurar o Lu e viu a bagunça e os fios no chão e foi tentar consertar…

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Ficou estranho e com algumas falhas mas até que não ficou feio (ou será que é porque a gente sempre acha ele LINDO), hahahaha.

Mas olhando pelo lado positivo, como sempre fazemos, muitos autistas, como podemos ler no depoimento abaixo, da mãe Almada Negreiros têm muita sensibilidade a texturas, sons, luzes, etc.

“Lidar com questões de hipersensibilidade a cada minuto, todo dia. A maioria das pessoas é sensível a certos gostos, barulhos ou tocar certas coisas. Você se lembra de ter que vestir a camisola bonita lã que sua mãe costurou para você, apesar do fato de coçar muito, te deixando louco? Bem, no caso das minhas crianças, algumas questões causam dor excruciante ou situações angustiantes. Os ouvidos da minha filha são hipersensíveis ao ruído, o que significa que, barulhos de geladeiras e freezers realmente machucam os ouvidos dela, causando dor de ouvido. O tamanho de certos alimentos e sua textura podem sufocá-los. No caso do meu filho, rótulos e costuras o levam à parede porque o magoam. As toalhas de papel que estão nos banheiros da sua escola são tão ásperos em suas mãos que, se raspados, causam graves irritações cutâneas e o fazem sangrar, por isso temos que enviar uma toalha da mão fofinha para a escola. Em ambos os casos, cortar seus cabelos e unhas são um pesadelo sensorial. Existem algumas crises? É claro! Infelizmente, até eu explicar isso, as pessoas tendem julgar incorretamente as reações dos meus filhos.

nao corta minha orelhaLu tem pavor a muuuuuitos sons: liquidificador, furadeira, tinha muito medo de fogos de artifício mas conseguimos superar, medo de som de máquina de lavar, etc etc. Ele sempre fala que ODEIA barulho… ele detesta gritos, balões estourando, etc. Lu é seletivo alimentar e come muito pouco e quase tudo que come é da mesma cor (marrom e laranja) e textura, detesta colocar meia e custamos a ensiná-lo a colocar tênis (ele prefere sandália).. etc… Então alguém superar esse medo e cortar o próprio cabelo, é MUITO BOM. Ganhou elogios pela superação do medo e bronca por ter feito sem chamar um adulto.

Agora vamos a pérola da última vez que mamãe cortou o cabelo dele (não sabemos se contamos por aqui). Lu dando muito escândalo e chorando, fugindo e falando que estávamos maltrando ele… mamãe queria induzi-lo a ficar quieto e falou: Tá acabando, meu filho, só falta a ORELHA. . Pronto, aí complicou tudo. Lu disse: “O queeee, vai cortar minha orelha? Eu não quero ficar sem orelha” e começou a chorar mais e mais… As vezes esquecemos essa forma concreta de pensar dos autistas e falamos sem pensar… até explicar que era o cabelo perto da orelha foi muito e muito tempo…

Essa história foi uma das aventura do Sr. Luiz Júnior em suas férias! Até o próximo post! Esperamos que todos tenham aproveitado para descansar e brincar e que voltem com pique total para aprender e passar de ano!

Vencendo o medo da enceradeira

Conforme prometido, o post hoje fala sobre o Lu estar vencendo alguns medos como o de enceradeira. Lu tem sensibilidade auditiva, assim como muitas pessoas que estão autistas. Sons altos como barulho de enceradeira, liquidificador, juicer e alguns motores são ouvidos por ele com muita aflição já que ele escuta melhor que nós… e isso faz com que eles tenham medo desses objetos mesmo quando desligados pois ele já fica em alerta e quando o barulho vem de forma inesperada, isso é pior. Lu quando vai a algum restaurante ja fica tenso pois sabe que pode ter esse barulho, quando passa por construções fica com medo da furadeira, quando vê alguma coisa com motor barulhento, como por exemplo um ar condicionado com defeito ou antigo. Por isso vive falando pra todo mundo que ama a tecnologia pois os motores hoje em dia são silenciosos, perfeitos. Lu também tem medo de outras coisas como dinheiro (mas ama consumir, aff.), insetos (esses desconfiamos que é também por causa do barulho pois, acreditem, alguns autistas conseguem ouvir o barulho do bater das asas de alguns animais) e agora seu novo medo é o de atravessar a rua com medo dos carros pegarem ele ou alguém que ele gosta… esse último até achamos bom, já que alguns autistas não têm noção do perigo e Lu entende que ruas exigem atenção… mas temos que trabalhar que com atenção, o medo é desnecessário.

Toda essa explicação é para falar que Lu está trabalhando essas emoções com a Tia Eliana Gallo que defende uma tese e Lu faz parte de um estudo de casos. Tia Eliana toda segunda feira leva livrinhos e materiais (dedoches, adesivos, cds de computador) para trabalhar uma emoção com o Lu: medo, raiva, alegria… Eliana está super contente com as respostas do Lu e vamos conversar com ela pra contarmos aqui no blog algumas situações que já aconteceram. Se ela deixar, essa é outra promessa. Eu e a Karla estamos promentendo igual aos políticos do horário eleitoral mas a diferença é que vamos cumprir viu gente?!

As tias Flávia e Débora também trabalham as dificuldades do Lu no programa Neurocognitivo. Trabalham com dinheiro simulando compras e usando dinheiro de papel e Lu tem se saindo muito bem! Eu e a Karla somos super curiosas e ficamos perguntando sobre o andamento do Lu sempre que encontramos as meninas. Débora esteve na casa da mamãe uma noite e nos contou que Lu está super esperto e que eles simularam uma viagem pra uberlândia de carro e eles se divertiram! Tomara que um dia elas tamém nos deixem colocar algum vídeo aqui pra vocês verem.

Mamãe vive conversando com o Lu sobre os medos e encorajando-o a enfrentar. Uma coisa importante a se fazer é nunca menosprezar o medo da pessoa por mais bobo que possa parecer. Medo é inexplicável e ter medo é muito ruim. Falo isso porque eu e Karla temos medo de dirigir e todo mundo fala que é besteira… besteira porque ninguém sabe o que sentimos. Para mim pode ser besteira ter medo de cachorro, eu amo o bicho, mas tem gente que tem medo dos menores e isso é indiscutivel, não podemos criticar… não sabemos o que levou ela a ter esse medo. Foi um trauma? Não sabemos. O fato é que medo a gente herda das pessoas, a gente cria por algum fator, ou simplismente sentimos por alguma razão desconhecida. Por exemplo: é fato que a maioria das pessoas têm muito medo do escuro e até os mais corajosos se sentem encomodados com ele. O medo do escuro, dizem os estudiosos da psicanálise, faz parte da prontidão inata que herdamos dos nossos ancestrais das cavernas, sempre às voltas com perigos visíveis e invisíveis e na luta diária da guerra pelo fogo, pela Luz. Interessante né?

Bom, isso tudo que contei acima é pra mostrar pra vocês um vídeo que fizemos do Lu e a sua ex inimiga enceradeira. Lu tinha prometido pra Tia Eliana que passaria enceradeira na casa de noite e que ela filmaria. Ele exitou algumas vezes mas como ama aparecer, topou! Falamos que o víedo ia pro Blog e ele adorou a idéia… O Vídeo está editado e contém várias partes da mesma noite. Estávamos reunidos na casa da mamãe e Lu se tornou o centro das atenções!

No vídeo vocês podem ver emoções misturadas como alegria, euforia, ansiedade e medo… mas ele foi muito bem e cumpriu com o propósito! Ficamos orgulhosas e estamos até hoje. Pra muitos pode parecer besteira mas sabemos o quanto esse passo foi importante. Vou mais que vencer um medo, foi evolução. Sabemos que essa foi uma vez que ele fez isso e que ele pode voltar a ter medo mas é um passo enorme para trabalhar as barreiras. Antes, mamãe tinha que dar uma volta de carro com o Lu para a moça que faz a limpeza passar a enceradeira, hoje ela passa com ele em casa. Lógico que ele não faz questão de ficar escutando o barulho e nem é uma coisa que ele ama fazer. Ele vai para o quarto, fecha a porta e fica bem. Antes, só de ver a enceradeira na sala ele entrava em pânico.

Lu está se dessensibilizando e estamos muito felizes. Lu, quando era bem pequeno, não ia em nenhuma festinha infantil por causa do barulho e da quantidade de pessoas, não gostava de sair. Hoje ele adora passear, ir em festas, parquinho, shopping (quem for de cidade grande pense em um shopping menor, beeeem menor), mercado municipal, e adorou dirigir um bugue, com um motor relativamente barulhento, outro dia, etc. O prédio que ele mora está em reforma e ele apenas questiona que barulho é aquele pra ficar tranquilo. Não se encomoda e vive sua rotina normalmente.

É isso. Questões corriqueiras para muitos são desafios enormes pro Lu e para nossa família! Vejam como nosso cabeção (apelido carinhoso do Lu que eu e Karla usamos) nos ensina. Tantas coisas passsariam despercebidas se não fosse ele! Valeu Lu… você é o cara! A família toda está orgulhosa.

P.S: a correria continua mas as coisas estão melhorando! =)
P.S.2: O Vídeo foi esditado pela Karla pois foram vários filminhos e na empolgação a Tia Eliana Gallo virou a câmera filmando a maior parte das cenas com ela em pé. Ká teve que virar a cena no moviemaker e por isso algumas imagens ficaram meio achatadas… perdão, rs!
P.S.3: Notem o jeito que a Karla leva com a enceradeira: ela ligou a máquina virada pra ela, hahahahaha!
P.S.4: Tem cenas que Lu consegue passar enceradeira no chão com mais facilidade pois a mamãe tirou alguma coisa lá debaixo que facilita o deslizamento dela no chão

P.S.5: Lu tampa o uvido (ou coloca a mão perto do ouvido) mesmo quando seu medo não é relacionado a barulho. Quando ele está anisoso ele faz esse gesto.

Fica a Dica – Estalinhos

Que estamos sempre pensando no Lu não é novidade pra ninguém né? Tudo que vemos em qualquer lugar imaginamos se o Lu iria gostar, como ele iria reagir… E foi em um dia desses, normais do dia a dia, que indo para a agência, paramos numa papelaria no caminho pra comprar não lembro o que e nos deparamos com uma caixa de biribinhas ou estalinhos em cima do balcão… olhei pra Ká, ela olhou pra mim e levamos algumas caixinhas pro Lu. Ficamos ansiosas pra saber qual seria a reação dele já que faz barulho e ele tem o ouvido suuuuper sensível.

Chegando na casa dele mostramos o “brinquedo” e é claro que no início ele ficou com medo (por ser algo novo também) mas depois fez uma cara muito conhecida por nós: a carinha de que vai fazer arte!
Lu adora “um mal feito” (expressão que usamos por aqui) e logo logo teve a idéia de atirar a bombinha contra a gente… Entramos na brincadeira mas se tentamos jogar nele ele não gosta… rs. Aí ele pára e pede pra não fazermos isso e sai correndo tapando o ouvido… mas ainda chegamos lá, rs! Vamos insistindo!

Brincadeiras a parte, achamos legal porque tira um pouco da sensibilidade dele, causa uma interação e estimula a imaginação. Brincando nossos meninos perdem o medo de várias coisas, aprendem outras e ainda se divertem muito e nós todos ganhamos com isso! Eu e a Karla sempre tentamos levar brincadeiras novas pro Lu para que ele evolua cada vez mais… O Son Rise ensina isso e tem dado muitos resultados no mundo todo… vamos multiplicar o pensamento positivo e focar nos prazeres porque é isso que vale a pena…

Claro, as vezes cansamos e desanimamos com algumas coisas na vida, mas um sorriso lindo desses não é o maior estalinho para fazer com que voltemos ao foco? Então fiquem com o vídeo feito pela Ká mostrando a carinha mais linda do mundo (e sem vergonha também…). Tem como não amar?

No vídeo Lu está jogando estalinhos na Elza, a cozinheira que trabalha com a mamãe. Elza já é uma senhora e Lu adora brincar com ela, tirá-la do sério. Viram que ele chamou ela de amiguinha? Rolamos de rir… Fuja Elza, fuja… fuja amiguinha, fuja!

Hahaha… ainda bem que ele é amigo dela… :)

Medo / Sensibilidade ao Som

Uma coisa que tem me intrigado e feito eu pequisar é sobre os medos do Lu e o estado que ele fica quando tem medo de algo. Coloquei “medo” e “autismo” no google mas não achei muita coisa. Resolvi colocar “sesibilidade ao som” e “autismo”. Olha que interessante:

Conhecemos crianças com autismo que as vezes podem ser muito sensíveis a um Som em particular a um contato, e também falta de ensibilidade para níveis baixos de dor. Cerca de 40% das crianças com utismo tem alguma anormalidade de sensibilidade sensorial (Rimland 1990).

As sensibilidades mais comuns incluem sons e tato, mais em alguns casos a sensibilidade se relaciona com o sabor, a luz intensa, as cores e aromas. Ao contrario as pessoas podem expressar uma reação mínima a níveis de dor e temperatura que poderiam ser insuportáveis para os outros.

A observação clinica e considerações pessoais de pessoas com autismo e Síndrome de Asperger sugerem que há três tipos de ruídos que são percebidos com extrema intensidade. A primeira categoria são ruídos súbitos, inesperados, que um adulto com Síndrome de Asperger descreveu como “pulsante”, como um cachorro latindo, um telefone tocando, alguém tossindo ou rosqueando a tampa de uma caneta. O segundo é um tom alto, um ruído continuo, particularmente o ruído de pequenos motores elétricos usados em cozinhas, banheiros e equipamentos de jardim. A terceira categoria são sons desconcertantes, complexos e múltiplos como ocorre em grandes supermercados ou reuniões sociais.

Uma analogia apropriada para que possamos entender melhor é o mau estar que muita gente tem com determinados sons, tais como unhas raspando a lousa.

Depoimento de Aspergers: (adoro os depimentos dos aspergers pois é como se eu entrasse na mente do Lu e descobrisse o que ele sente)

A primeiro é de Temple Grandin (1988): “Os ruídos fortes e inesperados sempre me assustam. Minha reação com eles é mais intensa que de outras pessoas. Por isto odeio bexigas, porque nunca sei quando vão estourar e me fazer pular. especialmente os ruídos com tons altos de motores, tais como secadores de cabelos ou chuveiros. Ruídos de motores pequenos de baixa freqüência não me fazem mal (…) ruído era meu principal problema. Quando me defrontava com um ruído forte e não podia melhora-lo, tampava os ouvidos e afastava-me(…)

Darren White White y White (1987), descreve como: Estava também aterrorizada com o aspirador, a batedeira, o liquidificador, porque soavam como cinco vezes mais que atualmente. O motor do ônibus arrancava com um barulho forte , o motor soava quase como quatro vezes mais do que o normal e eu tinha as mãos no ouvidos todo o tempo que durasse a viagem. Os seguintes são alguns dos sons que sempre me transtornam bastante e fazem que tampe os ouvidos já que tenho medo deles: gritaria, lugares com muito ruído, plástico amassando, bexigas, aviões, o ruído dos veículos na cidade, martelos e ferramentas elétricas quando são utilizadas, o som do mar, o som das pontas de canetas porosas. Apesar de tudo isto, posso ler musica e toca-la e tem certos tipos de musicas que me encantam.

Outro menino tinha um interesse especial por ônibus. Antes de poder ver o veiculo, podia identificar a marca do motor. Também percebia o som original do motor de cada ônibus que passava por cada parte da cidade. Assim podia identificar o numero do ônibus seguinte que vinha mesmo que não se visse. Também tinha aversão a brinca no jardim de sua casa.. Quando perguntavam porque, respondia que odiava o ruído de “clak clak” das asas das mariposas.

Sensibilidade auditiva:- evitar certos sons;- escutar musica que distraia o som;- pode ser útil o treinamento e integração auditiva;- minimizar o ruído de fundo, especialmente quando varias pessoas falam ao mesmo tempo- considerar o uso de protetores auriculares.

Fonte: Inclusão Brasil
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Hoje, ao ir pra terapia a pé com minha mãe, Lu deu escândalo e correu pro meio da Rua (correndo o risco de se atropelado) por causa de uma borboleta amarela. Será que ele escuta o bater de suas asas? Minha mãe ficou em pânico e todos da rua acharam que ela estava maltratando o Lu. Tá difícil. Será que isso passa? Continuarei pesquisando.

Beijos!