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Depoimento – Ludmila e Maria Luiza

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Precisamos falar sobre Autismo!
1 em cada 68 crianças estão dentro do espectro autista (número aferido pelo CDC, Center of Diseases Control and Prevention).

E hoje vou contar para vocês um pouco sobre a minha filha.
Maria Luiza é uma menina encantadora, que chama a atenção por onde passa. Sim, pode ser que eu diga isso porque sou a mãe dela, mas fato é que ela me encanta profundamente!

Ela nasceu em setembro de 2013, de parto normal, aqui na França, onde moramos no momento. Perfeitamente saudável, linda, sorridente e tranquila. Chorava pouco e dormia muito. O sonho de toda mãe!

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Pelo fato de morarmos fora, viajamos bastante, e com isso eu decidi que iria vaciná-la com todas as vacinas obrigatórias na França, no Brasil, e as que não são obrigatórias em lugar nenhum, pois na minha cabeça, essa era a melhor maneira de proteger minha filha.

Quando ela estava com 7 meses e meio, fomos eu e Maria Luiza, para o Brasil pela sua primeira vez! Ficamos 3 meses e meio por lá visitando a família e os amigos. Ela já engatinhava, e foi aperfeiçoando sua técnica durante essa temporada e se tornando uma engatinhadora super veloz! Ficou em pé pela primeira vez lá no Brasil, ameaçou dar uns passinhos se apoiando nos móveis e falou sua primeira palavra: “babá”. Provavelmente uma das primeiras palavras que eu também falei, pois era assim que carinhosamente eu chamava a Maria, minha segunda mãe.

41 noites desses 3 meses e meio que passamos no Brasil, Maria Luiza chorava de 9 Pm às 6 Am, incansavelmente, em alto e bom tom! Eu fique tão cansada e tão esgotada que pensei que fosse morrer por falta de dormir. Não entendia o que estava acontecendo com aquela bebezinha tão alegre e tranquila. Ela foi diagnosticada com “terror noturno”, por ter mudado de ambiente, estar longe do pai, do cachorro e rodeada por pessoas consideradas estranhas até então. Foram 41 noites que pareciam intermináveis!

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Voltamos do Brasil, ela já batia palminhas, dava “tchau”, falava “mama”, “papa”, imitava a vaca, o porquinho, o cachorrinho chorando, fazia a coreografia de “meu pintinho amarelinho” e de “cai, cai balão”…
Um mês depois ela completou seu primeiro aniversário, recebeu a primeira dose da vacina tríplice (de caxumba, rubéola e sarampo) e começou a frequentar a creche 2 tardes por semana.

Aos 16 meses ela recebeu a segunda dose da vacina.
Eu estava começando a ficar preocupada porque ela parou de demonstrar interesse em aprender a andar, mas o pediatra me disse que ela era excelente engatinhadora, e como ela não via “vantagem” ou necessidade em andar, ela preferia continuar engatinhando, e que isso era normal.

Comecei a me preocupar também, pois ela não estava ampliando seu vocabulário, pelo contrário, estava parando de falar as poucas palavras que já falava e deixando de fazer os sons dos animais. O pediatra me disse que eu não tinha com o que me preocupar pois ela era uma criança trilíngue, e que crianças expostas a mais de uma língua demoram mais para falar.

Minhas preocupações foram aumentando, com o fato de que a Maria Luiza estava sempre com diarreia. E o pediatra me disse para não me preocupar pois isso era comum quando as crianças começavam a frequentar creches e escolinhas, e que eu deveria mantê-la sempre bem hidratada.

Ela foi ficando bastante seletiva para se alimentar e com dificuldade com a textura dos alimentos. Começou a ter crises nervosas quando eu a levava para brincar na grama, ou com areia, tinta e massinha. Esse mesmo pediatra, me disse que algumas crianças tinham dessas “fases” mesmo e que isso iria passar.
Eu até concordo com tudo o que esse médico disse. Mas eram muitos sinais e sintomas numa mesma criança e ao mesmo tempo, e nenhum deles estava passando. Isso me inquietava diariamente.

Ela andou faltando 2 dias para completar 18 meses, o que é considerado dentro da faixa de desenvolvimento normal da criança. Mas continuava sem falar e suas diarreias foram ficando cada vez mais frequentes. Pedi para o pediatra fazer um teste de alergia na minha filha, e ele disse que não havia necessidade.

Ela completou 2 anos e sua frequência na creche passou para 3 vezes na semana em horário integral. Cheguei a pensar que com uma convivência maior com as crianças, ela fosse desenvolver melhor a comunicação e ficar mais resistente a tantas “gastroenterites”. Mas um mês depois, eu e Diogo fomos chamados para uma reunião na creche com a diretora e a psicóloga. Elas nos disseram que a Maria Luiza estava mordendo as crianças, estava com dificuldades para comer sozinha, não dormia após o almoço e tinha muitas crises coléricas. Chegaram a me perguntar se meu marido me batia em casa e se minha filha sofria ou presenciava algum tipo de violência. Disseram que continuariam a observá-la por alguns meses para vermos como tudo evoluiria.

Pouco tempo depois chegou o Natal e recebemos aqui na França uma das minhas irmãs, meu cunhado e minhas 2 sobrinhas. Os dois são psicólogos e puderam observar bem de perto tudo o que estava acontecendo. Maria Luiza mordia a prima mais nova diariamente, por motivos diferentes. Mordia quando queria um brinquedo que a prima estivesse segurando, mas também mordia quando estava muito feliz por estar brincando com ela. Assim como fazia comigo também. Com isso, concluí que a mordida era não somente uma forma de se comunicar (já que ela não sabia dizer “não”, “sim” e nem pedir qualquer coisa), mas também era uma falta de controle das suas emoções, fossem elas positivas ou negativas.

Com o tempo, aquela criança que quase não chorava e dormia muito bem, começou a ter insônia e crises de choro que chegavam a durar 5, 6, 7…, 12 horas sem parar!

Resolvemos ir ao Brasil em fevereiro de 2016 para fazermos uma avaliação da Maria Luiza com um neuropediatra e um psicólogo, ambos bastante profissionais e recomendados pelo meu cunhado.

Foi então, quando o neuropediatra depois avaliá -la, conversar bastante conosco e presenciar uma crise colérica que ela teve dentro do consultório, me disse o que eu já imaginava. Mas para minha surpresa, ele me disse que ela não tinha um diagnóstico fechado ainda, mas que existia sim uma suspeita de AUTISMO. Por mais que eu já imaginasse, por mais que eu já tivesse algum conhecimento sobre autismo e por mais que ele tenha me dito que por enquanto só existe uma SUSPEITA, o mundo desabou na minha cabeça naquele momento. Olhei para o Diogo e ele estava com aquela cara de choque. Chorei muito. E chorei na frente da minha filha. E quando ela percebeu, ela veio me fazer carinho e eu, tentando disfarçar, falei para ela: “Mamãe está com dodoizinho”. E as sábias palavras que esse médico me disse e que eu não posso jamais esquecer foram: “Não tem dodoizinho nenhum. A mamãe está chorando porque ela está preocupada com você, porque ela compartilha do que está te fazendo sofrer”. E continuou: “Ludmila, não minta e não esconda nada da sua filha, ela precisa saber o que está acontecendo e o que você está sentindo. E o fato dela ter percebido que você está triste e ter te feito carinho, significa que ela tem empatia, compaixão, discernimento entre as emoções e isso é um ótimo sinal de habilidade social. E é por esse interesse e habilidade dela em se socializar, associados a um contato visual bastante rico, que me fazem ter dúvidas e não fechar ainda o diagnóstico dela”. Não parando por aí, de repente veio a parte que sacolejou até a minha alma: “Chore querida, chore tudo o que tem para chorar aqui comigo. Agora veja a cara de choque do seu marido e a cara de desespero da sua filha. Respire fundo, abra os seus braços e estufe o peito. Seja forte, porque a ficha do seu marido ainda vai cair e os dois vão precisar muito de você e do seu acolhimento. E é você, sozinha, lá na França, quem vai ajudá-los. À partir de agora, você é o meio de comunicação e de transporte da sua filha para a vida”.

Voltamos do Brasil em março e a psicóloga da creche quis marcar uma outra reunião com as professoras da Maria Luiza e a diretora. Ouvimos tudo o que elas tinham para nos dizer e sem contar nada do que havia acontecido no Brasil, eu perguntei para a psicóloga: “Se você tivesse que dar um diagnóstico para minha filha agora, qual seria?”, e ela respondeu: “Autismo. Mas na verdade, para mim sua filha é uma incógnita”.
Orientados pelo neuropediatra, imediatamente iniciamos as sessões com fisioterapeuta, fonoaudióloga e terapeuta ocupacional.

Conversei com o pediatra negligente, e disse que eu precisava das prescrições médicas para todos esses acompanhamentos que estávamos iniciando (burocracia do sistema público de saúde francês, como qualquer outro) e de um pedido de exame de sangue para testar se além de tudo Maria Luiza era alérgica, pois ela já estava há 45 dias com diarreia e não havia crescido e nem engordado nos últimos 3 meses. Não tinha mais cabimento ele me dizer que isso era gastroentrite!

Descobrimos que ela era alérgica a caseína (proteína do leite), clara de ovo, amendoim e mostarda.
Nesse meio tempo, uma das minhas irmãs, que é formada em pedagogia Waldorf e em Antroposofia Curativa, colocou na minha vida 2 irmãs gêmeas, que se tornaram minhas irmãs de alma. Elas salvaram a qualidade de vida da minha filha! E eu nunca encontrarei formas de demonstrar o quanto sou grata a tudo que elas fizeram e fazem por nós. Para entenderem melhor sobre quem elas são e o maravilhoso trabalho que elas fazem, vocês podem acompanhar o blog delas: www.estouautista.com.br.

Desde quando falei com Karla e Luiza pela primeira vez, elas me mandaram tirar o leite e o glúten da vida da minha filha (procurem saber sobre autismo e dieta Sem Glúten e Sem Caseína). Eu obedeci! Antes mesmo de sair o resultado dos testes de alergia. Em 3 dias, Maria Luiza estava fazendo cocô normal, pela primeira vez na vida. Essas duas irmãs abriram meus olhos e minha mente para um mundo que eu pouco conhecia, onde muitas coisas são maravilhosas e outras muito tristes.

Dentre as coisas maravilhosas, elas me contaram sobre um tratamento homeopático chamado Cease Therapy, feito para desintoxicar as crianças de metais pesados contidos nas vacinas e de outras substâncias, como o paracetamol, por exemplo. Por causa desse tratamento conheci a Natalia, uma mulher, mãe e profissional fantástica. Ela é a única homeopata na França que tem autorização para fazer esse tratamento. É um tratamento longo, muitas vezes sofrido, que exige bastante paciência, disciplina e força de vontade dos pais. Mas se alguém aí estiver passando por algo parecido, saibam que o recomendo de olhos fechados! Estejam 100% preparados, mas podem ter certeza que vale MUITO a pena todo sacrifício!! Existem homeopatas bastante capacitadas no Brasil que também fazem esse mesmo tratamento.

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Hoje, depois de somente 5 meses de tratamento, Maria Luiza ama brincar na areia e não se importa mais se estiver andando descalça na grama. Já está falando várias palavrinhas em francês e até mesmo formando frases curtas com verbos. Voltou a dormir bem como na época em que era bebê, come sozinha e suas alergias acabaram (mas ela continua na dieta SGSC). Sua evolução tem impressionado bastante os profissionais que a acompanham e as professoras da creche.

Quando todas essas suspeitas começaram a surgir e após a avaliação do neuropediatra, cheguei a escutar de pessoas que eu amo, coisas do tipo: “o que sua filha precisa é brincar mais com as crianças lá de casa, pois elas são as mais espertas e inteligentes”; “sua filha precisa é assistir mais televisão”; “sua filha está assim pois como você passa a maior parte do tempo sozinha com ela, você deve ficar cansada e não deve estimulá -la o suficiente”; “sua filha está assim porque você é estressada demais e ela sente isso”; “imagina! Sua filha não tem nada, você que é estressada e preocupada demais!”. E até mesmo cheguei a perceber uma pessoa ou outra chegando a tratá-la como se ela sofresse de alguma debilitação razoavelmente grande. Tenho certeza que nenhuma dessas pessoas me falaram qualquer coisa para me magoar, pelo contrario, queriam me ajudar. Mas gente, por favor, vamos ter mais sensibilidade, vamos nos INFORMAR e vamos PENSAR antes de falar! O momento já é delicado e sofrido demais por si só. Pais como nós, precisam de amor e de ACOLHIMENTO. Por causa desses tipos de comentários, eu decidi que não ia contar mais nada para ninguém, pois eu não estava mais disposta a ouvir críticas, opiniões e julgamentos. E principalmente, porque eu também não queria que ninguém mudasse a maneira de tratar a minha filha.

Por isso peço desculpas aos vários amigos e familiares que até agora desconheciam do que está acontecendo conosco, e conto com a compreensão de todos vocês.
Por que eu resolvi contar tudo isso agora e expor nas mídias sociais? Porque eu me sinto mal em saber que existem tantos pais passando pelo que estamos passando e não fazer nada. 1 EM CADA 68, guarde bem este número! Precisava me abrir e gritar para esses pais: – Ei! Estamos aqui, nós sentimos o que vocês sentem, compartilhamos de suas batalhas, vamos nos unir e nos ajudar? Vamos botar a boca no trombone, trocar informações e fazer mudanças já!

As pessoas no geral, tem a ideia de que autistas são aquelas crianças que ficam isoladas num canto, olhando para o nada e balançando o corpo para frente e para trás. Não gente! Vamos acordar! Todos nós precisamos buscar por mais informação, principalmente os médicos, educadores, mães e pais. Existe algo chamado ESPECTRO AUTISTA, e dentro desse espectro, a criança pode ser diagnosticada do grau mais leve ao grau mais pesado, depende do quanto ela estiver comprometida. E isso não significa que ela ficará estagnada nesse grau para sempre. Com tratamentos e estímulos terapêuticos adequados ela pode evoluir bastante, podendo até mesmo sair do espectro. Recomendo aqui um filme que mostra isso muito bem, chamado “MEU FILHO, MEU MUNDO”. E sobre o fundador do programa “SON RISE” que foi diagnosticado com autismo quando criança.
Não estou aqui para levantar bandeira nenhuma. Estou aqui para contar o que está acontecendo dentro da minha casa. Eu, Ludmila, acredito que para uma criança ser considerada autista, deva existir uma predisposição genética, mas existem gatilhos ao longo da vida, que podem ou não, despertar essas características autistícas, fazendo com que a criança esteja dentro do espectro. Existem vários gatilhos já identificados, como os conservantes das vacinas, o paracetamol, pesticidas e outros.

No caso da minha filha, tenho convicção, que ela sofre por intoxicação dos metais pesados utilizados como conservantes das vacinas. Não, eu jamais vou falar para vocês não vacinarem seus filhos, principalmente porque algumas vacinas são obrigatórias por lei (variam bastante de país para país). Mas é um absurdo a indústria farmacêutica não mudar isso! Precisamos mudar muita coisa, mas antes de tudo precisamos nos INFORMAR, nos UNIR e ter mais SENSIBILIDADE com as crianças autistas e com os pais de autistas! O autismo precisa receber mais atenção de todos nós, ser mais bem divulgado, assim como seus diferentes tipos de tratamentos. Antes de criticarem ou julgarem, se informem!

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E lembrem-se: 1 em cada 68 crianças! E esse percentual só aumenta! O seu filho pode ser o próximo! Tenha isso em mente!

Depoimento de nossa querida e amada irmã de alma Ludmila Neder Monteiro

Clique aqui estão os posts do Estou Autista sobre dieta

Depoimento de Fátima de Kwant

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Atualizamos a página de depoimentos!!! Corre lá e vai ler! Um depoimento emocionante e muito positivo, daqueles que você lê e recarrega as baterias! Fátima mora na Holanda com sua família e conta que aprendeu muito com o filho autista. Por facebook, depois que contamos que choramos ao ler seu depoimento ela disse:

“Quando a minha história de vida consegue tocar alguém, ela volta outra vez. Acho que é esse amor incrível que sinto pelo meu filho e por TODAS as crianças e jovens autistas.Minha visão do autismo é a melhor possível. As dificuldades superadas, ou as por superar, só fazem aumentar a felicidade com cada pequeno sucesso. Autismo é um aprendizado de amor, aceitação e tolerância.”

Clique AQUI e leia todo o depoimento, que está disponível em sua página (Autimates)!

Obrigada, Fátima, por colaborar com nosso blog, por relatar de forma tão bela sobre o autismo e por lutar pelos nossos amados autistas com tanto amor. Que você continue assim, sempre divulgando o autismo através de sua página no facebook, no dia a dia e com esse olhar maravilhoso para o potencial de nossos anjos azuis!

Depoimento – Programa Son Rise

Faz tempo que não atualizamos os depoimentos né? E adoramos essa parte pois as pessoas podem ver como nossa família azul é capaz de tudo que se propõe! Essa troca de experiências é super saudável e estimulante!

O depoimento de hoje é da Elaine Marabita, mãe do Lucas de 11 anos! Lucas é super parecido com o Lu e as vezes até achamos que eles são gêmeos de alma, rs.  A Elaine já deu um depoimento aqui há algum tempo, quando Lucas tinha 8 anos, nos contando sobre o son rise, programa que ela pratica com o Lucas desde que ele tem 6 anos! Para lerem o depoimento é só clicar aqui e procurar o 5º depoimento.

Amamos o Programa Son rise {Son Rise Program – SRP} porque ele é bem positivo, pra cima, trabalha através dos interesses das crianças para alcançar as metas propostas, é incentivador, a favor dos elogios e da leveza ao se trabalhar com um autista, o aceitando como ele é, sem colocar defeitos ou fazer críticas.

Adoramos ver o novo relato pois vemos que Lucas vem evoluindo demais e está incluído na escola, gosta de passear, se diverte e aprende e ensina muito a todos que estão a sua volta!

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“Há seis anos atrás, quando começamos o SRP, Lucas estava deixando-nos impressionados com seus flapings, birras e suas primeiras palavras (sons e sílabas ecoando). Hoje ele está com 11 anos, e se auto-denomina um adolescente e um torcedor incrível do Corinthians, alegre, contagiante e muito interessado em aprender coisas novas. Seu programa favorito é ir em Shoppings, cinemas, livrarias e lojas de games e filmes. Ah! ele também frequenta um clube de torcedores fanáticos pelo Corinthians, onde assiste jogos, torce e xinga muito os adversários junto da galera. Quem me conhece sabe que posso falar por horas dele, porque eu sou muito apaixonada e a coisa que mais gosto de fazer é passar meus dias com ele, rindo, jogando e aprendendo suas novas “tiradas geniais” ou novas gírias que aprende na escola. Ontem mesmo ele falou “ que meda, ui mãe!” e eu amei. Não há nenhum preço, nada, que me traga maior satisfação, por isso compartilho isso, na tentativa que nosso entusiasmo contagie quem está lendo. Hoje além de falar tudo, é meu melhor confidente e amigo. Alem do programa ter sido fundamental para sua alfabetização, hoje ele está aprendendo inglês e espanhol no Sexto ano regular. Descobrir a força do programa son-rise mudou minha vida completamente e de toda minha família.”

Elaine Marabita, mãe Son Rise, amiga confidente e inspiração diária para nós.

♥♥♥♥♥ Amamos você e o bom disso é que você sabe! ♥♥♥♥♥

Um relato emocionante

Vale a pena assistir esse maravilhoso depoimento de Jegede, que tem 2 irmãos autistas. Em um pouco mais de 5 minutos ela consegue transmitir, cheia de sentimento, seu amor pelos seus irmãos e deixar uma bela mensagem!

A vida fica muito melhor e mais leve quando nos despimos de rótulos. Luiz Júnior veio na nossa vida para nos ensinar o verdadeiro significado do amor e o importante valor da palavra “especial”. Gostamos de falar que ele é nosso pequeno grande mestre. Ninguém fica feliz com o diagnóstico de autismo para o filho, neto, sobrinho, irmão, etc… mas o desespero se dá porque não sabemos lidar com o transtorno e muitas dúvidas surgem sobre tratamentos, medicamentos, escola, preconceito, qualidade de vida, etc. Mas depois que vamos aprendendo sobre o tema e convivendo com famílias na mesma situação, o mundo volta a ficar colorido e você se esquece de como era a sua vida antes de receber esse presente. O autismo nos tornou pessoas melhores e mais humanas. Então, hoje, fazemos coro com Faith Jegede: POR FAVOR, NÃO DIGAM QUE SOMOS NORMAIS!

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Acompanhe nossa página no facebook! Estamos sempre colocando imagens informativas e notícias por lá! Recebemos esse vídeo por e-mail do nosso amigo Leopoldo! Obrigada por sempre nos enviar links sobre o tema. Abaixo informações sobre Faith Jegede.

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Facebook de Faith Jegede
Blog de Faith Jegede

A sutil diferença entre o excesso de energia e a violência

Olá Pessoal. Quanto tempo né? Nunca ficamos tanto tempo sem postar assim. Com facebook e a facilidade de fazer posts por lá, o retorno ser mais rápido e a geração de conteúdo acontecer em tempo real, o blog ficou esquecidinho. Mas ficamos triste porque foi aqui que tudo começou e achamos muito importante aprofundarmos mais sobre determinados assuntos.
Bom, o Martim Fanucchi, editor da Revista Autismo, colocou um depoimento dele no facebook e achamos super importante compartilhar com as mães e pais de autista pois essa confusão acontece na melhores famílias, rs. Colocamos o depoimento na nossa página no facebook e muitas pessoas se interessaram, deram seus relatos e achamos muito importante aprofundarmos por aqui. Leiam as palavras do Martin:

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“Muitos pais de autistas convivem diariamente com esse dilema e tem que interpretar rapidamente uma situação em que seu filho tem uma atitude aparentemente violenta, bater por exemplo. Esse momento delicado é fundamental para você compreender seu filho e educar, mostrando qual é a forma de agir quando acontece isso.
Dando um exemplo prático disso, hoje pela manhã, Julia ficou em casa comigo, porque haveria uma reunião pedagógica nesse período, na escola em que ela estuda. Como de costume fizemos bagunça pela casa toda, mas na cama ela gosta que eu deite em cima dela e solte parte do peso (senão eu a esmago) e ela fica lá embaixo, suspirando de felicidade. Isso se chama “papai pegou”. Lá pelas tantas ela que montou em cima de mim e me abraçou, nessa hora eu disse: “Agora a Juju que pegou”. Ela pulou de cima de mim, me olhou rindo e me deu um tabefe nas têmporas tão forte que eu vi estrelas. Me pôs a knock-out às 9h30 da manhã.
Doeu pacas e a dor poderia ter até afetado meu discernimento e poderia ter errado no julgamento desse gesto. Eu peguei ela na mão e disse: “Juju calma, tudo bem, aconteceu, mas agora da um beijo no papai e pede desculpa pelo tapa.” “Debdoudite…”(ou algo parecido) foi a resposta dela, depois um beijo com direito à “muaááh” e tudo.
Esse tapa foi apenas um excesso de excitação. A energia que os autistas têm é imensa. E às vezes é muito difícil para eles lidar com ela, ocasionando esse tipo de fato e é mais difícil ainda para os pais interpretar esse instante, porque algo precisa sempre ser pontuado na hora que aconteceu. Estabelecer esse vínculo no momento é fundamental porque depois eles nem vão se lembrar do que aconteceu e não vão entender nada mesmo.
Eu já fiz julgamentos errados e pensando depois cheguei a conclusão que agi errado também com Julia. Ela não tem referência de violência em casa. Na escola qualquer ocorrência dessa natureza é punida de forma que fica compreendido que é errado bater, e no que ela assiste também não tem exemplo de violência.
Mas aquele risinho antes do tapa poderia ter me feito julgar errado, por exemplo.
Porque ela é “malvadinha” sim às vezes, como toda criança.
Eu prefiro sempre agir do que deixar passar em branco. Mas o julgamento tem de ser rápido e assertivo, senão ambos sofremos depois.”


Uma resposta chamou atenção:” Hj durante a reunião de pais na APAE foi feita a leitura de um texto que fala sobre isso. Isso é denominado como energia intensa. Procure quando a criança estiver com energia intensa fazer pressão como abraço bem forte ou pressão nas mãos (nada que machuque) que a criança acalma vou tentar fazer isso com a Luiza pq ela tem esses comportamentos também.” [Fabiana De Alvarenga Mônaco]

Pesquisei um pouco sobre isso e achei esse texto do Programa Son Rise que gostei muito:

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Foto tirada daqui

Quando os pais descrevem a criança como “agressiva” eles querem dizer que ela bate, morde, arranha, belisca, puxa o cabelo, cospe na cara das pessoas, dá estalos, pontapés e geralmente usa força física. Este termo também é utilizado se a criança morder a própria mão, bater com a cabeça e outras actividades auto-lesivas.

No dicionário “Agressivo” é definido como:
‘Caracterizado por ou que tende a ofensivas, ataques, invasões, etc sem motivo; militância ou ameaça: atitudes agressivas contra um país vizinho.’

Assim, quando usamos esta palavra para descrever os comportamentos da criança estamos dizendo que ela está atacando. Quando se magoando acreditamos que ela se está se atacando sem motivo?

‘Violento’ é outra palavra que utilizamos para descrever comportamentos como os acima descritos. Muitas vezes, tive pais que procuraram a minha ajuda que diziam coisas como “O meu filho está ficando violento”, ou profissionais que diziam que trabalhavam com “uma criança violenta”.

‘Violento’ é definido como:
“Ações extremamente fortes que se destinam a prejudicar as pessoas ou são suscetíveis de causar danos, ou envolvem o uso da força para ferir ou atacar. ”

Quando chamamos as crianças de violentas, estamos sugerindo que elas têm intenção de nos magoar. Para mim, a palavra violento evoca imagens de mortes e guerra, não algo que atribua a uma criança com autismo.

No Autism Treatment Center of America, a casa do Programa Son Rise®, não temos a visão de que as crianças nos atacam sem motivo tal como a palavra “agressivo” sugere, elas também não são inerentemente más ou agem, de fato, de forma como se quisessem magoar outras pessoas. Acreditamos que elas estão tentando cuidar de si próprias da única maneira que sabem. Não rotulamos este comportamento como “agressivo” ou “violento”, chamamos-lhe “energia intensa”. O rótulo “energia intensa” não tem nenhum dos julgamentos associados às palavras “agressivo” ou “violento” e descreve de forma mais precisa a situação que está para acontecer.

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foto tirada daqui

A seguir estão duas das razões mais comuns para a sua criança ter uma energia intensa. Perceba a razão para ajudá-lo-á a aplicar as estratégias mais eficazes para minimizar a energia intensa da criança, bem como novos pensamentos e crenças que você poderá adotar para ajudar-se a sentir-se mais confortável com este aspecto da sua criança.

A Energia Intensa não aparece vinda “do nada”.

Os pais dizem que as suas crianças vão lhes bater sem razão aparente, que acontece vindo “do nada”. Nos meus 25 anos de trabalho com crianças e adultos com autismo, bateram-me, estrangularam-me, deram-me pontapés, murros, beliscaram-me, morderam-me, deram-me estalos, cabeçadas, crianças e adultos bem mais altos e pesados do que eu. O meu treino no Autism Treatment Center of America ensinou-me a observar realmente uma criança e a perceber o que está acontecendo com ela e a relação entre o que eu fiz e o que elas fizeram. Desde então, nunca trabalhei ou observei uma criança que nunca tivesse dado sinais claros de que estavam quase para me bater, bater no facilitador com quem estavam trabalhando ou nos seus pais.

Isto é fantástico porque significa que tudo o que temos que fazer é observar criança, compreender de forma mais clara e reparar naquilo que FAZEMOS.

RAZÃO #1 – Desafios Sensoriais

O que é?

Muitas pessoas com autismo têm  experiência extrema de super ou sub-sensibilidade (não sentem dores por exemplo) a estímulos, conhecida como transtorno do processamento sensorial ou disfunção de integração sensorial. De acordo com Psychology Today, este distúrbio do processamento sensorial pode apresentar um grande desafio social para adultos autistas. Conhecer novas pessoas traz informação sensorial nova, incluindo cheiros, sons, visões, e outros tipos de entrada. Isso pode levar os autistas a evitarem novas interações sociais. (Conceito retirado daqui.)

Sabemos que o sistema sensorial das nossas crianças tem muitos desafios. Elas podem ter energia sendo criada dentro delas e que elas não sabem liberar adequadamente. Quando temos excesso de energia nos nossos corpos, fazemos algum exercício para ajudar a liberá-la. As crianças autistas parecem não perceberem o que está a acontecendo com seu corpo e por isso criam formas únicas e interessantes de liberar essa energia. Elas mordem, beliscam, apertam as pessoas com determinação e força. A ação de morder ou beliscar, na verdade, libera esta energia, ajudando-as a organizarem-se fisicamente.

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Foto tirada daqui

Experimente este exercício:

1. Pegue num objeto como uma bola insuflável ou uma toalha.
–> Morda-o. Sim, é isso mesmo. Crave os dentes nele com todo seu poder .
–> Faça-o 3 vezes, cada vez durante 20 segundos.

2. Junte as mãos e aperte-as, de novo, não sem entusiasmo, mas com todo o seu poder.
–> Faça-o 3 vezes, cada vez durante 20 segundos.

3. Escreva num papel como se sentiu ao fazer isto.

O que eu sinto e o que as pessoas dizem sentir é um alívio de qualquer tensão que se tenha. Sabem bem fazer isto! E ajuda o nosso corpo. As nossas crianças fazem isto pelas mesmas razões, apesar de que a energia que elas têm de libertar dos seus corpos é maior do que a nossa. O truque é ajudar a criança a utilizar algo para libertar as energias que não seja outra pessoa.

Elas também podem dar a si próprias um estímulo sensorial batendo com a cabeça, mordendo a parte mole dos polegares, batendo nas coxas ou pés. Neste caso, vemos crianças que agem como se fossem o seu próprio terapeuta ocupacional, tentando ajudar a equilibrar o seu próprio sistema sensorial.

Quais são os sinais?

Poderá notar que a criança tem um dos seguintes comportamentos, mesmo antes de se bater ou se beliscar, ou poderá ver um aumentos dos seguintes comportamentos durante um período de cerca de 30 minutos antes de chegar a sua energia intensa.

–> Saltar intensamente
–> Fazer força em partes do corpo, por exemplo, fazer tanta força na cara que chega a tremer um pouco.
–> Bater em qualquer parte do corpo de forma mais vigorosa com a mão ou um objeto.
–> Correr por toda a casa ou quarto com uma enorme energia.
–> Gritar sons cada vez mais altos do que o habitual.
–> Tornar-se mais intensa e rápida ao recitar trechos de filmes ou livros.
–> Fazer-lhe perguntas disparadas, quando você sabe que ela sabe a resposta.
–> Entrar num padrão do contra, em que pede por algo, você dá e a criança diz não, depois volta a pedir a mesma coisa e quando você volta a dar ela volta a dizer não, e assim sucessivamente.

Se você não tem a certeza do que o que a sua criança faz no período anterior a energia intensa, vire um detetive, ande sempre com um caderno e comece a escrever o que vê! Anotar o que o seu filho faz antes de ter energia intensa trará pistas válidas sobre o porquê deste comportamento. Uma vez que sabemos o porquê, poderemos aplicar a estratégia mais útil para ajudá-la. Nós queremos tratar da razão subjacente da energia intensa da criança e não apenas gerir os sintomas.

O que fazer?
A ideia é dar-lhes o estímulo sensorial que eles estão à procura durante todo o dia, para que não se crie um momento em que eles o irão procurar a partir de nós usando a “Energia Intensa”.

Como:

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Foto tirada daqui

–> Começar a apertar as mãos, pés e cabeça da criança.
–> Dar-lhe um abraço de urso, sentado-se atrás da criança e envolvendo com os braços e pernas a criança, para que lhe possa dar um verdadeiro aperto corporal.
–> Rolar uma bola grande terapia sobre o seu filho, esta é uma maneira útil para dar um “abraço de urso” a uma criança maior ou mais velha.
–> Encorajar a criança a saltar no trampolim.
–> Para uma criança com idade superior a 14 anos, sugiro que se assegure que ela faça muito exercício físico, como nadar, correr,  caminhar, saltar num grande trampolim, algo em que elas se esforcem mesmo. Faça isso 3 vezes por semana.

Você pode fazer qualquer uma das sugestões acima referidas. Escolha aquela que acha que a sua criança irá gostar mais. Enquanto estiver fazendo as 3 primeiras sugestões, deve experimentar a intensidade em que oferece o abraços de urso, o aperto ou o rolar a bolsa de terapia. Aumente a pressão devagar enquanto observa para ter a certeza de que a criança está gostando. A minha experiência é de que as crianças que usam a energia intensa devido às suas necessidades sensoriais, vão gostar de mais pressão.

Como responder à criança quando eles batem por essa razão?

1. Pense nos seguintes pensamentos:

–> A criança está me batendo numa tentativa de cuidar do seu sistema sensorial.
–> Não significa nada em relação ao amor ou respeito que tem por mim.
–> Eu posso ajudar a criança, dando-lhe mais estímulos sensoriais para a ajudá-lo a equilibrar o seu corpo.
Estes pensamentos vão ajudá-lo a preparar-se para responder de forma calma, tranquila e carinhosa.

2. Aperte-lhe as mãos, cabeça e maxilar.

–> Se a criança bater em você com a cabeça, ofereça-se para lhe apertar a cabeça… se ela beliscá-lo, ofereça-se para lhe apertar as mãos… se ela mordê-lo, ofereça-se para fazer pressão na linha do maxilar.
–> Explique-se que ela não tem que morder, beliscar ou bater com a cabeça e que você ficaria feliz de a apertar sempre que ela quiser.
Agora que você sabe os sinais de alarme, deverá conseguir dar à criança o estímulo sensorial que ela procura antes de ela chegar ao estado de bater, morder ou beliscar. Pegue-lhe na mão antes de ela chegar a si para exercer pressão!

Dicas:

–> Quando estou trabalhando com crianças que gostam de bater, normalmente quando me abraçam elas cravam os dentes no meu ombro então  tenho sempre um pequeno brinquedo de mastigar no meu bolso para oferecer-lhes, ou coloco almofadas debaixo da camiseta para proteger os ombros.
–> Se a sua criança conseguir mordê-lo, tente mover-se no sentido da mordida e não afastar-se. Por exemplo, se a criança estiver mordendo o seu braço, empurre o braço para a mordida, se puxar o braço vai doer-lhe mais. Utilize o polegar e o indicador e empurre os dois lados da linha do maxilar da criança, isto não irá magoá-la e fará com que ela abra instantaneamente a boca.

RAZÃO #2 – Comunicação

comunicacao
Foto tirada daqui

Bater, morder, dar estalos, cuspir, beliscar, dar murros, bater com a cabeça, morderem-se, pode ser simplesmente a sua criança comunicando que quer alguma coisa. Pode ser o caso de uma criança que ainda não é verbal e de uma criança que é altamente verbal. Se elas acreditarem que as pessoas lhes darão as coisas mais rapidamente se elas baterem nas pessoas ou nelas próprias, então elas vão querer carregar no botão “avançar rapidamente” fazendo isto.

Quais são os sinais?

–> Beliscam/mordem/batem/dão murros logo quando você diz elas não podem ter qualquer coisa.
–> Não se fazem entender.
–> Batem de formas diferentes, normalmente de forma desordenada, como em jogos. Esta poderá ser a forma da criança reiniciar o jogo com você.

O que acontece é que as pessoas à volta vão começar agir de forma mais eficaz e a “perceber” melhor essa criança quando elas batem. O adulto de repente torna-se mais eficaz ao que a criança pede porque quer evitar que a criança lhe bata. A criança pode começar a pensar – “ok, então a melhor maneira de eu conseguir aquilo que eu quero é bater, aí todos tentarão me entender melhor”.
Ao invés de corresponder ao que a criança quer, este momento é importante não só que você esteja atento e perceba que a criança está usando a energia intensa, mas também ao que VOCÊ saiba o que fará em resposta a isso.

Experimente este exercício:
Responda às seguintes questões quanto à agressão da sua criança quando ela quer alguma coisa ou está com algum problema em comunicar-lhe o que quer.

–> Como reage seu corpo? O seu coração está acelerado? As mãos dela começaram a suar?
–> Como ela se sente? Chateada? Triste? Assustada? Contente?
–> Como se movimenta? Mais depressa? Mais devagar?
–> Dá à criança o objeto ou o que ela lhe pede?
–> Se não percebe o que ela quer, tenta oferecer-lhe diferentes coisas?

Então, comece a observar como os outros familiares interagem com a sua criança, como é que eles respondem quando a criança lhes bate. Pergunte na escola ou onde a criança faz terapia como é que eles respondem quando a criança lhes bate.

Se a sua criança bate para comunicar algo que quer é porque alguém em algum local está respondendo de forma mais eficaz a este tipo de comunicação.

O que fazer?

1. Pense os seguintes pensamentos

–> A minha criança é esperta! Está tentando obter aquilo que quer da forma mais rápida possível.
–> Eu sei o que fazer. Posso ajudar a minha criança movendo-me lentamente e explicando-lhe que eu não consigo percebê-la quando ela me bate.

2. Mova-se lentamente.
Isto é muito importante. Queremos mostrar às crianças que qualquer forma de energia intensa não vai ajudá-las a obterem o que querem mais rapidamente, na verdade, isso fará que as pessoas se tornem mais lentas.

3. Explique
Diga à criança que não entende o que ela quer quando ela lhe bate. Explique também que, mesmo que ela lhe bata, isso não irá mudar a situação e que você não irá fazer/dar-lhe o que ela quer.

4. Saia do caminho e dê-lhe uma alternativa.
Agora que você sabe a razão porque a criança se comporta desta forma, prepare-se. Se a criança quer algo e a resposta é não:

joão bobo

–> Saiba que ela poderá bater-lhe.
–> Saia do caminho, para que ela não o alcance com as mãos, isto lhe dará tempo para se proteger, pegando nas mãos da criança e apertando-as, ou oferecendo outra coisa para ela morder ou bater, tal como uma bola ou um tambor, um joão bobo, etc.
–> Se a sua criança é adulta ou mais alta que você, tenha sempre uma bola de terapia grande ou uma grande almofada disponíveis, para colocar entre você e a criança para se proteger. Acredite que você é forte e guarde isso com toda a sua determinação e não se esqueça.

5. Não dê à criança aquilo que a levou a mordê-lo.
Isto é muito importante! Você quer ajudar a criança a perceber que nenhum tipo de energia intensa irá fazer com que ela tenha o que deseja. É muito importante ensinar isso a criança desde pequena para que seja útil socialmente nos anos seguintes.

Se quer dar à criança aquilo que a levou a mordê-lo, certifique-se que lhe pede para comunicar de uma forma diferente antes de lhe dar. Peça-lhe para apontar ou use uma aproximação da palavra ou a palavra mesmo. Celebre quando a criança corresponder e certifique-a de que está dando o que ela quer apenas porque ela comunicou de forma diferente e não porque lhe bateu.

6. Seja Persistente e Consistente.
Como a criança conseguia o que queria com eficácia quando lhe batia, demorará algum tempo até a criança perceber que essa já não é forma de você responder. Continue a responder da forma como está indicado acima até a criança perceber a ideia. Se demorar mais do que 2 semanas para a criança mudar este comportamento, certifique-se de que está seguindo todos os passos indicados acima. Talvez tenha deixado passar um passo importante! Se não, o mais provável é que alguém, sem ser você, esteja agindo como antigamente. Seja um detetive e descubra quem é essa pessoa.

retirado de: Autism Treatment Center via Vencer Autismo

Leia mais sobre o TPS = Transtorno de Processamento sensorial aqui

Esse blog da terapeuta Johanna Cordeiro Melo Franco tem muito material que vale a pena ler e muitas dicas de atividades sensoriais! Vale o clique.

Adoramos esse assunto e voltaremos a falar sobre ele pois é muito importante trabalhar a sensibilidade e a comunicação dos autistas e pais / terapeutas / professores e isso ajuda na conexão entre eles.