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Nem tudo é comportamento – Birra X Crise

Muitos pais não gostam quando um parente ou um professor (a) os chamam para reclamar do comportamento de seu filho, seja na escola ou em qualquer lugar. O mesmo acontece quando as pessoas dizem que seu filho não tem nada, é apenas mau-educado ou precisa de um corretivo. A frase ” você está procurando pelo em ovo” para a busca de um diagnóstico é um trauma recorrente em muitas famílias que escutam que seu filho apenas não tem limite. Pura falta de empatia! Esses pais e familiares de autistas vivenciam isso o tempo todo e tarefas simples podem parecer um filme de terror dependendo da lua ( e essa expressão aqui nem é mero acaso).

Se as pessoas se sentem mal quando terceiros resumem os comportamentos dos autistas em birras, nunca deveríamos colocar todos esses comportamentos em um mesmo pacote não é mesmo? Castigar alguém por ter dor de cabeça ou desconforto intestinal e não consegue comunicar, tirar oportunidades de pessoas as proibindo de fazer tal atividade apenas porque ela não entendeu ou não está no mesmo ritmo, obrigar uma pessoa a passar por uma situação que ela não quer (como comer algo que ela rejeita) impondo sua vontade, sem pensar que aquela pessoa se conhece bem e sabe seus limites… Ela não está jogando porque nesse momento ela é muito pura pra isso… Nem tudo é jogo, nem tudo é manipulação, nem tudo é para chamar atenção… pode ser uma crise, uma dor, ou uma tentativa de comunicação!

Então esse post tem o objetivo de diferenciar crises de birras e dar dicas de como lidar com ambos.

Crianças são cientistas natas e tudo para ela vira experiências. Ela passa boa parte das horas, em seus primeiros dias de vida, chorando para comunicar sua fome, que acordou ou que está suja. Isso não é birra! Quando crescem, jogam alimentos e objetos no chão para testar o barulho, a profundidade e principalmente, a reação das pessoas… Crescem mais ainda e testam seus limites e o limite do outro e isso não quer dizer medir forças; disputam brinquedos e isso não quer dizer egoísmo; falam “não” para os pais e isso não quer dizer uma afronta. Nem tudo é o que parece!

Birra no dicionário é “ação ou tendência para permanecer e/ou continuar de maneira insistente num mesmo comportamento, opinião, ideia etc; teimosia. Ato ou consequência daquele que contraria alguém por capricho”.

Quando uma criança está cansada, quer obter algo ou não quer fazer algo proposto para aquele momento, quando ela quer chamar atenção, esses comportamentos podem ser, muitas vezes, o que chamamos de birra. Choros incessantes, gritos, pisadas firmes ou empacadas, esperneios deitadas no chão… tudo isso tira um adulto do sério, os tiram de sua agradável sensação de controle e, na maioria das vezes, chamam muita atenção.

Esse tipo de comportamento de “birra” só tem fim de duas maneiras: QUANDO A PESSOA PERCEBE QUE AQUELA COMUNICAÇÃO NÃO VAI FUNCIONAR ou QUANDO A PESSOA OBTÉM O QUE QUER!

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Neste caso, é muito importante lembrar que muitas pessoas e terapias comportamentais enxergam o limite apenas como uma imposição de postura vinda de fora para dentro em que caso o comportamento continue após o aviso (ou ameaça), a consequência será um castigo, uma punição por não se comportar bem. Há também os que sugerem ignorar esse comportamento (o que muitas vezes torna-se impossível no casos dos autistas, já que podem se autoagredir / agredir o próximo ou se tornarem destrutivos, lançando objetos ou estragando coisas) ou o desvio de foco, mudando a atenção da criança autista para uma coisa que ela goste ou propondo um exercício simples para que ao ser realizado, ele ganhe o que quer como prêmio e não porque fez birra, bem focado em conter o comportamento, ao invés de promover a educação e trazer à tona formas melhores de lidar com seus obstáculos.

Não é segredo para ninguém que não gostamos dessas alternativas focadas apenas no comportamento (até porque um autista pode apresentá-lo bem depois, em um momento que pode não ter nenhum link com ele). Preferimos as terapias responsivas e a educação positiva, que também ensina e é a favor do limite, porém esse é feito de uma outra maneira: de dentro para fora e através do modelo e da mudança de comportamento do educador/autoridade AMADA, pais e familiares. Dessa forma a criança aprende a se autoeducar e entende a consequência de fato de seus atos, o que provoca uma real aquisição de uma habilidade emocional de controle, não trazendo raiva gratuita e nem distanciamento do próximo (lembrando que para o autista, como o social é uma barreira, não queremos que essa criança perca a vontade de fazer contato).

A forma que achamos incrível de encarar a birra é a apresentada pelo SonRise e pela educação positiva!

- “Birra” é comunicação: se seu filho/filha está fazendo escândalo para te contar o que ele quer, você deve mostrá-lo/a que essa não é a melhor maneira de se comunicar e para isso a primeira reflexão a ser feita é COMO VOCÊ SE SENTE EM RELAÇÃO À SITUAÇÃO. Quando vemos a pessoa que amamos em uma situação de desconforto, a primeira coisa que passa em nossa cabeça é resolver o problema e então nos tornamos mais rápidos e ágeis passando uma falsa impressão de que aquela comunicação é excelente e tem sucesso. Precisamos pensar que ser formos reativos ao invés de sermos conscientes, a criança nunca perceberá que essa não é a melhor forma de se comunicar pois está obtendo sucesso com essa comunicação. Devemos informar isso com calma para a criança, de que nos entendemos melhor com calma. Veremos mais exemplos a seguir. Encare a “birra” como uma grande oportunidade! Sim uma OPORTUNIDADE de mostrar ao autista que esse comportamento não funciona, é ineficaz, não traz o resultado esperado! Então, ao invés de ignorar, você vai mostrar a sua criança (ou pessoa de qualquer idade) que você não entende quando ela grita ou fala daquela forma. Ao invés de tentar adivinhar o que ela quer, você vai se tornando cada vez mais devagar, menos eficaz. E você pode inclusive comunicar isso a ela: “dessa forma eu não consigo te entender meu amor, procure se acalmar para que eu te ajude!” ou “com gritos, meus ouvidos doem e não entendo o que você diz, você pode me falar com calma e usar sua voz normal?” e a medida que a criança começa a responder essa comunicação, você se torna eficaz, mais rápido e responsivo. Se puder atender o pedido, atenda quando ela estiver calma e se comunicar melhor e se não puder, explique que você entende que ela queria muito aquilo mas que só poderá fazer isso em tal hora ou dê as opções possíveis no momento. Empatia!!!

- Previsibilidade / apertar o botão: Muitas vezes, nossas caras e comportamentos quando estamos bravos são previsíveis e muito interessantes (Quem não imita direitinho as frases que ouvia de sua mãe ou pai quando estava bravo? Eram sempre as mesmas ameaças e falas, hoje se tornaram até memes.) e isso pode ser o que sua criança espera de você pois não sabe como agir, qual o próximo passo (não consegue prever e tem sensação de perda de controle da situação) e quer atrair sua atenção e sabe que ao apertar o botão (fazer o comportamento “inadequado”) vai acontecer algo bem previsível, algo que ela conhece bem, igualzinho quando apertamos o botão e o brinquedo fala a frase que esperamos. Caso haja assim, estará reforçando essa comunicação de resposta rápida a uma ação que você não quer que se repita! Quebrar o ciclo com uma postura de calma e mostrar que aquele comportamento só a atrapalha naquele momento faz com que ela perceba, de dentro para fora, que ela se prejudicou e que aquilo não funciona e é melhor ela arrumar uma nova forma de comunicação. Ex: filho que tira sempre a roupa e recebe como resposta gritos ou atenção da mãe que o coloca sua roupa de volta ou corre atrás dele pelado com a roupa na mão criando uma brincadeira de pique pega – criança não só consegue o que quer como ainda arruma parceiro para brincadeira! Não seria melhor elogiar bastante quando ela está com a roupa e lhe dar bastante atenção nesse momento, compartilhando com ela seus interesses? Ao vê-lo sem roupa perguntar com “cara de paisagem” (pokerface – cara normal, calma) se ele quer ir ao banheiro ou tomar banho e encaminhá-lo ao local onde tiramos a roupa.

- Aqui também vale falar sobre as necessidades básicas da criança: fome, cansaço, sede, se está suja, dentre outras. Esses necessidades devem ser atendidas antes da criança chorar ou fazer escândalo e por isso é necessária a criação de um ritmo diário para que a própria criança saiba como agir quando passar por isso pois ela fará a ligação entre atitudes e seu corpo, o que ela precisa! Faça essas atividades falando como a pessoa se sente ao realizar aquela tarefa: “Estou com fome e vou comer”, “vou me limpar e vai ficar tudo bem”, “estou com sono e preciso dormir”… Falando pelo seu filho/a mesmo, modelando e também sendo modelo nas horas em que você mesmo estiver realizando as ações. Falando bem exagerado (de forma natural mas com emoção) você consegue atrair a atenção e o interesse! Prestar atenção aos sinais dessas necessidades é uma ótima estratégia para identificá-los para sua criança. Ela vai aprender o que sente e como agir! Caso isso aconteça e não tenha sido previsto, explique para sua criança que daquela forma você não entende o que ela quer e espere ela se acalmar para oferecer perguntas que a ajude a identificar o que precisa!

- Seja positivo e modele o que você quer ao invés de ensinar o que não quer: Sempre que um autista tiver um comportamento de agressividade ou um comportamento que não é o esperado, aproveite para mostrar a ele o comportamento esperado, o que é mais adequado para seu objetivo. Ex: quando uma criança der um tapa por não ter conseguido se comunicar ou não ter conseguido o objetivo dela, diga que você gosta de beijos e abraços e carinhos… e mostre como fazer! Se ela rabiscar uma parede, mostre o papel, se subir na mesa, mostre onde ela pode subir! Feito isso, ela vai aprender a tomar suas próprias decisões em seu tempo e verá que a melhor forma de agir é a que as pessoas que ela ama lhe apresentam. Estabelecer uma relação de vínculo afetivo é bem importante aqui pois a criança quer imitar uma pessoa que ela admira e apenas uma pessoa compreensiva e afetiva consegue isso. Muitos terapeutas/profissionais/pais querem mudanças nos autistas que nem eles mesmos realizam e portanto amamos a proposta de sermos modelo do que queremos, sermos inspiradores! Devemos ser modelo de flexibilidade, amor, boa comunicação e calma para que assim, vejamos isso tudo no autista (ou em qualquer pessoa)!

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- Use o diálogo e explicações: seu/sua filho/a/parente deve perceber que o diálogo é precioso e essa é uma excelente oportunidade de você se mostrar amigo/a. Mostrar para seu filho/a que se ele/a apontar ou disser calmamente o que quer, ele/a terá mais sucesso em sua comunicação ao invés de chorar ou gritar, explicar que você está ao lado dele/a e que o/a ama mas que precisa que ele/a entenda que naquela hora o melhor é acatar o seu pedido. Se nada disso funcionar, dizer que mesmo ele/a chorando, não vai conseguir o que quer pois naquela hora aquilo não lhe fará bem e então parta para outra atividade, no mesmo ambiente para que ele/a veja que existem outras alternativas e também para que você observe se ele/ela está em segurança. Você pode ler um livro, arrumar a estante, ou mesmo brincar ali por perto.

- Identifique, o porquê dessas “birras”, se é uma variável ambiental ou motivacional: (exemplo: todas as vezes que ele/a tem que tomar banho ele/a faz birra) para que você possa ir construindo ferramentas de apoio e adaptação do autista para aquela situação. Ex: melhorar o sensorial, construir a flexibilidade, se comunicar melhor, entre outras habilidades que podem ajudá-lo/a a reduzir o stress em muitas situações.

- Crie um ambiente que seja mais controlável para que você reaja à “birra” de maneira amena, lenta e sem resposta. Agir de maneira calma nessa hora pensando em proteger o vaso raríssimo de porcelana chinesa é bem complicado. Pior ainda se houver algo com que o autista possa se machucar. E aqui também vale reduzir o número de coisas para proibir de mexer… isso evita a quantidade de nãos que uma criança pode escutar!

- Não trave batalhas o tempo todo: Será que tudo é inadequado? Será que tudo é arte? Aprenda a se opor em atitudes realmente importantes para que sua relação não se desgaste atoa. Fazer vista grossa de vez em quando é tão saudável… se a criança não está em risco ou não está fazendo algo realmente prejudicial, pondere.

– Por último mas muito importante: Não interprete o que seu filho/a está fazendo nesse momento como algo que tenha a ver contigo. Ele/a não está fazendo isso para te provocar ou para te magoar… ele/a simplesmente busca uma resposta para sua comunicação. Portanto essa dica tem muito a ver com a dica de verificar como você se sente em relação a essa atitude de birra. Pense logo na oportunidade de ensinar ao seu filho/a como agir e como você é parceiro/a dele/a até nas situações difíceis! Então, nada de vingança: essa não é definitivamente a hora de castigá-lo/a ou impor algo a ele/a. É hora de mostrar como agir e que birra não funciona!

Agora vamos falar das crises, também chamadas de Meltdown acontecem na maioria das vezes devido a uma sobrecarga sensorial, emocional e de informação, mudança brusca de rotina ou até mesmo dificuldade em lidar com frustrações e de se comunicar.

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Ela entra em um processo de inundação do cérebro através da entrada sensorial. Cientificamente, ansiedades imediatas ou de curto período são definidas como reações de luta-ou-fuga. Na presença de estímulos ameaçadores, sendo eles reais ou mesmo imaginários, há ativação do sistema nervoso autônomo, mais precisamente o sistema nervoso simpático, responsável pela liberação de substâncias importantes para que o organismo possa escolher entre a luta ou a fuga do estímulo ameaçador. Essa resposta de estresse, aparentemente ruim e temida pelas pessoas, é responsável pela manutenção da vida e é extremamente essencial ao nosso organismo porém, pessoas com síndrome do pânico, crise de ansiedade e autistas podem acessar esse mecanismo no dia a dia em situações com muita carga emocional, psíquica e sensorial. Ela provoca muitas reações no corpo da pessoa tais como frequência cardíaca acelerada, pressão arterial aumentada e frequência respiratória acelerada. Após a ameaça desaparecer, leva entre 20 a 60 minutos para o corpo a voltar aos seus níveis normais. Ou seja só há duas formas dessa crise chegar ao final: uma delas é a fadiga total da pessoa e a outra e bem melhor é a redução de entrada dos estímulos, retirando seu filho/a do ambiente e levando-o/a para um local mais silencioso e ficando ao lado dele/a, transmitindo lhe segurança e conforto, sem falar muito pois o objetivo é silenciar as entradas sensoriais.

Vamos aprofundar mais então nos motivos que são as principais causas das crises

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– Super-estimulação e sobrecarga sensorial: as crianças autistas são mais propensas do que outras crianças a terem transtorno de integração sensorial,o que aumentam a sua sensibilidade à luz, barulho, cheiro ou certas texturas. Supermercados, escolas, parques, shoppings, ou seja, ambientes com muitas pessoas podem oferecer uma sobrecarga ao autista e por isso é sempre bom ter em mente que as idas a esses lugares devem respeitar uma adaptação, sem traumas e pessoas que forcem o autista a ultrapassar seu limite sem estar preparado. Quando for em festas de família, procure sempre criar um espaço aconchegante (ninho) para seu filho/a fazer pausas e tente fazer essa proposta na escola para que criem esse espaço na sala e disponibilizem saídas durante a aula, com objetivos específicos para que ele/a retorne. Uso de tampões de ouvido, carregar bolinhas para apertar ou garrafinhas sensoriais, mordedores (hoje existem opções de colares que são bem aceitos socialmente), roupas mais apertadas para quem precisa de sentir mais seu próprio corpo, dentre outras podem ajudar. Os autistas que tem problemas sensoriais devem procurar um/a Terapeuta Ocupacional para ajudá-los a lidar com esses estímulos e devem pesquisar sobre a dieta sem gluten e sem leite pois essas proteínas mal digeridas podem causar desequilíbrio sensorial. No momento de crise, apenas fique ao lado da criança, reduza os estímulos e não fale muito. Use sua voz calma e espere pois vai passar. O ideal aqui é ir mapeando os sinais que sua criança/adolescente/adulto dá antes de ter uma crise (se ele balança as mãos, se isola, se começa a ficar inquieto ou dar gritinhos, cada um tem o seu, é bem particular) e assim, já perguntar se está tudo bem, se gostaria de dar uma volta ou ir para um ambiente mais calmo.

– Mudança da rotina: como autistas tem dificuldades de previsibilidade (por isso amam desenhos repetitivos como Peppa Pig e séries repetitivas como Chaves) lidar com mudanças repentinas pode gerar muita frustração e provocar um pânico por não saber como lidar com a situação. Autistas precisam de controle, de saber o próximo passo! Como o melhor tratamento para uma crise é a prevenção dela, aqui cabe falar da importância de criar um ritmo para a casa (e não uma rotina pois rotina enrijece, endurece a pessoa, tira flexibilidade e o ritmo cadencia as atividades mas elas podem variar dependendo dos acontecimentos ou circunstâncias), para os dias da semana, para o dia a dia e ampliando isso, para as estações do ano, entre outras! Dá pra criar várias estratégias para que isso não se torne uma obrigação e sim uma vivência gostosa da disciplina vinda de dentro para fora (autoeducação). Exemplo: chegada da escola, preparo da mesa com música lúdica cantada (só os pais podem cantar a princípio e crianças vão aprendendo), depois do jantar pode-se criar uma brincadeira para ir para o banho e criar um momento gostoso com musicas no banheiro, brincadeira e depois o colocar o pijama, que é uma roupa especial para a historinha na cama… criar um clima, acender uma vela, contar a história, fechar o olhinho, fazer a oração e dormir… Músicas são ótimas para marcar transição! E ao invés de dar ordens diretas, criar mecanismos que estimulem a pessoa fazer a atividade: “Quem vai chegar primeiro no banheiroooo?” E assim, tudo vai se tornando leve e brincante! Caso aconteça uma mudança repentina de um professor faltar e não ter a aula que a criança mais gosta ou o tempo fechar e não der pra ir no clube, tente ser empático/a e entender que sua criança pode ficar muito triste e até raivosa e agressiva mas não é nada pessoal, é só ela tentando digerir o acontecido, que seus planos não deram certo. O melhor a fazer é dizer que entende que ela está chateada mas que vocês podem fazer outra coisa assim que ela se acalmar e que semana que vem ou na próxima oportunidade tudo volta ao normal.

– Dificuldades para lidar com frustração: autistas detestam errar e por isso é muito importante valorizar o processo de tudo que ele faz e ter, nas atividades, pequenas metas que vão sendo alcançadas até que o resultado maior seja atingido. Valorizar o esforço e não somente o resultado final e fazer elogios bem descritivos para que ele perceba onde está acertando. Trabalhar a persistência como um ato de coragem e valorizar bastante isso mostrando que até adultos erram e grandes campeões se esforçaram bastante para chegar até ali. Gostamos de trabalhar com as frustrações, e aproveitá-las para mostrar que as dificuldades nos fortalecem! Não curtimos terapias que não lidam com erros como forma de evitar crises ou problemas pois mostrar que errar não é o fim do mundo é fundamental para que o autista se torne flexível.

– Dificuldades de comunicação: As dificuldades na comunicação podem ser reduzidas à medida que são trabalhadas as nomeações de sentimentos (você está feliz porque ganhou um presente, você está bravo pois gostaria de comer mais doces e não pode, você está triste porque seu pai viajou), com a valorização das tentativas de comunicação sempre elogiando o esforço e a medida que o adulto não responde essa crise tentando adivinhar o que a criança quer nesse momento e sim espere ela se acalmar para mostrar que a melhor comunicação não é dessa forma. Mostrar que quando ela aponta, te leva ao local ou objeto e se esforça para dizer também é muito válido. Não devemos ficar forçando para que ela fale corretamente ou ignorando essas tentativas fingindo que não entendeu: ao menor sinal de comunicação, valorize! Comemore o apontar e aproveite para nomear o objeto, comemore o olhar e agradeça, vibre com um som e diga que entendeu que ele falou “bo” para bola e mesmo se o som não tiver nada a ver, aproveite: “você falou “iiii” para água”!

Então é muito importante identificar se o comportamento que o autista está apresentando é birra ou crise para você saber como agir para ajudá-lo!

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Mas uma coisa é certa, tem coisas que você pode fazer que vale pra qualquer reação de seu/sua filho/a e para melhorar a qualidade de vida da família toda:

- Elogie seu filho/a por se acalmar e sempre que estiver fazendo o que se espera. Um simples olhar (que para eles pode ser um esforço enorme) deve ser agradecido, elogiado, comemorado! O que para você é uma obrigação, para ele/a é um esforço que deve ser reconhecido. Elogiar a calma, como ele está sendo amigo, como está fazendo a tarefa bem, a concentração, etc. E muito importante: não banalize o elogio e o torne automático! Seja genuíno e descreva bem o que está elogiando, elogie de muitas formas, comemore… eles conseguem ler corações (não é Elaine?)

- Reconheça os sentimentos do seu filho. Você pode dizer algo como, “Eu sei que você estava chateado porque queria muito passar dessa fase no videogueime” ou “você está bravo porque seu pai está viajando mas ele vai voltar”.

- Punir ou zombar de uma criança que tem uma birra ou crise só torna o momento pior e é injusto quando aplicado em qualquer uma dessas situações. Usar palavras como garoto mau ou menina impossível dentre outras é muito prejudicial e causa uma berreira social, de confiança e emocional.

- Ensinar outras maneiras de lidar com a raiva e frustração. Por exemplo, incentive seu filho a usar palavras para expressar seus sentimentos, ensiná-lo a respirar profundamente, a encontrar um local calmo para vencer esse momento, a anotar suas angústias, dentre outras formas de se conhecer e lidar com o momento.

- Seja um bom modelo. As crianças aprendem assistindo seus pais/parentes/professores/terapeutas, assim deixe que sua criança veja que você pode segurar suas próprias emoções fortes calmamente. Tudo que queremos do próximo, devemos nos esforçar para conquistar também!

- Caso a criança se auto agrida ou agrida o próximo, você não deve deixar que isso aconteça. É o único caso de intervenção. Não se desespere, continue calma e proteja sua criança com travesseiros em volta, tirando tudo o que pode machucá-la do ambiente e se for necessário, a abrace para que ela entenda que você quer protegê-la.

Para finalizar, não poderíamos deixar de dizer que há também comportamentos vindos de um corpo desorganizado e segundo o ARI 85% dos autistas tem problemas intestinais. Além das alergias como comorbidade (condições que acontecem junto com a síndrome), um autista pode ter vermes, fungos, parasitas em geral, pode estar com metais pesados em excesso no corpo por não conseguir eliminar e intoxicam o cérebro, ter uma carga viral enorme sem nunca ter desenvolvido aquela doença e ter apenas vacinado dela, entre outras coisas. Então, a brincadeira dizendo que o comportamento do autista muda de acordo com a lua é uma brincadeira séria pois muitos pais notam os autistas mais agitados nas luas nova e cheia, principalmente nesta última e isso tem muita relação com os vermes. Além dos autistas terem essas comorbidades que causam desconforto eles ainda podem apresentar comportamentos “autísticos” devido a falta de vitaminas e sais minerais no corpo como por exemplo obsessão e compulsão pode ser falta de magnésio, omega 3 pode melhorar a fala, dentre outros protocolos. Recomendamos muito o tratamento do organismo como um todo para o autismo, não só do cérebro com remédios que são receitados para interromper sintomas (muitos são passados sem a causa ter sido investigada)… Para nós, a maioria dos comportamentos tem origem em desorganização orgânica! Fica a reflexão para que médicos, profissionais e todas as pessoas ampliem essa visão.

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Fontes:

Vencer Autismo
Understood
WebMd
Autism Awareness Centre
UFF
Clique e Aprenda
Vladman

A importância de saber lidar com a frustração

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A vontade de escrever esse post surgiu de mostrar a importância de ensinar os autistas a saber lidar com suas frustrações/ dificuldades. Utilizamos a forma lúdico/responsiva com Luiz Júnior, mesmo antes de conhecer o son rise. Somos a favor do encorajamento de tentar até conseguir o objetivo e de fortalecer a auto estima para que ele acredite no potencial dele. Lu está invocado com edição. Ele sempre gostou do canal globo mas agora ele expandiu seu interesse para além do visual e da pesquisa sobre vinhetas e logomarcas de afiliadas, agora ele quer produzir suas vinhetas. Baixamos alguns aplicativos sobre edição no ipad e ele foi querendo mais e mais… até conversamos com amigas sobre o tema (Valeu, Lulu) e conseguimos outros programas com mais efeitos… E ele quer mais ainda. Outro dia queria fazer um movimento que não conseguíamos. Mostramos o movimento que ele queria em quadros (pois os vídeos são feitos de fárias fotos em sequência) utilizando o corel (programa de design) e depois colocamos as inúmeras imagens no movie maker (programa bem básico de edição do windows) mas não ficou perfeito… e então falamos que não conseguíamos mas que íamos ver se algum editor nos ajudaria. Ele fez 81 vídeos até ficar como ele queria… e ficou PERFEITO… ficamos emocionadas… não com o movimento perfeito mas com a PERSISTÊNCIA dele. E ele só chegou lá porque NUNCA deixamos de conversar ou nos interessar pelo que ele gosta. Sempre colocamos os projetos dele em prática com entusiasmo! E nunca elogiamos apenas o resultado final… elogiamos cada passo dado, elogiamos sua coragem, elogiamos quando ele busca outra solução e assim ele se sente motivado.

Perder no jogo, tirar nota baixa na escola, não ter o brinquedo que quer. Frustração é um sentimento, uma emoção que ocorre quando algo que era esperado não ocorreu. A decepção faz parte da vida das crianças e tem papel importante no desenvolvimento. É difícil para os pais, professores, amigos e parentes verem as crianças sofrerem, mas é preciso ter em mente que ela vai passar por essas situações em diversos momentos da vida e que elas serão importantes para que a criança amadureça e se torne mais forte.

Os autistas (e pessoas típicas) estão cada vez menos sabendo lidar com esse sentimento. Uma das possíveis influências para esse comportamento, cada vez mais frequente, é o imediatismo do mundo atual. Hoje temos acesso à informação, a alimentação, entretenimento de forma muito rápida e fácil (as brincadeiras estão cada vez mais virtuais e direcionadas), a maioria das escolas é comportamentalista (ou a criança ganha certo ou errado, o processo quase nunca é valorizado), e ainda existem terapias com aprendizagem sem erro em que a criança acerta sempre e ganha um reforço depois disso. Vamos comentar esses desses itens abaixo.

A importância da valorização do processo:

A maioria das crianças e jovens hoje não participam de nenhum processo de feitio de nada, ganham ou compram tudo pronto. E não conseguem esperar por nada sem reclamar ou ficar irritado/agressivo. Antigamente víamos nossos familiares prepararem nossa comida, víamos uma roupinha de boneca ser costurada, um boneco ser feito, uma tábua virar escorregador, caixotes virarem fogõezinhos, pedaços de pau se transformavam em espadas, etc.

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O trecho acima é do texto No mundo dos processados, a criança não aprende o que é o processo, que vale a pena ser lido na íntegra. Os processos foram abolidos até da escola por acharem ser “perda de tempo” ou por ter que cumprir uma grade curricular extensa. Falamos isso porque damos aula particular e ficamos todos os dias no contra-turno com nosso irmão, fazendo deveres, ensinando a matéria, pesquisando, estudando para provas. Os professores raramente fazem experiências. Lu teve que decorar se uma mistura é bifásica ou trifásica em química, o que é lipídeo, carboidrato ou proteína em biologia, o que é movimento retilíneo uniforme em física, tipos de gêneros literários e por aí vai… o famoso “cuspe e giz”. Os professores precisam aprender que saber “de cor” é saber de coração… como guardar uma matéria se ela é dada apenas na teoria? Para os autistas isso ainda fica pior porque eles precisam de material concreto para aprender.

Comportamentalismo/diretividade x construtivismo/responsividade

Antes da descrição desse ítem, vale muito a pena ler o nosso post Recompensa não compensa. Adoramos os métodos responsivos e somos apaixonadas na educação para a liberdade.

A responsividade e não é desleixo ou ausência de limites. Os terapeutas/professores não fogem de suas obrigações e sim realizam de uma forma mais apropriada aquilo que a palavra “educar” significa: conduzir a partir do interior. E isso exige PRESENÇA profunda (observação e atenção) e constante. Para ajudar o aluno/paciente a pensar e saber decidir é preciso estar próximo dele, percebê-lo, situá-lo em seu contexto, questioná-lo quanto ao que está pensando e sentindo, permitindo-lhe, assim, que descubra quais são os múltiplos fatores que o estão condicionando. Agir não-diretivamente é interessar-se pelo que de melhor existe, é tratá-lo como indivíduo, como uma forma de querê-lo bem em sua integralidade, de reconhecê-lo em seus lados fortes e ajudá-lo a lidar com suas fraquezas.

O construtivismo (Jean Piaget e Vygotsk) propõe que o aluno participe ativamente do próprio aprendizado, mediante a experimentação, a pesquisa em grupo, o estimulo a dúvida e o desenvolvimento do raciocínio, entre outros procedimentos. A partir de sua ação, vai estabelecendo as propriedades dos objetos e construindo as características do mundo.

O método enfatiza a importância do erro não como um tropeço, mas como um trampolim na rota da aprendizagem. A teoria condena a rigidez nos procedimentos de ensino, as avaliações padronizadas e a utilização de material didático demasiadamente estranho ao universo pessoal do aluno.

As disciplinas estão voltadas para a reflexão e auto-avaliação, portanto a escola não é considerada rígida.

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Comportamentalismo (Ler: John B. Watson, B. F. Skinner, Lovaas e outros) remete a uma alteração do comportamento dos elementos envolvidos no processo de aquisição de conhecimento, sendo que essa mudança poderia melhorar a aprendizagem. “Transformar” e “moldar” o comportamento para que ela se encaixe nos padrões aceitos. É diretivo e trabalha com reforço e punição. É método mais utilizado (infelizmente) nas escolas.

O método enxerga o comportamento (esteriotipia, agressividade, negação, etc) APENAS como uma forma de conduta e ignora que seja uma forma de comunicação, principalmente dos autistas não verbais, do que está ocorrendo internamente ou externamente com o paciente/aluno.

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Esta corrente não aceita qualquer relação com o transcendental, com a introspecção e aspectos filosóficos (o indivíduo ao nascer é uma folha em branco), ou seja, critica a homeopatia, florais de bach, e como é baseado em registros/ciência, é contra os protocolos biomédicos e dietas (mesmo que estes sejam amparados por muitos estudos científicos), acreditando que o paciente/alunos só evolui através da modelação do indivíduo e com alopatia.

Diretividade: O ensino é centrado no professor/terapeuta – ele é quem elabora os programas, tendo como referência o grau de complexidade das matérias e a sua responsabilidade de professor/terapeuta. Além disso, dá-se ênfase na utilização de métodos/ técnicas/ estratégias de ensino para atingir altos níveis de desempenho. O professor acredita na transferência do conhecimento.

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É um erro não usar erros como parte do processo de aprendizagem

O problema para os estudantes não é que eles cometem erros e sim que estes erros não são usados para promover a aprendizagem. Estudantes têm medo de arriscar porque o medo de passar vergonha perante a turma é grande. Sendo assim, todos ficam calados ou em suas zonas de conforto.

Isso é preocupante na escola e em terapias muito usadas com autistas em que o paciente é premiado só no acerto… seu processo em terapia comportamental quase nunca é valorizado e através de dicas ele só pode chegar no certo. Se a criança criar algo, ou não gostar da atividade, ele é “punido”, aprendendo a aniquilar a sua individualidade e a obedecer o profissional. É nítido que os pacientes fazem tudo para ficar livre das atividades. A única coisa que é prazeroso pra ele é o reforçador, então o paciente ainda aprende a associar que sempre que ele tiver sucesso ele pode se recompensar com algo. Um dos maiores problemas dos autistas é inflexibilidade, não saber lidar com a frustração. Esse tipo de terapia reforça isso pois na terapia ele não erra mas fora de lá sim. Também não há um modelo de flexibilidade de um professor/terapeuta.

Errar é humano, é natural, faz parte da vida. E pode ser usado para o crescimento, para a evolução e para a colaboração. Desde que conduzido de forma construtiva e criativa. O erro pode ser colaborativo. O acerto também.

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Fontes:

Comunicando Psicologia
Brasil Escola
Educar para crescer
Portal Administração
Pedagogia
Welington Barcelos
Significados
Educação e Temporaneidade
É um erro não usar erros como parte do processo
Rescola

Recompensa não compensa!

*** Esse post é polêmico e se você não concorda com o conteúdo, apenas feche a página. Não temos o objetivo de convencer ninguém!***

Esse post tem a ver com autismo mas tem a ver também com educação! Sempre curtimos a educação responsiva, positivista e isso não é segredo pra ninguém. Somos SonRise Team antes de saber que o SonRise existia pois esse modo de ser positivas, empolgadas e incentivadoras das pessoas sempre esteve em nós. Somos entusiastas do Lu e vibramos com cada conquista que ele tem e aproveitamos o dia a dia dele, e suas tarefas para mostrá-lo como é importante persistir quando ele não consegue de primeira vez, como é importante ser corajoso para tentar e através do nosso exemplo, vibrando com os interesses dele, o inspiramos a também pensar em ouvir o coletivo, respeitando o próximo e querendo contribuir com a felicidade de todos. Nunca fomos a favor de “comprar” o Lu com recompensas. E o post de hoje é sobre isso pois anda circulando na net um bilhete de um pai que cortou a internet da filha e deixou muita gente empolgada…

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Porque as pessoas empolgam com esse tipo de estratégia? Primeiro porque somos criados em um mundo totalmente comportamental e massificado onde aprendemos que quem não se encaixa em um padrão merece um castigo e devemos apenas cumprir com nossas obrigações para ganharmos uma recompensa! Desde pequenos somos avaliados e temos que cumprir a nota média na escola, quando crescemos trabalhamos para ganhar dinheiro, a maioria dos empresários investem suas cotas de patrocínio pensando em retorno financeiro (poderiam pensam em ajudar a comunidade em que estão inseridos né?), pessoas fazem exercícios para ter um corpo bonito (encaixar no padrão da mídia), comem para compensar um dia estressante, etc… Ao longo de décadas esse pensamento nos acompanha e isso é uma vantagem enorme para a mídia que quer manipular a massa (todos iguais, quem discorda tá fora de moda, é louco ou “alternativo”…) e falar o que devemos ter para nos sentirmos incluídos.

Bom, vamos ao bilhete, que dá uma sensação de alívio aos pais que ACHAM que estão controlando seus filhos… falsa sensação de controle… uma fantasia!!! A primeira coisa que pensamos quando vimos a imagem: esse pai está tirando a menina de casa pois hoje tem internet em tudo quanto é lugar! E a segunda coisa que pensamos é:

Será que esse pai alguma vez na vida arrumou o quarto dele com prazer na frente de sua filha? Será que ele já lavou a louça em casa algum dia? Será que ele é um exemplo do ser humano que ele gostaria que a filha fosse? Será que se a filha ficar sem internet em casa ela pode deixar o quarto bagunçado e a louça acumulada? Essa realmente é uma troca boa?

Esse tipo de forma de disciplinar, além de revoltar algumas crianças que se sentem obrigadas a realizar uma tarefa apenas para atender uma expectativa do próximo pode trazer muitos outras falsas sensações e aprendizados perigosos que propiciam a falta de ética. Quer ver um exemplo?

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Nessa tabela as crianças recebem a mesada completa caso se comportassem bem e a cada “deslize” seria descontado um valor do pagamento. Essa “técnica” também viralizou na internet pois a sensação de controle dos pais vem a tona… Mas é claro que essa sensação não é verdadeira pois há mil e uma maneiras de burlar essas regras! A criança primeiramente, caso a ideia seja efetiva, fará o que deveria ser feito pelo simples fato de ser bom pra ela, para receber sua mesada integralmente. Ou seja, pelo dinheiro. O dinheiro é patrão dela e referência de sucesso… ela se tornará materialista e achará que o dinheiro é mais importante que tudo! Caso ela ache que vale a pena faltar a aula e pagar um real, ela estará em seu total direito… e ela aprenderá também que ir à aula é mais importante (dá mais dinheiro) que escovar os dentes ou guardar os brinquedos! Baseado em que o pai escolheu esses valores???

Então agora vamos entrar na questão do uso de reforçadores, bastante usada em algumas terapias para autistas (e crianças típicas também). Vamos por enquanto deixar de lado os reforçadores como guloseimas ou qualquer tipo de comida pois esse é um problema muito maior do que pensamos e caso abordemos esse tema no blog, ele merecece um post exclusivo.

Em muitas terapias, o uso do reforço é recorrente e por isso eles mesmos utilizam o termo “treinamento” para definir o que fazem pois o aprendizado é tido através da repetição e da recompensa para as respostas corretas que o paciente tiver, independente de seu entendimento da importância daquilo para sua vida ou para o coletivo. O que procura-se obter nessa terapia é um resultado satisfatório para o exercício. Esse resultado nada tem a ver com a pessoa fazer aquilo porque quer ou porque entendeu a importância daquilo mas sim dela cumprir com o que é esperado dela ou melhor, de ela cumprir com sua obrigação. Esses tipos de terapias ignoram a origem de um comportamento de negação ou de uma forma diferente de fazer do paciente pois elas se atém exclusivamente na intervenção do comportamento errado ou inadequado (aqui podemos ler comportamento não esperado pelo terapeuta), a fim de modificá-los, ou seja, eliminar esses comportamentos indesejáveis (palavra correta pois o desejo parte apenas do terapeuta) e da instalação (na linguagem da análise do comportamento) de novos comportamentos que não fazem parte do repertório do indivíduo para aumentar a frequência de comportamentos desejáveis que já fazem parte de seu repertório. Treinamento é a palavra mais correta mesmo para esse “ganho” pois o paciente deve se encaixar ali, como uma máquina em que você aperta o botão e ela realiza o processo (para não fazer outras comparações mais polêmicas!) Inclusive já até escutamos em uma palestra sobre um método comportamental uma terapeuta explicar sobre o espectro autista usando termos como “autistas mais estragadinhos” e “autistas menos estragadinhos” e falando que o método ia modificando e consertando aquela pessoa… mas o pior não eram esses termos e sim que ver que o exemplo de ser humano perfeito na linha dos níveis de autistas era a foto dela.

Não há empatia nenhuma durante esse processo pois a única necessidade atendida é a do terapeuta e o objetivo maior é o alívio dos familiares.

Esse vídeo mostra claramente como somos ensinados a encaixar em padrões e a esperar por recompensas quando fazemos algo. Quando alguma mãe reclama de seu filho autista por exemplo ela quase tem que pedir desculpas por estar frustrada ou cansada já que o comportamento esperado dela é que ela tenha sucesso em seus afazeres e não cause problemas a ninguém pois assim estaria saindo fora do padrão. As terapias comportamentais consideram que os sentimentos são aprendidos e que são correlatos aos comportamentos observáveis, não sua causa… então todos nós aprendemos que devemos melhorar o ambiente a volta dos que estão com problemas para resolver aquilo pois assim a pessoa volta a funcionar corretamente. Não devemos reforçar aquele sofrimento ou aquele comportamento inadequado… Então como a maioria reage a um problema do próximo? Oferecendo um sanduíche, uma xícara de chá ou soluções imediatistas que façam com que a pessoa apenas pare de reclamar! Fomos ensinados culturalmente a encaixar em padrões (não podemos nos surpreender dessa forma que o machismo e outras culturas preconcietuosas existam pois desconstruir é complicado já que esses comportamentos foram reforçados durante décadas… e quem pensa nisso é porque teve uma educação libertadora! Diferente dessa que o comportamental propõe)

Esse ensinamento é aplaudido por muitas pessoas pois ele traz resultados rápidos já que ao fazer o esperado o paciente pode brincar com o que mais gosta ou pode ter uns minutos de prazer e assim ele vai aprendendo a agradar as pessoas (um perigo por sinal pois se torna uma presa fácil para manipulações já que ele se acostuma a não considerar suas vontades).

Qual a diferença dessa tabela feita pelo pai de crianças típicas para as tabelas da Super Nanny, muito utilizadas por familiares de autistas, com o uso de estrelas para conseguir o que se quer? Nenhuma! As crianças farão suas responsabilidades apenas para ganhar seus prêmios e notarão como é fácil assumir o controle disso tudo!

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Ser aplaudido apenas nos momentos que acertamos ou cumprimos com o que é esperado, gera uma vontade muito grande de ficar na zona de conforto ou uma sensação de que não sou amado quando “erro”, tenho algum problema ou não ajo conforme o esperado. Para continuar ganhando o que quero eu fico dentro do que sei fazer bem, ignorando o fato de que posso ir além, de que posso colaborar mais se tentar algo inovador.

Dra. Dweck realizou uma série de quatro testes com 400 alunos da 5ª série de uma escola de New York. O primeiro teste era um quebra-cabeças extremamente simples para crianças dessa idade. Como era esperado, todas as crianças conseguiam realizá-lo facilmente. Nenhuma surpresa até aqui…

Mas é aí que começa a parte interessante da pesquisa. Cada vez que uma criança completava o teste, a pesquisadora lhe informava a sua nota e fazia um curto elogio. Metade das crianças eram elogiadas pela sua inteligência: “Uau, você deve ser muito esperto!”. Já a outra metade era elogiada pelo seu esforço: “Uau, você deve ter se esforçado muito!”

Logo na segunda tarefa, as diferentes consequências desses dois tipos de elogios começavam a aparecer. Agora, a pesquisadora perguntava se a criança desejava um teste do mesmo nível do primeiro ou se preferia algo um pouco mais difícil e desafiador. Adivinhou? As crianças “inteligentes”, evitando colocar sua imagem em risco, preferiam o teste mais simples, enquanto as crianças “esforçadas” pediam o teste mais difícil.

Na terceira etapa, a coisa se complicava. Todas as crianças receberam outro quebra-cabeças, dessa vez bastante complexo, projetado para crianças dois anos mais velhas. Inevitavelmente, todas falhavam. Entretanto, a atitude frente ao fracasso também foi significativamente diferente entre os dois grupos. Os “esforçados” persistiram por muito mais tempo, assumiram a responsabilidade pela falha e muitos (mesmo sem a pesquisadora perguntar) afirmaram que esse foi seu teste favorito. Já os “inteligentes” desistiam mais rapidamente. Além disso, assumiam a falha como uma prova de que na verdade não eram inteligentes como haviam sido levados a crer. Ou seja, o primeiro fracasso foi suficiente para fazer sua auto-estima despencar. “Bastava observá-los para ver a tensão.” descreveu a Dra. Dweck, “Eles estavam suando e se sentindo miseráveis”.

Alguns terapeutas comportamentais ignoram os comportamentos “inadequados” desviando a atenção da criança para uma ação dentro de sua zona de conforto para que ela receba um elogio no momento, reforçando assim uma ação “adequada” e elas também não trabalham com erros (antecipando a ação com a resposta certa ou dando dicas). Esse bater palmas e elogiar apenas o comportamento positivo traz, além de um reforço forçado (pois as comemorações vão ficando automáticas e assim vão perdendo forças), uma necessidade muito grande de reconhecimento. Isso não acontece apenas com autistas que passam por esse tipo de terapia mas com todos nós pois vivemos em uma cultura comportamental e massificada (pela TV, pela escola, pelos nossos familiares, etc)… Acham que as redes sociais fazem esse sucesso todo por que? Achamos até engraçado pois muitas pessoas que amam as terapias comportamentais reclamam que na internet são compartilhadas apenas as coisas bonitas e alegres… por que será? Será realmente que o mundo nos deixa a vontade para ser quem somos? De onde vem tanta necessidade de curtidas e aplausos?

Ao comemorarmos as conquistas de forma genuína, realmente interessados naquela aprendizagem, mostramos à pessoa que realmente nos importamos com aquele sucesso e que sabemos que ele veio através do esforço pois participamos ativamente do processo de conquista. Realmente nos colocamos no lugar daquela pessoa e valorizamos o caminho seguido. Então, encorajar as pessoas a tentarem, mesmo tendo dificuldades, faz com que elas acreditem que são capazes e muito mais do que isso, são amadas em todos os momentos. Não há porque esconder um erro ou porque fazer uma coisa que não se quer apenas porque tem que ser feito, porque é esperado.

A criança educada na responsividade e na educação positiva sabe que é apoiada em todos os momentos e que tentar e persistir é muito mais importante que acertar e que falhar não é o fim do mundo, está tudo bem, sem problemas! Seus pais e terapeutas a respeitam e estão ali ao lado independente de qualquer coisa e mais do que isso, eles também falham e pedem desculpas caso isso aconteça! Nessa forma de educar, as comemorações acontecem não só ao final do processo: há os elogios a coragem de tentar e persistir e há os elogios descritivos ao final do processo (falando o que está percebendo para mostrar que realmente está envolvido: Ex – “Uau, eu entendi, você falou aua para água!” ao invés de ficar repetindo apalavra água enquanto nitidamente a criança se esforça para falar água / Ex2: “uau, vejo que se esforçou fazendo seu desenho, com árvores grandes e uma casa colorida! Ficou bem desenhado! O que podemos colocar no céu para aquecer e iluminar a paisagem?”; ao invés de “falta alguma coisa no céu desse desenho… melhore e traga para eu ver”).

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Essas comemorações melhoram a relação entre as pessoas e no caso de autistas, evitam isolamentos (autistas se isolam por medo de errar ou se frustar ou frustrar o outro e por isso mesmo isso deve ser desmistificado para ele) e ensinam o autista se controlar emocionalmente, já que percebem que errar é natural e que todos a sua volta passam por processos de tentativas e chegam ao resultado desejado após persistirem, se dedicaram bastante com pesquisas, estudos e experimentos.

Os pais precisam entender com urgência que uma birra ou uma negação não é uma atitude pessoal, que acontece como uma forma do filho mostrar quem manda ou para controlar os pais. Um filho pode se negar a fazer algo simplesmente para se sentir diferente dos pais (isso acontece em uma pessoa típica por volta dos 3 anos de idade, quando ele descobre que é um indivíduo que pode fazer coisas diferentes das que os cuidadores fazem), por estarem cansados, por se sentirem com medo ou ameaçados, sem saber o que fazer ou sem saber como comunicar todas essas hipóteses (aqui se encaixam bebês típicos e autistas, principalmente os não verbais) ou seja, seus sentimentos. Já ouvimos dezenas de relatos de autistas “mau comportados” que tinham problemas dentários, nos rins, intestino entre outros.

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Ao ignorarmos essa comunicação, seja ela vinda de uma criança autista ou de uma criança típica, ignoramos seus sentimentos, não a ajudamos a lidar com seus problemas e não somos empáticos, resolvendo apenas nosso problema (acabar com a birra). Ao revidarmos, caímos na tentadora armadilha de disputa de controle (em que perderemos a guerra pois eles tem muito mais energia que nós, por serem mais novos ou no caso de autistas, nem precisamos explicar… a maioria é ligada no 220 e não desiste fácil!) ou, no pior dos casos, nossa tendência é impor e mostrar quem manda, ensinando que o mais forte sempre vence (essa criança vai crescer tá bom?) e que poder tem a ver com imposição e não com flexibilidade (qualidade que precisa ser trabalhada e precisamos dar o exemplo né? Se não, seremos contraditórios).

Deu pra perceber que somos totalmente contra castigos ou punições né? Assunto para um próximo post pois isso dá pano pra manga! Em caso de autistas, principalmente não verbais, queremos deixar bem escrito aqui que as “birras” podem ser desconfortos biológicos (mais de 85% dos autistas tem como comorbidade o intestino permeável e as alergias, que causam dores, irritabilidade e confusão) e ficar de castigo, apanhar ou ser ignorado por sentir dor é uma injustiça muito grande.

Bom, para finalizar esse post, que é um alerta a favor da educação da liberdade, propomos algumas perguntas para o leitor:

- Você alguma vez já se perguntou: “o que eu ganho com isso?” ao ouvir uma proposta?
- Você alguma vez achou ruim de seu marido te jogar na cara que ele põe tudo em casa então ele quer que você não reclame de nada pois você tem empregadas, um cartão de crédito ou um carro e que sua obrigação é cuidar da casa?
- Alguma vez você ouviu de um chefe que você não é paga pra pensar e sim para fazer?
- Alguma vez você teve seu pagamento descontado por faltar o trabalho, mesmo apresentando uma justificativa plausível?
- Você já fez as contas de quantos pontos precisava pra passar de ano e nem se importou para o conteúdo da escola pois o importante era ser mediano?
- Alguma vez você achou que ser chamado de esforçado ao invés de inteligente era um xingamento?
- Você já pensou em fugir de casa por medo de seus pais ou até em se matar para não enfrentar um castigo?

E a última pergunta do post é? O que você espera da educação de seu filho autista? Se você responder que quer que ele tenha autonomia, valores humanos e seja uma boa pessoa, repense nesse sistema de recompensas! Esse sistema cria pessoas egoístas que só fazem o que tem que fazer se houver vantagens. É prazeroso estar ao seu lado? É gostoso dividir tarefas com você? Você é um exemplo do que quer que seu filho seja? Essas perguntas sempre devem ser feitas! Autistas muitas das vezes são exigidos de coisas que nem um adulto típico realiza.

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Qual a alternativa para abrir mãos do sistema comportamental? Educação positivista, responsiva, respeitando os valores e o ser individual que cada um de nós somos. Nós adoramos o modo como o programa SonRise educa, adoramos ter conhecimento da Comunicação Não Violenta e de como ela trabalha nosso olhar para nossas necessidades e para as necessidades dos outros e conhecemos há 3 anos a Antroposofia e educação do espírito. Indicações de caminhos para um pensar mais livre!

Fontes:

Imagens:
iceberg
Foto família
Tabela de Incentivo
Bilhete Pai
Tabela Mesada

Texto:
A Arte de Educar
Sandra Coordenadora
Gestão Escolar
Rescola <— Clique nesse link para ver um vídeo em inglês da experiência da Dra. Dweck

Características associadas ao Autismo

Sempre que vamos falar sobre o conceito da síndrome, temos dificuldade pois é um transtorno tão amplo e cheio de comorbidades que fica difícil saber por onde começar ou como resumir o conhecimento sem deixar a pessoa com sono, hahaha. Ao lermos as características associadas ao autismo no livro “O Desenvolvimento do Autismo”, de Thomas Whitman, achamos bem interessante fazer um post com palavras fáceis e resumidas para divulgar conceitos importantes para entender esses indivíduos tão singulares.

Vamos começar com:

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Os sentidos nos alertam para tudo o que acontece ao nosso redor. Eles mobilizam e orientam o comportamento, influenciam as emoções e fornecem informações que afetam o pensamento em um nível estrutural e de conteúdo

hipersensibilidade= possuem os sentidos bastante sensíveis. Ex: rejeitam abraço, evitam certas roupas, evitam caminhar sobre a grama, dificuldade de manejar alguns tipos de materiais, etc.

Hipossensibilidade= não sentem dor, nem frio e não importam com sons altos.

Atração por estímulos= fixação, procuram perpetuar essa estimulação com comportamentos repetitivos e compulsivos. Ex: Anseiam por pressão profunda (tátil) ou cheiram tudo (atração por odor)

Não percebem o estímulo completamente= problemas de leitura (letras ondulam e desaparecem)

Incapacidade de coordenar ou integrar estímulos de diversas fontes= dificuldade de acompanhar conversa com ruído de fundo ou focar visualmente quando alguém está falando.

Mistura sensorial (sinestesia)= ver sons ou ouvir imagens

Sistema vestibular= regulação de equilíbrio e movimento. Sensibilidade: ter náusea ao passear de carro ou ao balançar. Algumas crianças que tem poucas reações podem ficar girando ou balançando sem parar.

Proprioceptivo= feedback sobre posição corporal pelos músculos, tendões e ligamentos. Este sentido nos ajuda a manter posição adequada em uma cadeira, segurar utensílios tais como uma caneta ou garfo de maneira adequada, julgar como manobrar no espaço de modo a não bater nas coisas, a que distância temos de estar das pessoas para não ficar perto demais, quanta pressão colocar para evitar quebrar um lápis ou um brinquedo e a mudar as ações que não foram bem sucedidas tais como jogar uma bola em um alvo.

Essa imagem mostra, claramente, os vários sinais de problemas sensoriais presentes nos autistas:

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A desorganização sensorial pode ocorrer por várias razões, inclusive uma incapacidade de concentrar-se em estímulos recebidos, falha ao filtrar aspectos irrelevantes dos estímulos e/ou falha para processar completamente a informação contida no estímulo.

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Em termos de comportamento este indivíduo pode parecer, em um extremo, hipoativo e retraído ou, no outro extremo, hiperativo e desorganizado.

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O Sistema de controle motor consiste em um conjunto de processos que ajudam a organizar e coordenar movimentos funcionais. Ele evolui ao longo do tempo como consequencia de feedback do ambiente e do corpo.

Pesquisadores notaram que bebês e crianças autistas pequenas exibem dificuldades precoces na alimentação autônoma, no vestir-se com destreza manual geral bem como atrasos nas conquistas dos principais marcos de desenvolvimento motor inicial (sentar, engatinhar, andar). Outros problemas observados incluem o controle postural, falta de jeito e habilidades motoras gerais e complexas (ex.: andar de bicicleta), comportamentos motores repetitivos, baixo tônus motor, anormalidade de contato visual direto e de rastreamento ocular, falta de resistência, perturbações no equilíbrio, dificuldades de sugar e engolir, complicações com a fala e dispraxia.

Dispraxia= problemas na formulação de um objetivo, em descobrir como concretizá-lo (planejamento motor) e a execução real da ação, etapas que têm obviamente um forte comportamento motor e cognitivo. Crianças com dispraxia têm dificuldades para aprender novas tarefas. Elas precisam de esforço e repetição para atingirem um nível específico de competência.

Crianças com dispraxia visual têm fraca percepção de forma e de espaço e problemas na coordenação visual-motora. Aqueles com dispraxia de comando são incapazes de assumir posturas físicas a estímulos verbais e têm dificuldades com o sequenciamento motor. Já aqueles com problemas de sequenciamento e integração bilateral têm dificuldade de coordenar os dois lados do corpo, não conseguem desenvolver predominância de mão e evitam cruzar a linha média do seu corpo. Finalmente, crianças com somatodispraxia manifestam problemas com a discriminação tátil, com a coordenação motora fina e grossa, com o controle das mãos, dos orais-motores, e com o esquema corporal.

Exemplos de problemas motores: dificuldade para jogar e pegar a bola, problemas com o equilíbrio (ficar de pé com uma perna e olhos fechados) e falta de destreza manual (dificuldade de amarrar o cadarço e com escrita).

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Pessoas com autismo são facilmente estressadas, ansiosas e temerosas. Mostram forte reação ao ambiente e também dificuldade para regular suas emoções quando se sentem incomodados.

Alguns dos sintomas associados ao autismo podem resultar de uma incapacidade de modular as informações sensoriais, o que reflete em problemas de baixa reatividade ou reatividade excessiva.

Para funcionamento eficiente, é preciso haver um estado de alerta tranquilo. Autistas demonstram níveis de estimulação inferiores ao ideal ou tão altos que ocorre a descompensação. Se há estimulação insuficiente, por razões biológicas e/ou ambientais, a hiporresponsividade (incapacidade para responder rapidamente ou até mesmo chegar a dar uma resposta) pode ocorrer. Se ocorre a estimulação excessiva, novamente por razões similares, a resposta torna-se desorganizada, impulsiva ou até mesmo inibida, como consequência de evasão ou retraimento.

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Existem vários posts que podem te ajudar nesta área, é só clicar para ler:

- Funções neuropsicológicas no autismo: Memória e Atenção
- Funções Executivas
- Teoria da Mente
- Dicas para Educadores e Pais
- Estratégias Pedagógicas
- Inclusão Escolar

Vale destacar que os autistas possuem pensamento concreto ou seja, dificuldade com ideias abstratas. Reagem de forma literal às palavras dos outros e por isso possuem dificuldade para entender sarcasmo, humor, metáforas, figuras de linguagem, duplo sentido, etc. Sua natureza é VISUAL portanto aprendem melhor através de imagens.

Retardo Mental= alguns autistas apresentam funcionamento intelectual abaixo da média com limitações em duas ou mais áreas de habilidades adaptativas: comunicação, cuidados pessoais, vida doméstica, aptidões sociais, uso da comunidade, autodeterminação, saúde, segurança, habilidades acadêmicas funcionais, lazer e trabalho.

Característica Savant= presença de capacidades notáveis e as vezes surpreendentes, existentes no contexto de déficits mentais. Ler sobre um autista savant aqui.

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Pessoas com autismo exibem um amplo padrão de deficiências em situações de interação social. Essa é uma das características central do autismo. Nesse quesito os autistas pode ser agrupados em três tipos: distante, passivo e ativo.

Distante= isolam-se do contato visual, aborrecem-se quando perto de outras pessoas e geralmente rejeitam propostas sociais.

Passivo= não tomam iniciativa social, aceitam tais iniciativas dos outros sem mostrar aborrecimento e podem até mesmo apreciar tal contato social.

Ativo= é composto por indivíduos que se aproximam espontaneamente, mas o fazem de maneira incomum, unilateral e inapropriada. Este grupo demonstra frequentemente um nível mais elevado de competência geral que os dois outros grupos.

Apego pelos pais (por se sentirem seguros), dificuldade com atenção conjunta (se interessar pelo que o outro interessa), complexidade para fazer imitação e para aprender de forma informal (pela observação de outras pessoas em situações sociais), são itens que tornam o ato de brincar um desafio. As brincadeiras dos autistas geralmente são esteriotipadas, sozinhas, concretas e não-simbólicas, decoradas e simples.

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Todos os autistas, não importa o grau, possuem dificuldade com comunicação. Alguns têm fala repetitiva e expressiva mínima enquanto outros desenvolvem linguagem mais elaborada, mas até esse grupo tem dificuldade para envolver-se em um discurso dinâmico. As deficiências de linguagem de crianças com autismo são resumidas como incluindo problemas em: palavras e gramática (incluindo recursos prosódicos da linguagem), convenções de conversação, entender perspectivas do ouvinte e uso da narrativa. Eles usam palavras menos sofisticadas, dificuldade do uso do passado, inversão de pronomes (usar “eu” no lugar de “você” e vice versa), utilizam sentenças na voz passiva e possuem problemas para produção e compreensão de perguntas. Geralmente são conversas sobre temas específicos e mudanças tangenciais de tópicos. Possuem problemas na modulação, volume, timbre, prosódia (ênfase) e ritmo. Possuem tendência para interromper os outros, dificuldade na elaboração de comentários e manter um fluxo de diálogo lógico.

Ecolalia= A pessoa repete o que escutou. Pode ser imediata (repetir a pergunta, por exemplo, ao invés de responder) ou tardia (responder ou conversar com frases de filmes, desenhos animados, séries, músicas ou frase que escutou das pessoas de convívio).

Deficiências pragmáticas= Dificuldade de iniciar conversas, dividir ideias, preocupam-se mais com o tema do que em trocar com o próximo.

Idiossincrasia= jeito peculiar de ser.

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Além da linguagem e interação social, outro ponto central nos autistas consiste em comportamentos incomuns e até mesmo bizarros porque sua origem e função não são compreendidas: balançar ou girar o corpo, ondular a cabeça, girar ou alinhar objetos, torcer ou tocar os dedos, dar descarga no vaso sanitário, apegar-se intensamente a itens específicos, aderir rigidamente a rotinas fixas e falar excessivamente de um tema específico.

Estereotipia= comportamentos repetitivos, geralmente ocorrendo com alta frequência, invariáveis em padrão e não funcionais (sem sentido para os outros). Geralmente fazem estereotipia para filtrar, diminuir ou aumentar estímulo, reduzuzir ansiedade ou tensão.

Transtorno Obsessivo compulsivo (TOC)= As obsessões, geralmente, se relacionam a comportamentos de natureza mais cognitiva, enquanto as compulsões têm natureza não verbal ou motora. Esses comportamentos aumentam quando o indivíduo está passando por estresse, adaptação a um novo ambiente e ansioso.

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Esse e o item seguinte estão relacionados. O comportamento autista é como um iceberg: o que está fora é só a ponta do problema.

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Quando há agressividade ou “birra”, a maioria das pessoas acabam julgando os autistas como pessoas sem educação ou sem limites. Mal elas imaginam que esse comportamento é um mínimo que está sendo externado. Por dentro dos autistas está acontecendo inúmeros desconfortos e dores. O comportamento inadequado pode ocorrer por algo que aconteceu no passado e só foi digerido posteriormente.

Depois de ler essas características anteriores, fica fácil perceber que é complicado suportar tantos estímulos ao mesmo tempo sem conseguir comunicar suas aflições. Fora isso, há muitas comorbidades que acompanham quem está no espectro: transtorno de sono, diarreias, sinusites, otite, etc. Para melhorar essas comorbidades e estes comportamentos, os pais devem ampliar sua visão e tratar a parte orgânica do autista, avaliando o que ela pode ou não ingerir.

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Essas imagens são excelentes para demonstrar o que estamos falando. Claudia Marcelino traduziu e divulgou e é fundamental estudar sobre o assunto e ter a alimentação saudável como aliada na qualidade de vida dos autistas.

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Esse item é muito importante e fazemos questão de colocar links para quem não tem conhecimento poder se inteirar sobre a amplitude do autismo, que é uma desordem orgânica: afetando o sistema imunológico, respiratório, digestório, neurológico… Os autistas estão cheios de alergias cerebrais e possuem o intestino permeável. Ler algumas características aqui

Importante ler a apostila da Cláudia Marcelino para ter um norte quanto a um tratamento biomédico eficaz.

Para facilitar vamos deixar essa imagem, feita também pela brilhante Claudia, pois ela mostra o passo a passo resumido de um tratamento holístico.

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Ler:
- Influência das Toxinas para os autistas
- Dietoterapia
- Protocolo DAN
- Tratamento DAN 2
- Alergias – Dr Sabra

Não existe um autista igual ao outro portanto não podemos julgar ninguém e nem fazer o que fizemos para um da mesma forma para o outro achando que vai dar certo. Temos que ser detetives e cientistas, com olhos bem abertos, para ajudá-los, ao máximo, a evoluir e ter muita qualidade de vida. Se eles são felizes, a gente é e para isso temos que ler cada item desses com atenção e vontade de agir!

Autismo – O impacto emocional sobre a família

A maioria dos pais nota que há algo de errado com o filho, mas não sabe o quê: isso pode acontecer sobretudo se for o primeiro filho ou se não tiverem outros filhos com os quais comparar marcos de desenvolvimento. Além disso os pais devem ouvir os avós dizerem que não há com o que se preocupar. Mesmo que muitos falem inúmeras coisas, sigam seus corações de mãe/pai pois ele nunca falha.

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Antes do diagnóstico muitos pais questionam suas capacidades. Esforçam-se para entender porque as coisas que funcionaram para os filhos anteriores não funcionam agora ou podem achar que não são bons pais. Tentem esquecer essa culpa pois, acreditem, os autistas sentem isso. Uma vez, em uma palestra, Andrea Lalama disse para quando os filhos estiverem dormindo, conversarem com ele sobre todas as frustrações e colocarem pra fora todas as angústias. Chorem, desabafem e deixem isso tudo de lado. Dá certo viu?!

Cada pai é de um jeito e as respostas emocionais variam amplamente. Podem ou não vivenciar algumas das seguintes emoções em ocasiões diversas.

Alívio: se os pais sentem-se frustrados por não serem levados a sério quanto às preocupações que têm com o filho, ou se o diagnóstico demora muito, eles às vezes vivenciam alívio temporário.

Culpa: acham que fizeram algo de errado na gestação ou nos cuidados com o filho. Não se sintam culpados e lembrem-se: vocês sempre estão dando o seu melhor (mesmo que um dia descubram que erraram, estavam tentando acertar) e isso acontece com o filho também. Se livrem de culpa!

Perda: a maioria dos pais tem sonhos e aspirações para os filhos tanto antes de nascerem quanto quando são pequenos. A medida que observamos nosso bebê crescer, a maioria de nós precisa adaptar essas idéias enquanto vai conhecendo o indivíduo que ele é, e aos poucos, percebemos que tem individualidade e personalidade próprias. Não podemos fazer deles algo que não são. É normal todos nós idealizarmos algo mas deixe isso pra lá e pratiquem a aceitação ativa: aceitem o filho como ele é hoje e ajam para que ele tenha, a cada dia, mais qualidade de vida!

Medo do futuro: além da tristeza da perda, os pais têm vários temores em relação ao futuro que substituem as esperanças e expectativas que tinham. Foquem no presente, façam pequenas metas e acreditem no potencial do filhote! Ele vai chegar lá!

Buscar informações: algumas famílias podem reunir o maior número possível de informações e entrar em contato com outros que têm experiências a compartilhar. Outras podem enviar informações e tentam esquecer de tudo que faça lembrar o problema. Buscamos muitos depoimentos na net e participamos de muitas comunidades do orkut e grupo de e-mails do yahoo (Autismo Esperança) e isso foi a chave de todo desenvolvimento do nosso irmão e da nossa família. Tivemos muita ajuda de nossos amigos, lemos muita coisa que não teríamos acesso se não fossem eles. Hoje, no facebook, continuamos em vários grupos e trocamos e-mails com alguns pais que acham que estão pedindo ajuda mas na verdade, é uma TROCA!!!

Crenças sobre a origem do Autismo:
Alguns podem apontar outros familiares com familiares com dificuldades ou traços parecidos, fato esse que pode resultar em sentimentos de culpa no parente afetado, em acusações por outros familiares (se não tivesse casado com ela/ele). Algumas atribuições vem do trauma no parto, outras de atitudes que tiveram na infância… isso tudo pode alterar como as pessoas se relacionam dentro das famílias e com o próprio autista em si. Alguns na família podem achar que o diagnóstico condena a pessoa ao fracasso e isso pode trazer muitos pensamentos negativos durante um certo período.

Em geral esses pensamentos mudam com o tempo e todos buscam ajudar a pessoa a se desenvolver da melhor maneira possível.

De tudo que sabemos da nossa experiência, ser positivo ajuda muito! Cada um tem seu tempo para chegar nesse olhar e devemos respeitar e acolher quem ainda não se sente confortável para isso.

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Mudanças na família:
Ao receber um diagnóstico, a família percebe que precisa mudar muitas coisas dentro de casa e na rotina e fazer algumas adaptações. A criança inevitavelmente vai ser tratada de uma maneira diferenciada e isso pode ser difícil para os pais, irmãos e avós. Esse processo fica bem mais fácil se todos vão compreendendo o que leva a criança a se comportar de modo diferente e ter necessidades particulares!

Pais: o estresse entre os pais é super comum, principalmente quando não concordam sobre o diagnóstico. Alguns profissionais até marcam horário para conversar com ambos para discutirem essas questões e tirarem dúvidas. Além disso, cada pessoa reage emocionalmente ao diagnóstico e um dos dois do casal, pode demorar muito mais para aceitar as implicações do que o outro.

Irmãos e Irmãs: podem ficar com medo de também adoecerem ou tristes por não poder brincar com o irmão/irmã como os amigos fazem. Podem ter medo do irmão/irmã ou ciúmes do tanto de tempo que seus pais lhe dedicam. Mas também podem se sentir enriquecidos e ajudarem muito nas atividades (sem sobrecarregar as crianças). Se quiserem dicas e estratégias para trabalhar essa relação, leiam um post dedicado a esse tema clicando aqui.

Avós: difícil para eles receberem o diagnóstico pois vivenciam várias emoções como choque, negação, dor, preocupação ou a combinação de muitos desses. Quando chocados, podem não acreditar no que ouviram e achar que o comportamento do neto é origem da má disciplina e que o diagnostico é uma desculpa para mau comportamento. Talvez por não conhecerem o espectro autista, e toda sua amplitude, podem achar o neto “muito inteligente para ser autista”, ainda mais se tiverem habilidades isoladas como saberem as letras e números (ou outros assuntos) bem antes de outras crianças de sua idade. Podem oferecer conforto dizendo que a criança acabará superando tudo.

Os pais reclamam na maioria das vezes dessa não aceitação mas se esquecem que também tiveram seu tempo para superar tudo isso e que precisam entender a necessidade de seus pais também. Avós além de se preocuparem com o neto e seu futuro, ainda preocupam como esse neto afetará seu filho ou filha.

Se você for avô ou avó es estiver lendo esse texto, veja umas dicas de como você pode ajudar:

* Tente aceitar o diagnóstico!
* Lembre-se que filho/filha autista não tem nada a ver com ser ou não um bom pai/mãe
* Tente não criticar (ou pense em uma forma construtiva de fazer isso)
* Ofereça ajuda prática!
* Tente não acusar! (Não faça comentários como “ele não herdou isso da nossa família!”)
* Apenas ouça! As vezes é preciso apenas falar o que é difícil e isso alivia muito.
* Conheça seu neto/neta se interessando pelos interesses dele!
* Atente-se para as habilidades do seu neto/neta e mantenha-se ligado nas novas aptidões que ele desenvolve!

Por fim, outro fato que impacta a família do autista é o ESTIGMA!

Muitas famílias ouvem comentários maldosos da comunidade e algumas situações se tornam mais difíceis pois agir com muitas pessoas olhando é mais complicado. Alguns pais fingem não ver e ignoram esses comportamentos e outros preferem distribuir panfletos ou cartões explicando sobre autismo em sua vizinhança ou passeios por onde vão. O que não funciona pra ninguém é ficar em casa com MEDO dessas críticas. As vezes as pessoas são muito desagradáveis mas o melhor a se fazer é criar estratégias em casa para lidar com essas pessoas.

Dicas para “sobreviver” a todas essas mudanças e ao impacto emocional na família:

* Aceitar o diagnóstico de autismo e ajudar outros familiares a fazer a mesma coisa
* Encontrar uma rede de apoio de família ou amigos
* Obter informações precisas sobre autismo
* Desenvolver atitude, crenças e estratégias positivas para enfrentar a situação
* Desenvolver relacionamentos construtivos com a escola e serviços voluntários e de saúde
* considere as necessidades das outras crianças da família. Eles também estão em desenvolvimento e ainda precisam de amor e atenção.
* Resiliência a criticas injustas
* Lembre-se que seu filho ou filha tem personalidade, aptidões e atributos próprios.

fonte: Livro “Convivendo com Autismo e Síndrome de Asperger” – Chris Williams e Barry Wright
Imagem 1: Hrb Family
Imagem 2: Meus devaneios escritos