A importância de saber lidar com a frustração

 photo lu_zpsgm29ihx1.jpg

A vontade de escrever esse post surgiu de mostrar a importância de ensinar os autistas a saber lidar com suas frustrações/ dificuldades. Utilizamos a forma lúdico/responsiva com Luiz Júnior, mesmo antes de conhecer o son rise. Somos a favor do encorajamento de tentar até conseguir o objetivo e de fortalecer a auto estima para que ele acredite no potencial dele. Lu está invocado com edição. Ele sempre gostou do canal globo mas agora ele expandiu seu interesse para além do visual e da pesquisa sobre vinhetas e logomarcas de afiliadas, agora ele quer produzir suas vinhetas. Baixamos alguns aplicativos sobre edição no ipad e ele foi querendo mais e mais… até conversamos com amigas sobre o tema (Valeu, Lulu) e conseguimos outros programas com mais efeitos… E ele quer mais ainda. Outro dia queria fazer um movimento que não conseguíamos. Mostramos o movimento que ele queria em quadros (pois os vídeos são feitos de fárias fotos em sequência) utilizando o corel (programa de design) e depois colocamos as inúmeras imagens no movie maker (programa bem básico de edição do windows) mas não ficou perfeito… e então falamos que não conseguíamos mas que íamos ver se algum editor nos ajudaria. Ele fez 81 vídeos até ficar como ele queria… e ficou PERFEITO… ficamos emocionadas… não com o movimento perfeito mas com a PERSISTÊNCIA dele. E ele só chegou lá porque NUNCA deixamos de conversar ou nos interessar pelo que ele gosta. Sempre colocamos os projetos dele em prática com entusiasmo! E nunca elogiamos apenas o resultado final… elogiamos cada passo dado, elogiamos sua coragem, elogiamos quando ele busca outra solução e assim ele se sente motivado.

Perder no jogo, tirar nota baixa na escola, não ter o brinquedo que quer. Frustração é um sentimento, uma emoção que ocorre quando algo que era esperado não ocorreu. A decepção faz parte da vida das crianças e tem papel importante no desenvolvimento. É difícil para os pais, professores, amigos e parentes verem as crianças sofrerem, mas é preciso ter em mente que ela vai passar por essas situações em diversos momentos da vida e que elas serão importantes para que a criança amadureça e se torne mais forte.

Os autistas (e pessoas típicas) estão cada vez menos sabendo lidar com esse sentimento. Uma das possíveis influências para esse comportamento, cada vez mais frequente, é o imediatismo do mundo atual. Hoje temos acesso à informação, a alimentação, entretenimento de forma muito rápida e fácil (as brincadeiras estão cada vez mais virtuais e direcionadas), a maioria das escolas é comportamentalista (ou a criança ganha certo ou errado, o processo quase nunca é valorizado), e ainda existem terapias com aprendizagem sem erro em que a criança acerta sempre e ganha um reforço depois disso. Vamos comentar esses desses itens abaixo.

A importância da valorização do processo:

A maioria das crianças e jovens hoje não participam de nenhum processo de feitio de nada, ganham ou compram tudo pronto. E não conseguem esperar por nada sem reclamar ou ficar irritado/agressivo. Antigamente víamos nossos familiares prepararem nossa comida, víamos uma roupinha de boneca ser costurada, um boneco ser feito, uma tábua virar escorregador, caixotes virarem fogõezinhos, pedaços de pau se transformavam em espadas, etc.

 photo processados_zpsx6hxukph.jpg

O trecho acima é do texto No mundo dos processados, a criança não aprende o que é o processo, que vale a pena ser lido na íntegra. Os processos foram abolidos até da escola por acharem ser “perda de tempo” ou por ter que cumprir uma grade curricular extensa. Falamos isso porque damos aula particular e ficamos todos os dias no contra-turno com nosso irmão, fazendo deveres, ensinando a matéria, pesquisando, estudando para provas. Os professores raramente fazem experiências. Lu teve que decorar se uma mistura é bifásica ou trifásica em química, o que é lipídeo, carboidrato ou proteína em biologia, o que é movimento retilíneo uniforme em física, tipos de gêneros literários e por aí vai… o famoso “cuspe e giz”. Os professores precisam aprender que saber “de cor” é saber de coração… como guardar uma matéria se ela é dada apenas na teoria? Para os autistas isso ainda fica pior porque eles precisam de material concreto para aprender.

Comportamentalismo/diretividade x construtivismo/responsividade

Antes da descrição desse ítem, vale muito a pena ler o nosso post Recompensa não compensa. Adoramos os métodos responsivos e somos apaixonadas na educação para a liberdade.

A responsividade e não é desleixo ou ausência de limites. Os terapeutas/professores não fogem de suas obrigações e sim realizam de uma forma mais apropriada aquilo que a palavra “educar” significa: conduzir a partir do interior. E isso exige PRESENÇA profunda (observação e atenção) e constante. Para ajudar o aluno/paciente a pensar e saber decidir é preciso estar próximo dele, percebê-lo, situá-lo em seu contexto, questioná-lo quanto ao que está pensando e sentindo, permitindo-lhe, assim, que descubra quais são os múltiplos fatores que o estão condicionando. Agir não-diretivamente é interessar-se pelo que de melhor existe, é tratá-lo como indivíduo, como uma forma de querê-lo bem em sua integralidade, de reconhecê-lo em seus lados fortes e ajudá-lo a lidar com suas fraquezas.

O construtivismo (Jean Piaget e Vygotsk) propõe que o aluno participe ativamente do próprio aprendizado, mediante a experimentação, a pesquisa em grupo, o estimulo a dúvida e o desenvolvimento do raciocínio, entre outros procedimentos. A partir de sua ação, vai estabelecendo as propriedades dos objetos e construindo as características do mundo.

O método enfatiza a importância do erro não como um tropeço, mas como um trampolim na rota da aprendizagem. A teoria condena a rigidez nos procedimentos de ensino, as avaliações padronizadas e a utilização de material didático demasiadamente estranho ao universo pessoal do aluno.

As disciplinas estão voltadas para a reflexão e auto-avaliação, portanto a escola não é considerada rígida.

 photo karnal_zpsnqwl7iwo.jpg

Comportamentalismo (Ler: John B. Watson, B. F. Skinner, Lovaas e outros) remete a uma alteração do comportamento dos elementos envolvidos no processo de aquisição de conhecimento, sendo que essa mudança poderia melhorar a aprendizagem. “Transformar” e “moldar” o comportamento para que ela se encaixe nos padrões aceitos. É diretivo e trabalha com reforço e punição. É método mais utilizado (infelizmente) nas escolas.

O método enxerga o comportamento (esteriotipia, agressividade, negação, etc) APENAS como uma forma de conduta e ignora que seja uma forma de comunicação, principalmente dos autistas não verbais, do que está ocorrendo internamente ou externamente com o paciente/aluno.

 photo iceberg_zpsrxjzhbyl.jpg

Esta corrente não aceita qualquer relação com o transcendental, com a introspecção e aspectos filosóficos (o indivíduo ao nascer é uma folha em branco), ou seja, critica a homeopatia, florais de bach, e como é baseado em registros/ciência, é contra os protocolos biomédicos e dietas (mesmo que estes sejam amparados por muitos estudos científicos), acreditando que o paciente/alunos só evolui através da modelação do indivíduo e com alopatia.

Diretividade: O ensino é centrado no professor/terapeuta – ele é quem elabora os programas, tendo como referência o grau de complexidade das matérias e a sua responsabilidade de professor/terapeuta. Além disso, dá-se ênfase na utilização de métodos/ técnicas/ estratégias de ensino para atingir altos níveis de desempenho. O professor acredita na transferência do conhecimento.

 photo tabela_zpsyvc0osef.jpg

É um erro não usar erros como parte do processo de aprendizagem

O problema para os estudantes não é que eles cometem erros e sim que estes erros não são usados para promover a aprendizagem. Estudantes têm medo de arriscar porque o medo de passar vergonha perante a turma é grande. Sendo assim, todos ficam calados ou em suas zonas de conforto.

Isso é preocupante na escola e em terapias muito usadas com autistas em que o paciente é premiado só no acerto… seu processo em terapia comportamental quase nunca é valorizado e através de dicas ele só pode chegar no certo. Se a criança criar algo, ou não gostar da atividade, ele é “punido”, aprendendo a aniquilar a sua individualidade e a obedecer o profissional. É nítido que os pacientes fazem tudo para ficar livre das atividades. A única coisa que é prazeroso pra ele é o reforçador, então o paciente ainda aprende a associar que sempre que ele tiver sucesso ele pode se recompensar com algo. Um dos maiores problemas dos autistas é inflexibilidade, não saber lidar com a frustração. Esse tipo de terapia reforça isso pois na terapia ele não erra mas fora de lá sim. Também não há um modelo de flexibilidade de um professor/terapeuta.

Errar é humano, é natural, faz parte da vida. E pode ser usado para o crescimento, para a evolução e para a colaboração. Desde que conduzido de forma construtiva e criativa. O erro pode ser colaborativo. O acerto também.

 photo 14569047_1271275466240242_839018307_n_zpsyypy73ud.jpg

Fontes:

Comunicando Psicologia
Brasil Escola
Educar para crescer
Portal Administração
Pedagogia
Welington Barcelos
Significados
Educação e Temporaneidade
É um erro não usar erros como parte do processo
Rescola

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado Campos obrigatórios são marcados *

Você pode usar estas tags e atributos de HTML: <a href="" title=""> <abbr title=""> <acronym title=""> <b> <blockquote cite=""> <cite> <code> <del datetime=""> <em> <i> <q cite=""> <strike> <strong>