Livro: O Extraordinário – R.J. Palacio

Extraordinário não é um livro comum. É um livro que chama atenção pela capa, toda azul com um desenho simples de um rosto… tão simples que você se encanta de cara. Sem efeitos mirabolantes ou traços perfeitos, o desenho atrai os olhares e a vontade de ler a sinopse que começa com a frase: não escolha um livro pela capa… E mais um detalhe: as palavras livro e capa são riscadas e corrigidas tornando a frase assim: não escolha um menino pela cara.

 photo livro_zpsj37hhbv6.jpg

De cara refletimos sobre nossos julgamento perante as pessoas que não nos agradam apenas por sua aparência. Tatuagens, cabelos, cor da pele, vestimentas… DEFICIÊNCIAS ou COMPORTAMENTOS… Desde a primeira vez que ficamos sabendo do livro ficamos loucas pra comprar, mas não imaginávamos nem de perto o quanto iríamos amar e querer indicá-lo a todas as pessoas. August, personagem principal do livro, não é autista mas garantimos a vocês que todos que lerem o livro vão se sentir, nem que por um instante, meio Auggie (como preferimos chamá-lo, pelo apelido pois nos sentimos muito próximas dele já).

O livro é uma lição de como devemos encarar a vida de frente e o quanto nos prendemos a problemas, que depois que passam (e vemos que somos capazes de resolver), nem eram tão assustadores assim! A história é dividida por unidades e em cada uma delas uma personagem mostra seu ponto de vista. O livro tem início com a visão de August, um garoto de 10 anos que tem uma síndrome genética rara que faz com que ele tenha uma deformidade facial e por isso teve que passar por muitos procedimentos cirúrgicos e complicações médicas e por isso nunca frequentou a escola. Com 10 anos, ele tem essa oportunidade e divide com o leitor como se sente em relação a isso! Uma lição de vida!

A autora também coloca a participação de Via, irmã mais velha de Auggie; Jack, colega de escola; Justin, namorado de Via e Miranda, amiga de infância de Via. Cada um fala a seu modo, com sua maturidade e apresenta sua visão de como é conviver com Auggie Pulmmam! São verdadeiros, é como se estivéssemos lendo seus pensamentos… confessam coisas que sentimos e jamais confessaríamos! Muito bom pros pais verem o lado dos irmãos, dos colegas de aula, do lado “de lá” da história! As vezes queremos que nos entendam mas não paramos pra ouvir o outro! Vemos que não devemos ser juízes de nada pois as vezes o que parece egoísmo pode ser necessidade de acolhimento, conversa e amor. E sem procurar ouvir, sem nos despirmos de melindres ou ficarmos fragilizados com tudo que ouvimos, perderemos muitas pistas de como agir para “consertar” tudo! Pisar em ovos eternamente ou criar um escudo do mundo real é uma armadilha tentadora! Aqui, abrindo um parenteses, é como sempre ouvimos a frase “autistas não têm empatia”, mas quem fala nunca parou pra se colocar no lugar do autista… incoerência total!

Uma história que mostra nossa verdadeira capacidade de empatia e como devemos nos permitir experimentar os sapatos dos outros, livres de qualquer pensamentos ou rótulos… só temos a ganhar e crescer. Auggie sabe que é diferente mas para ele, ele é um garoto comum, como os outros garotos de sua idade:

 photo auggie_zpskuk99f46.jpg

Há também um detalhe muito especial no livro que são os preceitos do Sr Bowne, professor de inglês que ensina às crianças como construir atitudes de gentileza através de cada pensamento que traz para a sala de aula todos os meses e propõe as crianças para que no final do ano escrevam os seus próprios! Tão linda essa ideia que a autora a expandiu em seu tumblr. seu app que desenvolveu para as pessoas compartilharem gentilezas e pensamento de amor! Acesse aqui e vejam o quanto esse livro além de ter trazido um assunto importantíssimo, virou um projeto bem maior: até um planejamento de atividades dentro de sala e um desafio para ver qual sala de aula é mais gentil (a autora prometeu prêmios para as melhores salas) e certificados de gentileza para os professores imprimirem e presentearem os alunos! Se você é professor, se inspire e se não for, faça uma competição na sua família!

 photo escola_zpsxutrqmkh.jpg

Com tanto sucesso que o livro teve, os leitores queriam outro livo mas a autora não queria fazer uma continuação da história e então surgiu a ideia de aprofundar mais na vida de algumas personagens e ela escreveu outros 3 contos e dentre eles o conto de Julian, o garoto que pratica bullying na escola de Auggie. Esse conto é o único que podemos dizer que é uma pequenina continuação mas bem mais aprofundado na visão de Julian. Mostrar essa visão em um outro livro foi uma jogada perfeita da autora para que não haja competição entre as histórias pois Auggie, no Extraordário, é um embaixador da empatia e apresentando os dois lados da história em um mesmo livro, nenhum dos dois teriam a atenção merecida! Recomendamos muito a leitura desse livro também, pois as 3 histórias são incríveis e principalmente o são pelo fato de podermos reconstruirmos nossos pre julgamentos! Julgar é normal, todo ser humano julga (até por uma questão de segurança fazemos isso)… o duro é nos apegarmos aos nossos PRÉ-conceitos e perdermos oportunidades incríveis. O livro se chama Auggie e eu, três histórias extraordinárias e ele tira aquela sensação de perda que ficamos quando acabamos um livro que amamos!

 photo livros_zpsdx4co6fy.jpg

Em 2015 foi sancionada a Lei que Institui o Programa de Combate à Intimidação Sistemática (Bullying). e foi um passo importante mas sabemos que essa lei, por si só, não combate as agressões físicas e psicológicas que correm na escola! Nosso próprio Sistema educacional deveria ser todo revisto para essa situação mudar pois está cada vez mais evidente em sala de aula a competição entre os alunos (e não a amizade, a irmandade) por melhores notas, para terem nomes em listas ou para ganharem medalhas de melhores alunos. Precisamos também mudar muito a nossa cultura para evitarmos ensinar essas atitudes dentro de casa. Frases como “quem não estuda vira lixeiro” ou “se você não comportar o homem da rua te pega” entre outras que minimizam a importância de todas as profissões (fique uma semana sem retirar o lixo e valorize seu lixeiro!) e não construiremos imagens falsas como a de que todo morador de rua é uma má pessoa. Há infelizmente até quem diga que deficientes forma castigados por Deus ou que Autistas tem o diabo no corpo ou cuidado que ele pode ser violento… isso tudo, constrói na cabeça de uma criança inocente, o preconceito. É nosso dever termos atitudes de gentilezas e incentivarmos cada vez mais a coletividade, mostrando que ao sermos egoístas quem perde somos nós. Trabalhos sociais, doações de brinquedos e roupas feitas em conjunto com as crianças e adolescentes, pesquisas e conversas sobre a imposição da mídia e da moda ajudam no combate do bullying! Respeito às diferenças não é fingir que elas existem e sim enxergar a beleza delas! Uma criança que tem uma mediadora por exemplo ou faz provas com mais tempo, isso não é uma vantagem e sim uma necessidade! Façam dinâmicas com os alunos em que eles tenham que fazer a prova com um fone de ouvido, com a mão não dominante, em outra lingua, etc… Professores devem tornar esse assunto um assunto de interesse de todos, não para apontar culpados mas mostrando a vantagem da união!

 photo extraordinaacuteriofim_zpseoqk9fem.jpg

Vamos praticar a gentileza?

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado Campos obrigatórios são marcados *

Você pode usar estas tags e atributos de HTML: <a href="" title=""> <abbr title=""> <acronym title=""> <b> <blockquote cite=""> <cite> <code> <del datetime=""> <em> <i> <q cite=""> <strike> <strong>