Características associadas ao Autismo

Sempre que vamos falar sobre o conceito da síndrome, temos dificuldade pois é um transtorno tão amplo e cheio de comorbidades que fica difícil saber por onde começar ou como resumir o conhecimento sem deixar a pessoa com sono, hahaha. Ao lermos as características associadas ao autismo no livro “O Desenvolvimento do Autismo”, de Thomas Whitman, achamos bem interessante fazer um post com palavras fáceis e resumidas para divulgar conceitos importantes para entender esses indivíduos tão singulares.

Vamos começar com:

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Os sentidos nos alertam para tudo o que acontece ao nosso redor. Eles mobilizam e orientam o comportamento, influenciam as emoções e fornecem informações que afetam o pensamento em um nível estrutural e de conteúdo

hipersensibilidade= possuem os sentidos bastante sensíveis. Ex: rejeitam abraço, evitam certas roupas, evitam caminhar sobre a grama, dificuldade de manejar alguns tipos de materiais, etc.

Hipossensibilidade= não sentem dor, nem frio e não importam com sons altos.

Atração por estímulos= fixação, procuram perpetuar essa estimulação com comportamentos repetitivos e compulsivos. Ex: Anseiam por pressão profunda (tátil) ou cheiram tudo (atração por odor)

Não percebem o estímulo completamente= problemas de leitura (letras ondulam e desaparecem)

Incapacidade de coordenar ou integrar estímulos de diversas fontes= dificuldade de acompanhar conversa com ruído de fundo ou focar visualmente quando alguém está falando.

Mistura sensorial (sinestesia)= ver sons ou ouvir imagens

Sistema vestibular= regulação de equilíbrio e movimento. Sensibilidade: ter náusea ao passear de carro ou ao balançar. Algumas crianças que tem poucas reações podem ficar girando ou balançando sem parar.

Proprioceptivo= feedback sobre posição corporal pelos músculos, tendões e ligamentos. Este sentido nos ajuda a manter posição adequada em uma cadeira, segurar utensílios tais como uma caneta ou garfo de maneira adequada, julgar como manobrar no espaço de modo a não bater nas coisas, a que distância temos de estar das pessoas para não ficar perto demais, quanta pressão colocar para evitar quebrar um lápis ou um brinquedo e a mudar as ações que não foram bem sucedidas tais como jogar uma bola em um alvo.

Essa imagem mostra, claramente, os vários sinais de problemas sensoriais presentes nos autistas:

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A desorganização sensorial pode ocorrer por várias razões, inclusive uma incapacidade de concentrar-se em estímulos recebidos, falha ao filtrar aspectos irrelevantes dos estímulos e/ou falha para processar completamente a informação contida no estímulo.

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Em termos de comportamento este indivíduo pode parecer, em um extremo, hipoativo e retraído ou, no outro extremo, hiperativo e desorganizado.

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O Sistema de controle motor consiste em um conjunto de processos que ajudam a organizar e coordenar movimentos funcionais. Ele evolui ao longo do tempo como consequencia de feedback do ambiente e do corpo.

Pesquisadores notaram que bebês e crianças autistas pequenas exibem dificuldades precoces na alimentação autônoma, no vestir-se com destreza manual geral bem como atrasos nas conquistas dos principais marcos de desenvolvimento motor inicial (sentar, engatinhar, andar). Outros problemas observados incluem o controle postural, falta de jeito e habilidades motoras gerais e complexas (ex.: andar de bicicleta), comportamentos motores repetitivos, baixo tônus motor, anormalidade de contato visual direto e de rastreamento ocular, falta de resistência, perturbações no equilíbrio, dificuldades de sugar e engolir, complicações com a fala e dispraxia.

Dispraxia= problemas na formulação de um objetivo, em descobrir como concretizá-lo (planejamento motor) e a execução real da ação, etapas que têm obviamente um forte comportamento motor e cognitivo. Crianças com dispraxia têm dificuldades para aprender novas tarefas. Elas precisam de esforço e repetição para atingirem um nível específico de competência.

Crianças com dispraxia visual têm fraca percepção de forma e de espaço e problemas na coordenação visual-motora. Aqueles com dispraxia de comando são incapazes de assumir posturas físicas a estímulos verbais e têm dificuldades com o sequenciamento motor. Já aqueles com problemas de sequenciamento e integração bilateral têm dificuldade de coordenar os dois lados do corpo, não conseguem desenvolver predominância de mão e evitam cruzar a linha média do seu corpo. Finalmente, crianças com somatodispraxia manifestam problemas com a discriminação tátil, com a coordenação motora fina e grossa, com o controle das mãos, dos orais-motores, e com o esquema corporal.

Exemplos de problemas motores: dificuldade para jogar e pegar a bola, problemas com o equilíbrio (ficar de pé com uma perna e olhos fechados) e falta de destreza manual (dificuldade de amarrar o cadarço e com escrita).

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Pessoas com autismo são facilmente estressadas, ansiosas e temerosas. Mostram forte reação ao ambiente e também dificuldade para regular suas emoções quando se sentem incomodados.

Alguns dos sintomas associados ao autismo podem resultar de uma incapacidade de modular as informações sensoriais, o que reflete em problemas de baixa reatividade ou reatividade excessiva.

Para funcionamento eficiente, é preciso haver um estado de alerta tranquilo. Autistas demonstram níveis de estimulação inferiores ao ideal ou tão altos que ocorre a descompensação. Se há estimulação insuficiente, por razões biológicas e/ou ambientais, a hiporresponsividade (incapacidade para responder rapidamente ou até mesmo chegar a dar uma resposta) pode ocorrer. Se ocorre a estimulação excessiva, novamente por razões similares, a resposta torna-se desorganizada, impulsiva ou até mesmo inibida, como consequência de evasão ou retraimento.

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Existem vários posts que podem te ajudar nesta área, é só clicar para ler:

- Funções neuropsicológicas no autismo: Memória e Atenção
- Funções Executivas
- Teoria da Mente
- Dicas para Educadores e Pais
- Estratégias Pedagógicas
- Inclusão Escolar

Vale destacar que os autistas possuem pensamento concreto ou seja, dificuldade com ideias abstratas. Reagem de forma literal às palavras dos outros e por isso possuem dificuldade para entender sarcasmo, humor, metáforas, figuras de linguagem, duplo sentido, etc. Sua natureza é VISUAL portanto aprendem melhor através de imagens.

Retardo Mental= alguns autistas apresentam funcionamento intelectual abaixo da média com limitações em duas ou mais áreas de habilidades adaptativas: comunicação, cuidados pessoais, vida doméstica, aptidões sociais, uso da comunidade, autodeterminação, saúde, segurança, habilidades acadêmicas funcionais, lazer e trabalho.

Característica Savant= presença de capacidades notáveis e as vezes surpreendentes, existentes no contexto de déficits mentais. Ler sobre um autista savant aqui.

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Pessoas com autismo exibem um amplo padrão de deficiências em situações de interação social. Essa é uma das características central do autismo. Nesse quesito os autistas pode ser agrupados em três tipos: distante, passivo e ativo.

Distante= isolam-se do contato visual, aborrecem-se quando perto de outras pessoas e geralmente rejeitam propostas sociais.

Passivo= não tomam iniciativa social, aceitam tais iniciativas dos outros sem mostrar aborrecimento e podem até mesmo apreciar tal contato social.

Ativo= é composto por indivíduos que se aproximam espontaneamente, mas o fazem de maneira incomum, unilateral e inapropriada. Este grupo demonstra frequentemente um nível mais elevado de competência geral que os dois outros grupos.

Apego pelos pais (por se sentirem seguros), dificuldade com atenção conjunta (se interessar pelo que o outro interessa), complexidade para fazer imitação e para aprender de forma informal (pela observação de outras pessoas em situações sociais), são itens que tornam o ato de brincar um desafio. As brincadeiras dos autistas geralmente são esteriotipadas, sozinhas, concretas e não-simbólicas, decoradas e simples.

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Todos os autistas, não importa o grau, possuem dificuldade com comunicação. Alguns têm fala repetitiva e expressiva mínima enquanto outros desenvolvem linguagem mais elaborada, mas até esse grupo tem dificuldade para envolver-se em um discurso dinâmico. As deficiências de linguagem de crianças com autismo são resumidas como incluindo problemas em: palavras e gramática (incluindo recursos prosódicos da linguagem), convenções de conversação, entender perspectivas do ouvinte e uso da narrativa. Eles usam palavras menos sofisticadas, dificuldade do uso do passado, inversão de pronomes (usar “eu” no lugar de “você” e vice versa), utilizam sentenças na voz passiva e possuem problemas para produção e compreensão de perguntas. Geralmente são conversas sobre temas específicos e mudanças tangenciais de tópicos. Possuem problemas na modulação, volume, timbre, prosódia (ênfase) e ritmo. Possuem tendência para interromper os outros, dificuldade na elaboração de comentários e manter um fluxo de diálogo lógico.

Ecolalia= A pessoa repete o que escutou. Pode ser imediata (repetir a pergunta, por exemplo, ao invés de responder) ou tardia (responder ou conversar com frases de filmes, desenhos animados, séries, músicas ou frase que escutou das pessoas de convívio).

Deficiências pragmáticas= Dificuldade de iniciar conversas, dividir ideias, preocupam-se mais com o tema do que em trocar com o próximo.

Idiossincrasia= jeito peculiar de ser.

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Além da linguagem e interação social, outro ponto central nos autistas consiste em comportamentos incomuns e até mesmo bizarros porque sua origem e função não são compreendidas: balançar ou girar o corpo, ondular a cabeça, girar ou alinhar objetos, torcer ou tocar os dedos, dar descarga no vaso sanitário, apegar-se intensamente a itens específicos, aderir rigidamente a rotinas fixas e falar excessivamente de um tema específico.

Estereotipia= comportamentos repetitivos, geralmente ocorrendo com alta frequência, invariáveis em padrão e não funcionais (sem sentido para os outros). Geralmente fazem estereotipia para filtrar, diminuir ou aumentar estímulo, reduzuzir ansiedade ou tensão.

Transtorno Obsessivo compulsivo (TOC)= As obsessões, geralmente, se relacionam a comportamentos de natureza mais cognitiva, enquanto as compulsões têm natureza não verbal ou motora. Esses comportamentos aumentam quando o indivíduo está passando por estresse, adaptação a um novo ambiente e ansioso.

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Esse e o item seguinte estão relacionados. O comportamento autista é como um iceberg: o que está fora é só a ponta do problema.

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Quando há agressividade ou “birra”, a maioria das pessoas acabam julgando os autistas como pessoas sem educação ou sem limites. Mal elas imaginam que esse comportamento é um mínimo que está sendo externado. Por dentro dos autistas está acontecendo inúmeros desconfortos e dores. O comportamento inadequado pode ocorrer por algo que aconteceu no passado e só foi digerido posteriormente.

Depois de ler essas características anteriores, fica fácil perceber que é complicado suportar tantos estímulos ao mesmo tempo sem conseguir comunicar suas aflições. Fora isso, há muitas comorbidades que acompanham quem está no espectro: transtorno de sono, diarreias, sinusites, otite, etc. Para melhorar essas comorbidades e estes comportamentos, os pais devem ampliar sua visão e tratar a parte orgânica do autista, avaliando o que ela pode ou não ingerir.

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Essas imagens são excelentes para demonstrar o que estamos falando. Claudia Marcelino traduziu e divulgou e é fundamental estudar sobre o assunto e ter a alimentação saudável como aliada na qualidade de vida dos autistas.

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Esse item é muito importante e fazemos questão de colocar links para quem não tem conhecimento poder se inteirar sobre a amplitude do autismo, que é uma desordem orgânica: afetando o sistema imunológico, respiratório, digestório, neurológico… Os autistas estão cheios de alergias cerebrais e possuem o intestino permeável. Ler algumas características aqui

Importante ler a apostila da Cláudia Marcelino para ter um norte quanto a um tratamento biomédico eficaz.

Para facilitar vamos deixar essa imagem, feita também pela brilhante Claudia, pois ela mostra o passo a passo resumido de um tratamento holístico.

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Ler:
- Influência das Toxinas para os autistas
- Dietoterapia
- Protocolo DAN
- Tratamento DAN 2
- Alergias – Dr Sabra

Não existe um autista igual ao outro portanto não podemos julgar ninguém e nem fazer o que fizemos para um da mesma forma para o outro achando que vai dar certo. Temos que ser detetives e cientistas, com olhos bem abertos, para ajudá-los, ao máximo, a evoluir e ter muita qualidade de vida. Se eles são felizes, a gente é e para isso temos que ler cada item desses com atenção e vontade de agir!

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