Congresso Biomédico 2014 – Tratamento Integral do autismo (DAN)

Dr Rogério Rita começou a palestra explicando a história de como surgiu o protocolo DAN, hoje conhecido como Tratamento Integral para o Autismo e mostrando a mudança do DSM V que agora engloba todos os tipos de autismo, inclusive Asperger, como Transtorno do Espectro Autista e é definido como um distúrbio de comportamento.

Apresentou-nos uma pesquisa feita por um instituto de Londres, o Karolinka Institutet, feita com crianças suecas que divide o transtorno em dois:

Autismo por causas genéticas (sindrômico): 50% dos casos
Autismo regressivo: 50% dos casos

Esse autismo regressivo, que chamaremos de autismo tipo 2, traz muito a tona a questão do motivo de as crianças nascerem típicas e, depois de certa idade, apresentarem os mesmos sintomas do autismo tipo 1 (sindrômico). O autismo do tipo 2 vem aumentando os números cada vez mais devido ao nosso ambiente e por isso fala-se que há uma epidemia de autismo. Dr Rogério disse que a maioria dos casos é do tipo 2 (75% dos casos de acordo com ele).

Com uma visão mais ampliada e integral dos seres humanos, o tratamento proposto pelo Dr Rogério não trata o autismo como um problema apenas genético ou neurológico. Essa visão abre mais possibilidades de tratamentos como ele demonstrou mais adiante.

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Como a figura mostra, um conjunto de fatores influencia no comportamento autístico, inclusive, o autismo é muito mais físico que comportamental: O meio ambiente traz impurezas e o corpo de um autista não sabe lidar com elas, como faz o corpo de uma pessoa típica. Alergias alimentares ou dietas especiais mudariam o ambiente através de diferentes escolhas alimentares, dieta com alimentos que são melhores digeridos e não causam problemas no intestino e outros órgãos do corpo, problemas gastro-intestinais melhorariam através do tratamento da flora intestinal e outros tratamentos, déficits de energia de disfunção mitocondrial podem afetar as atividades escolares e sendo sensível a estímulos sensoriais, a condição desse paciente para atividades diárias, escolares e familiares estaria prejudicada perante as pessoas que “digerem” bem os estímulos seriam resolvidos.

Como mostra o ciclo, o que aparece para os nossos olhos é a resposta cerebral e por isso temos essa falsa impressão de que o autismo é um problema comportamental. O comportamento é apenas a ponta de um iceberg e não será melhorado ou mudado apenas com terapias comportamentais, da fala, ocupacional, entre outras. Seria uma injustiça com esses profissionais, já que esses passos devem ser feitos juntamente com a organização do corpo físico dando-lhes condições de agir de forma mais eficaz. O Tratamento Integral do Autismo procura investigar em TODO o corpo o PORQUE o cérebro reage dessa forma.
Abrindo esse leque de possibilidades, vamos esmiuçar um pouco mais os problemas, separados por área para que entendamos melhor o passo a passo do tratamento:

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Como tratar? Existem muitas atitudes que devemos tomar e elas envolvem nossa boa vontade, e principalmente estudo e paciência pois a participação dos pais e/ou responsáveis é enorme.

Veremos então o que a exposição a esses fatores ambientais – vacinas (calendário de vacinação e conservantes a base de metais pesados), xenobióticos (antibiótico, pesticidas, produtos químicos, plástico, etc. )- causa no sistema orgânico dos autistas
o que chamamos de “alergia cerebral”.

As toxinas liberadas pelas cândidas no intestino, as caseomorfinas e gluteomorfinas – glúten e caseína (leite)-, os metais pesados que não são eliminados da forma correta, entre outras coisas, tudo isso gera inflamações no cérebro, causando uma desconexão funcional, ocorrendo um rompimento nas ligações dos neurônios e interrompendo as sinapses, causando o autismo tipo 2.

Para resolver esses problemas que causam essa “alergia cerebral”, são apresentados alguns passos que envolvem dietas, reposição de nutrientes, mudanças de ambiente, entre outros. Tudo isso para melhorar o corpo para que ele funcione adequadamente no futuro e para evitar com que menos “inimigos” cheguem ao cérebro.

Dr Rogério dividiu o tratamento em partes:

- Dieta: A dieta mais conhecida é a sem glúten e sem caseína, evitando a formação de gluteomorfinas e caseimorfinas que causam alergias cerebrais. Muitos pacientes também tiram milho e soja (podem ser transgênicos e ainda terem cruzamento com trigo). Outras dietas foram apresentadas como a Dieta do Carboidrato Específico (SCD – Elimina alimentos que alimentam as bactérias e leveduras como os amidos complexos como grãos, batatas, açúcar, alimentos processados, além do glúten e apesar de ser liberado o leite, muitos pais optam por não dar quando escolhem essa dieta. ), Dieta Antifúngica, Dieta GAPS, Dieta de Fenóis, etc.

De acordo com uma pesquisa mostrada, realizada pelo Instituto ARI, os pais avaliaram as dietas e elegeram as mais eficientes: Dieta do Carboidrato Específico (71%), SGSCSS -Sem Glutem, Caseína e soja- (54%) e Dieta antifúngica (58%).

- Desintoxicação do organismo: Quelação (limpeza dos metais pesados, xenobióticos, impurezas) – feita através de homeopatia – CEASE – ou com um médico especialista em Tratamento Integral do Autismo – o DAN; consumir produtos orgânicos (pois não tem pesticidas que trazem metais pesados e químicas em sua composição) e utilizar o mínimo de química possível (natural, feito em casa de preferência); tratar a flora intestinal com o uso de prebióticos e probióticos para evitar e produção de gases tóxicos produzidos pelas cândidas (fungos); evitar exposição a xenobióticos (uso de antibióticos, paracetamol, aditivos alimentares como conservantes por exemplo).

- Uso de Neuromoduladores ex: ( l-Teanina, oxitoxina, melatonina, imunomoduladores, maltrexona, timodulina, anti-inflamatórios, gcmaf, homeopatia)
As nossas funções cerebrais dependem de nutrientes essenciais para formar e manter as células nervosas (neurônios) e as células gliais, os neurotransmissores, os neuromoduladores, os hormônios, para manter o metabolismo energético cerebral, ou seja, captação e ação da glicose.

Sem vitaminas e minerais em quantidade adequada e equilibrada entre eles, as funções cerebrais não tem como serem eficientes, causando distúrbios que levam a sintomas de desequilíbrio. Embora todos os micronutrientes e os ácidos graxos essenciais sejam determinantes para as funções do sistema nervoso central (SNC), o magnésio e a vitamina B6 entram na formação de todos os neurotransmissores, sem exceção. Nutrientes como o ácido fólico, vitamina B12, vitamina B6, zinco, magnésio, betaína são necessários para a formação do SAME S-Adenosil-metionina), fundamental para a metilação e formação de todos os neurotransmissores. Em maior ou menor grau, todos os micronutrientes e ácidos graxos essenciais são determinantes.

Por isso, a suplementação deve ser completa e individualizada, pois são esses nutrientes que determinam a “química cerebral”. Nutrientes como a vitamina D (extremamente comum de estar insuficiente na população em geral), vitamina A, vitamina C, complexo B, vitamina E, zinco, magnésio, selênio, ferro, manganês, cobre, omega-3, entre outros, determinam nossas funções imunológicas.

Alguns neuromoduladores também são suplementados como a melatonina, oxitocina, L-teanina e outros.

E por último, mas não menos importante:

- Terapias de estimulação para repor as áreas lesadas pela inflamação como fono, terapia ocupacional, terapias a sua escolha como musicoterapia, Son rise, Floortime, etc. Também foi citada a Câmera Hiperbárica porém foi alertado que no Brasil ainda não pode ser feita com esse fim e requer um movimento dos pais para que isso seja mudado) e a TMS – Estimulação Magnética Transcraniana.

Essas terapias ajudam os autistas devido a plasticidade cerebral, que foi explicada aqui.

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Nesse gráfico, vemos o quão é importante pensarmos de forma holística já que cada pessoa é única e o tratamento deve ser elaborado de acordo com seu tipo de corpo e necessidades que são descobertas através de observação, exames de sangue detalhados e muita paciência e investigação. Aqui os grupos estão divididos em primeiro passo, segundo e terceiro, de forma lúdica, para que entendamos que fazer apenas terapias é pular etapas importantes. Claro que é o tratamento é um conjunto e algumas etapas vão ocorrer de forma simultâneas. Quando nosso irmão começou a fazer dieta SGSC, ele deu um salto tão impressionante nas terapias que os próprios profissionais vieram perguntar se ele estava tomando algum remédio novo.

Como podemos ver o autismo é uma desordem sistêmica onde uma série de fatores que estão interligados e o que vemos é apenas o resultado que aparece e não o todo. Por se tratar de uma síndrome caracterizada como síndrome de distúrbios do comportamento, esses problemas apresentados aqui são chamados de comorbidades, ou seja, problemas que acontecem paralelamente ao autismo. Para tratarmos de um autista, devemos ampliar nossa visão e deixar de lado a ideia de que apenas os remédios são a solução. Não queremos aqui entrar nessa polêmica de qual é o mais eficaz pois sabemos que as vezes o remédio é necessário mas nosso objetivo é fazer você refletir se essa é realmente a melhor alternativa pois as vezes o remédio apenas esconde mas não resolve de fato. Questione o remédio sugerido pelo seu neuro como você questiona a dieta e o tratamento biomédico. Pese tudo na balança e decida o que é melhor para seu filho (ou melhor, sua família toda).

OBS: essa é a nossa visão da palestra do Dr. Rogério Rita. Ele não tem nenhuma responsabilidade sobre o que escrevemos. Ao fazer um tratamento, uma dieta, suplementação, e tudo que envolve saúde, requer a presença de profissionais adequados para esse fim: médico, terapeuta, nutricionista, etc.

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