Workshop Inspirados pelo Autismo parte 1

Oi gente! Até que enfim vamos contar sobre o workshop que participamos em Belo Horizonte sobre – como o pessoal mesmo que organiza e realiza o curso diz – uma perspectiva inspiradora para o autismo! Tanta coisa pra contar que esse workshop vai render muitos posts. Gente, nós como TDAHs assumidíssimas, reconhecemos nossa dificuldade de ler muita coisa e por isso resolvemos dividir por assuntos o que vimos por lá!

Tudo começa com a mudança do seu ponto de vista em relação ao autismo. Não devemos enxergá-lo como um inimigo pois isso vai apenas nos trazer stress e péssimas emoções. A nossa avaliação de uma circunstância fora de nosso controle direciona que tipos de emoções e ações teremos.

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Vamos imaginar por exemplo que temos um aniversário de uma criança querida e organizamos uma festa no quintal com um churrasco ao ar livre, mesinhas com enfeites, brincadeiras na grama e a mesa toda enfeitada! A criança não aguenta esperar a hora certa dos amiguinhos chegarem para ela sair lá fora pra brincar e pergunta sem parar se falta muito tempo pra começar a festinha! Ela tá linda, toda arrumada e faltando uma hora pro aniversário cai o maior pé d’água que você já presenciou… a mesinha tá molhada, é impossível usar a churrasqueira dentro de casa e os convidados se atrasarão… a sua criança chora sem parar, decepcionada com a situação. Na casa ao lado, um agricultor comemora o que ele vê pela janela… ele quase não acredita que suas preces foram atendidas: choveu e sua plantação está salva. Isso merece um brinde!!! Merece uma festa!!!
A chuva é a vilã ou é a mocinha da história? Depende do ponto de vista!!! E é com esse sentimento que devemos encarar o autismo: o que fazemos e sentimos vem das nossas crenças, ou seja, da nossa maneira de pensar e encarar o mundo.

Crenças são conclusões que elaboramos em relação a eventos, a pessoas e a nós mesmos. Nossas crenças afetam como nós percebemos o mundo e como nos sentimos em relação aos eventos que acontecem. Algumas crenças nos levam a interpretar os eventos ou pessoas ao nosso redor de forma negativa, nos levando a sentimentos de tristeza, raiva ou medo. Outras crenças nos ajudam a ver oportunidades e nos levam a sentimentos de felicidade, inspiração e alegria.

Autistas podem ser felizes sim (como você que está lendo também pode!) e eles são muito capazes de adquirir qualquer aprendizado.

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O autismo não é considerado mais irreversível pois nossos cérebro pode ser fisicamente alterado em qualquer época da vida e não apenas nos seus primeiros anos como se acreditava antigamente. A história da poda neuronal caiu por terra. Os neurocientistas já sabem, desde a década de setenta, que o cérebro muda significativamente ao longo da vida, em resposta às experiências aprendidas. Esta flexibilidade do cérebro em resposta às exigências ambientais é chamada plasticidade cerebral. Antigamente pensava-se que só as crianças possuíam essa capacidade de plasticidade cerebral devido ao extraordinário crescimento de novas sinapses em paralelo com a aquisição de novas competências neste período. (período que a pessoa geralmente é mais estimulada)

O cérebro é fisicamente alterado através do reforço, enfraquecimento e eliminação das conexões neurais existentes, e o crescimento de outras novas. O grau de modificação depende do tipo de aprendizagem que seja feito, enquanto mais tempo tome a aprendizagem, se produz maiores e mais profundas alterações. (clique aqui para ler mais sobre o assunto)

Durante os últimos 15 anos, uma grande quantidade de pesquisas têm descartado a idéia da rigidez cerebral e apontado para a presença da plasticidade cerebral durante toda a vida do indivíduo. Por exemplo, utilizando moderna tecnologia de imagens cerebrais, pesquisadores do Semel Institute of Neuroscience and Human Behavior da universidade americana UCLA, em conjunto com pesquisadores da Mount Sinai School of Medicine, publicaram um estudo no General Arquives of Psychiatry. Eles ensinaram crianças dentro do Espectro do Autismo a prestar maior atenção a alguns estímulos sociais (como a expressão facial e de voz) e constataram que as regiões cerebrais que haviam previamente apresentado baixa atividade em resposta àqueles estímulos, passaram a apresentar níveis normais de atividade após o treinamento. Isto significa que os cérebros destas crianças transformaram-se em resposta à mudança dos estímulos do ambiente. (fonte: inspiradospeloautismo.com.br)

Partindo desse princípio podemos iniciar uma nova perspectiva do autismo que nos inspira a querer sempre e cada vez mais incentivar as pessoas com autismo, focando em seus potenciais pois ele é CAPAZ de adquirir qualquer aprendizado em QUALQUER IDADE! Então mãos a obra?!

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Ouvir o dia inteiro ou quase a vida toda que o que você faz é errado ou feio não é legal pra ninguém. Faça esse exercício mental ou lembre-se das situações que você foi criticada (o) e se sentiu injustiçada (o). Algo como: “Pra quê tanto sapato se você só tem só dois pés?” ou, “Vai comer esse tanto de doce, não acha que precisa emagrecer?” ou “Já vai sair de novo? Você não pára quieta!” ou “Nossa você gosta de acordar cedo no fim de semana?”, “Você não cansa de ler não?”, “Nossa você é fanático com futebol!”. Passamos por isso algumas vezes e não gostamos nem um pouco. Temos necessidade de sermos acolhidos e é por isso que a aceitação é importante! A partir disso, gera-se um vínculo! (E podem apostar pois o Lu não tem medo de nos mostrar nada que ele gosta, ele confia muito no que dizemos a ele por não criticarmos seus comportamentos a todo momento).

Em uma perspectiva de aceitação, a pessoa com autismo não é errada, é diferente. E a partir desta perspectiva de aceitação, os pais e profissionais podem buscar auxiliar ativamente suas crianças! Vamos nos sentir felizes com as pessoas com autismo pelo que elas são HOJE! O que eu já tenho é legal e me proporciona mil maneiras de trabalhar os aprendizados que tenho como meta!

Todos dizem enxergar o copo meio cheio mas quem realmente PRATICA essa crença? Estamos na maioria do tempo reclamando que nossos meninos não falam ainda ou só se interessam por determinado tipo de assunto mas não percebemos o quão rico eles já são e o terreno enorme e fértil que temos pra plantar nossas sementinhas, pra regar e ver germinar e crescer!
A partir dessa atitude de praticarmos o copo meio cheio, nossa vida muda não apenas referente ao autismo mas referente a tudo que nos propusermos. E crença + atitude = Aceitação ativa!

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Felizes em em paz com as pessoas que queremos ajudar com esse programa, podemos VALORIZAR os talentos e motivações dela, ajudando-a assim a superar todos os seus desafios! Podemos ajudar a pessoa a ser bem sucedida, encorajando-a a tentar de novo quando for preciso e dando ênfase em tudo aquilo que queremos que ela faça mais, isso tudo sem nos esquecermos de valorizarmos o menor esforço que ela fizer! Devemos sempre valorizar a conexão social (os olhares, os toques, o apontar, o interesse).

Valorizando a atitude esperada damos a ela a confiança! A tentativa é uma grande passo e devemos sempre comemorá-la! Devemos mostrar sempre com empolgação que percebemos o esforço, elogiar e dizermos o que esperamos com carinho! Isso faz com que a pessoa queira tentar novamente! Com persistência chegamos lá!

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E cuidado para não valorizarmos o comportamento indesejado para que ela não se sinta mau ou ache que é incapaz ou burra.
Enfase no esforço e na vitória!

Exemplo: quando uma criança dá um tapa no coleguinha, repreendemos, brigamos, falamos que é errado. Quando ela é gentil e educada, nos esquecemos de valorizar, elogiar, comemorar!

A tendencia natural dos pais é apreciar seus filhos porem pais de pessoas com autismo muitas vezes acabam preocupando-se tanto com elas que esquecem-se de focar no amor e apreciação que eles naturalmente têm.

Se envolva na apreciação, ela deve ser verdadeira e partir do fundo de seu coração. Um parabéns ou muito bem sem verdade no olhar ou na expressão pode desmotivar. Muito cedo em nossas vidas somos todos ensinados a fazer muitas coisas de forma mecânica como dizer “obrigado” quando as pessoas nos oferecem algo. Mas em que frequência sentimos uma sensação física e emocional de profunda gratidão ao dizermos “obrigado”? Geralmente somos ensinados a dizer “obrigado” para sermos “bem-educados” e mostrarmos consideração pela pessoa que nos oferece o presente. Raramente somos ensinados a sentir uma emoção de profunda gratidão e a compartilhar este sentimento com a outra pessoa.

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O que essa pessoa que queremos ajudar gosta de fazer? O que traz prazer a ela? Se for alinhar carrinhos ou correr pela casa balançando as mãos, ou qualquer outra atividade, observe e junte-se a ela! Descubra como ela se diverte e aprecie. Esqueça pensamentos de “O que os outros vão pensar?” ou “Essa pessoa vai achar que sou louca.” e divirta-se! Entendendo como essa pessoa se sente e se divertindo com o que ela gosta, você abre uma porta para a conexão e estabelece um vínculo que vai te auxiliar a mostrar a ela o que você também gosta!

Gostando de estar com essa pessoa, todas as atividades serão prazerosas para ela e para você e você terá clareza da presença dela com você pois com o foco nela, você perceberá as conexões e a medida que forem sendo estabelecidas mais entusiasmadas ambas ficarão!

É um ciclo: aceitação ativa > apreciação > Esperança e Entusiasmo > crença em mais possibilidades para a pessoa!

Então é isso. Voltamos pra contar do programa com mais detalhes!
O workshop foi maravilhoso e mesmo para nós que praticamos Son rise com o Lu desde que descobrimos que ele existia (por intuição e pesquisas na internet e conversas com nossa querida e amada amiga, confidente e personal assessora emocional Elaine Marabita Savian), nos surpreendemos! o Inspirados Pelo Autismo é uma abordagem educacional interacionista que reúne um mix de vários programas com adaptações à realidade do brasileiro e o son rise é muito forte entre eles. E como a base de tudo é o amor, a felicidade e a boa energia, é contagiante! contagie-se também!

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Para saber mais sobre o workshop e a proposta desse trabalho:
www.inspiradospeloautismo.com.br

Para ler o 2º post sobre este workshop, clique AQUI

2 ideias sobre “Workshop Inspirados pelo Autismo parte 1

  1. Elaine

    Vcs estão lindas e fizeram um post caprichadíssimo!!! Eu adoro ver essa energia toda!!! bjs bjs bjs (adorei o assessora emocional kk)

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