Que cachorrada!

Photobucket

Desde bem criancinha o Lu tem uma relação com cachorro. No começo foi de medo, pavor e hoje é de amizade! Baseado nessa relação que ele tem com os cães, resolvemos trazer o assunto pra cá. Eu e a Karla somos apaixonadas por animais de todas as espécias mas os cachorros nos encantam muito por serem bastante amigos, fofos e domesticáveis. Nosso sonho sempre foi ter um cachorro mas a mamãe nunca quis pelo fato de morarmos em apartamento e por ela não querer se apegar a nenhum bichinho (trauma de infância rs). Lu, quando era pequeno tinha medo dos cachorros da rua porque eles latiam do nada (autistas detestam coisas inesperadas né?) mas ao mesmo tempo tinha cachorro que ele provocava pra ver latir (isso é comum em autistas). Como ele frequenta a casa de uma tia avó, a tia Anju, que é vizinha de uma prima nossa que tem um cachorro, todas as vezes que o Lu ia lá esse cachorro latia… e muitas vezes o Lu provocava. A dona do cachorro falava: Pára Pitoco, fica quieto. Então Lu adorava isso e invocou com o pitoco! Aí, ele inventou uma brincadeira que tínhamos que falar “pitoco pitoquinho pitocão” toda vez que passávamos de carro por um lugar que ele determinou. Fizemos isso por algum tempo e a mamãe falava mudando a voz, o ritmo, a gente caía na risada. Sempre entramos na “onda” do Lu porque sabemos que isso faz com ele confie na gente.

Passado um tempo ele esqueceu dessa brincadeira (muitos chamam essas manias de “ismo”). Uma tia avó nossa, a tia Lilea, foi passear em BH e viu aqueles cachorrinhos de brinquedo que dormem e respiram como se fosse de verdade e achou muito legal. Lu viu o cachorrinho na casa dela e quis um e ela deu pra ele. Ele cuidou desse cachorrinho, levou pra escola, cobriu com cobertorzinho… era um amor! (hoje ele lembra de vez em quando desse cachorro).

E agora sua nova paixão é o amigo Frejat, o cachorro da nossa prima Adriana Amélia e do primo Beto… mas ele falou assim: O frejat é meu e da Adriana Amélia tá? Não é que ele já se apoderou do cão? hahahahaha! E a Adriana Amélia é uma babona e que fica mimando ele (tá, sabemos que ele é irresistível e tudo mas ela deixa ele fazer tudo o que quer) concordou com essa história. Pronto agora ele quer ir lá todo fim de semana visitar o amigo dele… e disso surgiu até uma brincadeira assim: Um dia eu perguntei se ele gostava mais de mim e da Karla ou da Dal (a mamãe pretinha que ele ama). Detalhe: ele estava com nosso ipad na mão. E ele, bobo e nem nada falou: mais de vocês! Caímos na gargalhada porque a Dal falou assim: um dia eu vou ter um ipad aí vocês verão de quem ele gosta mais! Aí a gente sempre brincava disso e ele falava que gostava mais da gente pra implicar a Dal. Um dia ele chegou pra mim e falou: Gosto mais do Frejat que de você. E eu: o quê? Indignada (de brincadeira) e el rolando de rir. Aí ele sempre ficava falando isso… brincando que gostava mais do Frejat e até hoje ele fala isso… ele adora ver a gente triste (de brincadeira) porque ele gosta mais do Frejat. E ele ama o Frejat de verdade!

Eles brincam de bola, o Lu carrega ele no colo, conversa com ele e até cochicha no ouvidinho dele… levanta a orelhinha e fala: não se preocupa que eu vou embora mas depois eu volto. ownnn que amor!

E sabiam que muitos autistas utilizam cachorros para auxílio? E também para terapia! Nossa amiga Tetê até mandou pra gente uma matéria que saiu na revista Cães e Cia (novembro de 2011) chamada “O treino dos cães de serviço” e fora do Brasil existem serviços específicos para guias de autistas. Achamos muito legal essa ideia. Confiram o trecho da matéria que fala sobre comandos específicos pra autistas:

“Já outros comandos são específicos para determinado tipo de serviço, como impedir que o autista faça movimentos repetitivos que possam machucá-Io, bem como que ele se afaste excessivamente de determinada área…

Os cães assistentes de mobilidade e os cães para autistas são treinados para nunca tomar iniciativas próprias. Devem sempre atuar da maneira como foram treinados e se restringir a obedecer a comandos, para não comprometerem a segurança do parceiro humano. “Se o cão assistente de mobilidade quebrar a regra e não aguardar comando para ir para o degrau seguinte ao descer ou subir uma escada, poderá causar acidente”, exemplifica a adestradora há mais de 1O anos Debbie Bauer, da Canine Partners for Life, em Cochranville, Pensilvânia – Estados Unidos, cuja entidade já entregou 302 cães de serviço desde 1989. “O cão para autistas deve prestar atenção o tempo todo na pessoa de que ele cuida – não pode se distrair fazendo algo sem ter recebido comando”, explica Sandra. “O cão para autistas também é treinado para receber comandos de um condutor, geralmente os pais da criança autista, já que há momentos em que devem parar a criança sob comando para impedir que ela saia às pressas e entre em perigo”, acrescenta Allison Savard, da Autism Dog Services, no Canadá, organização que já entregou 41 cães para autistas desde 2007.”

Também procurei na net e achei uma matéria que fala que os cães diminuem o stress de crianças autistas e isso é comprovado cintificamente:

Cães ajudam a diminuir estresse em crianças autistas

“Os pesquisadores mediram os níveis de cortisol na saliva de 42 crianças com autismo. Normalmente, a produção de cortisol atinge picos cerca de 30 minutos depois que uma pessoa acorda, e diminui ao longo do dia.
A resposta do cortisol ao acordar das crianças foi medida antes, durante e após o cão-guia ser introduzido na família. Os cães foram treinados para serem obedientes e manterem a calma, mesmo em ambientes caóticos.
Os resultados mostram que os cães tiveram um grande impacto sobre os níveis do hormônio do estresse das crianças. Os níveis de cortisol, o hormônio do estresse, diminuíram nas crianças após um cão-guia ser introduzido na família. Os cães também melhoraram o comportamento das crianças, reduzindo o número de problemas relatados pelos pais.
Nas duas semanas antes de os cães serem trazidos às casas, os níveis de cortisol das crianças aumentaram 58% durante os primeiros 30 minutos acordados. Mas quando os cães estavam presentes, essa resposta foi reduzida para um aumento de apenas 10%. E, após quatro semanas, quando os cães foram retirados das casas, a resposta do cortisol voltou a ter um aumento de até 48%.
Os pais também relataram uma diminuição de comportamentos problemáticos e perturbadores de seu filho, como birras, enquanto o cão estava presente. A média do número destes comportamentos caiu de 33, nas duas semanas anteriores à presença do cão, a 25 enquanto o animal fez parte da família.
Mas, por enquanto, os pesquisadores disseram que o efeito do cortisol reduzido na criança ainda não pode ser determinado. No entanto, estudos com adultos têm ligado aumentos do hormônio ao aumento do estresse geral, e a diminuição do hormônio a um estado mental positivo.
Mais pesquisas precisam ser feitas em crianças autistas para descobrir se estas diminuições nos níveis de cortisol na verdade correspondem a uma mudança nos seus níveis de estresse.
Muitos estudos já apontavam os benefícios dos cães-guias para crianças com autismo, e agora, um dos objetivos dos pesquisadores é saber por que os cães diminuem os níveis de cortisol delas. Por exemplo, pode ser que os cães ajudem as crianças a dormirem melhor, o que pode ter afetado os níveis de cortisol. ”

fonte

A princípio pensei que só houvesse tratamento para autistas e cães fora do Brasil mas pesquisando melhor percebi que estava errada.

São Paulo

SPProfissionais da USP, formam uma equipe multidisciplinar para adestrar um cão para terapia com autistas. Muito interessante! “Fruto de uma parceria entre o Instituto de Psicologia da Universidade de São Paulo, o Centro Educacional de Integração Paulista, o Centro Tecnológico da Marinha em São Paulo– CTMSP e o Instituto Nacional de Ações e Terapias Assistidas por Animais (INATAA), o Projeto Infante, coordenado pela Professora Emma Otta do Departamento de Psicologia Experimental tem como finalidade investigar quão benéfica é a participação de um cão em sessões de terapia de uma criança autista.”

confira vídeo:

Campinas

Sílvia Ribeiro Jansen Ferreira, fundou a ONG Ateac (Instituto para Atividades, Terapias e Educação Assistida por Animais de Campinas), onde, uma vez por semana, 700 autistas recebem a visita de cães terapeutas, em três hospitais em Campinas (SP). Sua inspiração veio de seu filho, Daniel Ribeiro Jansen Ferreira, hoje com 35 anos, primeiro autista brasileiro a defender uma tese na Universidade Estadual de Campinas (Unicamp).

campinas

O cão ajudou a melhorar a coordenação motora do campineiro e a relação dele com as pessoas. Aos poucos, Jansen, que tem Síndrome de Aspenger, uma forma que afeta menos o lado intelectual do paciente, passou a ganhar confiança e aprendeu a abraçar, o que não fazia antes de ter o animal. Depois de quatro anos, o estudante se formou em biologia na Unicamp e dois anos depois defendeu uma tese de mestrado na mesma área.

Para saber mais sobre a ATEAC entre no site e saiba também como ser um voluntário e como ajudar essa ONG tão importante!

Criciúma

Em Criciúma, SC, o Grupo de Patrulhamento com Cães (GPC) do 9º Batalhão, iniciou em abril de 2010, atividade de Cinoterapia, Terapia Assistida por Cães, com os alunos da Associação de Amigos dos Autistas (AMA).

criciuma

As atividades dão-se semanalmente em duas oportunidades, na sede do 9º BPM, onde Policiais Militares do GPC, juntamente com profissionais da AMA (psicólogos, fisioterapeutas, enfermeiros e terapeutas ocupacionais), utilizam-se do cão Athos, da raça Labrador, para estimularem os portadores de autismo a desenvolverem suas funções físicas e mentais, buscando minimizar as limitações trazidas pela síndrome.

Rio de Janeiro:

Foi criado um projeto há nove anos pelo capitão veterinário Sérgio Braga, responsável pelo canil do 7º BPM. Ele conta que teve a ideia de criar o tratamento quando percebeu que poderia aproveitar melhor o tempo ocioso dos cães, que fazem saídas esporádicas do batalhão.
De acordo com a diretora do abrigo, Maria Angélica Peixoto, os cães são facilitadores para o trabalho dos profissionais da área de saúde, que desenvolvem diversos tipos de terapias e fisioterapias com as crianças.
Na presença dos animais, as crianças ficam mais relaxadas, o que facilita a fisioterapia, por exemplo, que às vezes é dolorosa

Rio

E também no Rio há um projeto chamada “Pelo Próximo” – Solidariedade em 4 Patas onde voluntários visitam escolas e instituições que cuidam de crianças, idosos, adultos e portadores de necessidades especiais. O grupo realiza atividades como apresentação de agility (esporte que mede velocidade e habilidade do cão), boliche, futebol, contato direto com o animal e exercícios que estimulam o raciocínio e trabalham a coordenação dos pacientes.

A organizadora e psicóloga do projeto, Roberta Araújo, diz que a proposta é realizar um trabalho focado no cão, que é o principal instrumento. E nesse projeto você pode ajudar com o seu cãozinho! Procure se informar!

Esses são alguns dos exemplos que consegui achar na internet mas devem existir muitos outros! E os benefícios da terapia com animais são muitos:

Benefícios:

- Desperta o amor incondicional e sem preconceitos
- Motiva a participação nas sessões terapêuticas
- Facilita a relação paciente / terapeuta
- Altera o ambiente terapêutico
- A capacidade de concentração e aprendizado;
- Incentiva a projeção de sentimentos
- Incentivo a leitura e escrita
- Indica distúrbios emocionais e cognitivos
- Auxilia na integração social
- Tornar-se um instrumento lúdico
- Melhora o humor;
- A autoconfiança e autoestima;
- A capacidade de comunicação;
- A saúde dos adoecidos encurtando o tempo de internação.

E também existe um projeto chamado Terapia Cão Carinho que adestram cães sem fins lucrativos para terapia e educação assistida por animais Utiliza cães como mediadores de bem estar aos assistidos uma vez que estes possuem amor incondicional, fidelidade e incapacidade de julgar. O Projeto Terapia Cão Carinho foi fundado em 22 de Junho de 2011 com voluntários originados do extinto Projeto Doutor Cão. Possui uma equipe multidisciplinar, composta em sua maioria por profissionais da área de saúde e com experiência na TAA desde 2006.
Os cães terapeutas, de diversas raças, são adestrados pelo método de reforço positivo e clicker por adestrador zootecnista especializado em comportamento animal e possuem atestado semestral de saúde animal fornecido por veterinário.

Muito interessante o projeto, vale a pena conferir!

Gente eu sei que esse post já está enorme mas não consigo ir embora sem indicar um filme e um livro.

O Filme é “Um amigo inesperado” e é baseado em um livro que se chama ” Um amigo chamado Henry”. O filme é de 2006 e é inglês. Nunca vi mas me deu muita vontade de ver. Como vocês verão a sinopse, o filme tem tudo a ver com o post de hoje e parece ser lindo:

After thomas

“After Thomas, título original, é um filme de 2006 que aborda o autismo. Baseado no livro Um Amigo chamado Henry, conta uma história verídica.
Kyle é uma criança autista. Os pais têm sérias dificuldades em lidar com ele. A actividade preferida de Kyle é ver uma série de desenhos animados em que a personagem principal é um comboio que se chama Thomas.
No dia em que lhe oferecem um cachorro, a criança começa a tratá-lo por Thomas, transferindo para o animal o vínculo positivo que tem com a personagem da série. Kyle começa a revelar grandes progressos, como brincar, realizar actividades de rotina, conversar e desenhar.”

Vejam, aqui parece que tem o filme todo! (não vi o arquivo mas pelo tempo parece que tem tudinho):

O Livro que quero indicar é : “O Estranho Caso do Cachorro Morto” de Mark Haddon. Vejam a sinopse

“Criado entre professores especializados e pais que definitivamente não sabem lidar com suas necessidades especiais, Christopher Boone tem 15 anos e sofre de Síndrome de Asperger, uma forma de autismo. Adora listas, padrões e verdades absolutas. Odeia amarelo e marrom e, acima de tudo, odeia ser tocado por alguém. Christopher nunca foi muito além de seu próprio mundo, não consegue mentir nem entende metáforas ou piadas. É também incapaz de interpretar a mais simples expressão facial de qualquer pessoa. Um dia, Christopher encontra o cachorro da vizinha morto no jardim, é acusado do assassinato e preso. Depois de uma noite na cadeia, decide descobrir quem matou Wellington, o cachorro, e escreve um livro, relatando suas investigações.”

livro

Um dos primeiros livros que eu e a Karla lemos sobre autistas ou com personagem autista, o que mais chama atenção é a narração do personagem principal. Dá pra sentir como um asperger pensa e sente sobre o que passa a sua volta… você se sente na companhia de Christopher. Muito legal para entender o jeito de nossos meninos pensarem! Recomendamos demais essa leitura que até virou peça de teatro no nosso país!

Bom, é isso aí! Lu ama cachorros e achamos importante trazer pra vocês essas informações para que as mães e pais percebam o quanto um bichinho pode mudar a vida de uma pessoa e sua família! Mas no podemos esquecer que eles exigem atenção e não são brinquedos. Uma vez adotado ou comprado, um cão deverá receber atenção e carinho para o resto da vida pois criará-se um vínculo de carinho entre o animal e seu dono!
Não sabemos se um dia o Lu vai ter seu cãozinho pois ele mora em apartamento e ainda é muito difícil e por enquanto ele “rouba” o Frejat da Adriana e brinca com o Ben no ipad! rs

Até mais!

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado Campos obrigatórios são marcados *

Você pode usar estas tags e atributos de HTML: <a href="" title=""> <abbr title=""> <acronym title=""> <b> <blockquote cite=""> <cite> <code> <del datetime=""> <em> <i> <q cite=""> <strike> <strong>