Depoimento – Ludmila e Maria Luiza

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Precisamos falar sobre Autismo!
1 em cada 68 crianças estão dentro do espectro autista (número aferido pelo CDC, Center of Diseases Control and Prevention).

E hoje vou contar para vocês um pouco sobre a minha filha.
Maria Luiza é uma menina encantadora, que chama a atenção por onde passa. Sim, pode ser que eu diga isso porque sou a mãe dela, mas fato é que ela me encanta profundamente!

Ela nasceu em setembro de 2013, de parto normal, aqui na França, onde moramos no momento. Perfeitamente saudável, linda, sorridente e tranquila. Chorava pouco e dormia muito. O sonho de toda mãe!

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Pelo fato de morarmos fora, viajamos bastante, e com isso eu decidi que iria vaciná-la com todas as vacinas obrigatórias na França, no Brasil, e as que não são obrigatórias em lugar nenhum, pois na minha cabeça, essa era a melhor maneira de proteger minha filha.

Quando ela estava com 7 meses e meio, fomos eu e Maria Luiza, para o Brasil pela sua primeira vez! Ficamos 3 meses e meio por lá visitando a família e os amigos. Ela já engatinhava, e foi aperfeiçoando sua técnica durante essa temporada e se tornando uma engatinhadora super veloz! Ficou em pé pela primeira vez lá no Brasil, ameaçou dar uns passinhos se apoiando nos móveis e falou sua primeira palavra: “babá”. Provavelmente uma das primeiras palavras que eu também falei, pois era assim que carinhosamente eu chamava a Maria, minha segunda mãe.

41 noites desses 3 meses e meio que passamos no Brasil, Maria Luiza chorava de 9 Pm às 6 Am, incansavelmente, em alto e bom tom! Eu fique tão cansada e tão esgotada que pensei que fosse morrer por falta de dormir. Não entendia o que estava acontecendo com aquela bebezinha tão alegre e tranquila. Ela foi diagnosticada com “terror noturno”, por ter mudado de ambiente, estar longe do pai, do cachorro e rodeada por pessoas consideradas estranhas até então. Foram 41 noites que pareciam intermináveis!

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Voltamos do Brasil, ela já batia palminhas, dava “tchau”, falava “mama”, “papa”, imitava a vaca, o porquinho, o cachorrinho chorando, fazia a coreografia de “meu pintinho amarelinho” e de “cai, cai balão”…
Um mês depois ela completou seu primeiro aniversário, recebeu a primeira dose da vacina tríplice (de caxumba, rubéola e sarampo) e começou a frequentar a creche 2 tardes por semana.

Aos 16 meses ela recebeu a segunda dose da vacina.
Eu estava começando a ficar preocupada porque ela parou de demonstrar interesse em aprender a andar, mas o pediatra me disse que ela era excelente engatinhadora, e como ela não via “vantagem” ou necessidade em andar, ela preferia continuar engatinhando, e que isso era normal.

Comecei a me preocupar também, pois ela não estava ampliando seu vocabulário, pelo contrário, estava parando de falar as poucas palavras que já falava e deixando de fazer os sons dos animais. O pediatra me disse que eu não tinha com o que me preocupar pois ela era uma criança trilíngue, e que crianças expostas a mais de uma língua demoram mais para falar.

Minhas preocupações foram aumentando, com o fato de que a Maria Luiza estava sempre com diarreia. E o pediatra me disse para não me preocupar pois isso era comum quando as crianças começavam a frequentar creches e escolinhas, e que eu deveria mantê-la sempre bem hidratada.

Ela foi ficando bastante seletiva para se alimentar e com dificuldade com a textura dos alimentos. Começou a ter crises nervosas quando eu a levava para brincar na grama, ou com areia, tinta e massinha. Esse mesmo pediatra, me disse que algumas crianças tinham dessas “fases” mesmo e que isso iria passar.
Eu até concordo com tudo o que esse médico disse. Mas eram muitos sinais e sintomas numa mesma criança e ao mesmo tempo, e nenhum deles estava passando. Isso me inquietava diariamente.

Ela andou faltando 2 dias para completar 18 meses, o que é considerado dentro da faixa de desenvolvimento normal da criança. Mas continuava sem falar e suas diarreias foram ficando cada vez mais frequentes. Pedi para o pediatra fazer um teste de alergia na minha filha, e ele disse que não havia necessidade.

Ela completou 2 anos e sua frequência na creche passou para 3 vezes na semana em horário integral. Cheguei a pensar que com uma convivência maior com as crianças, ela fosse desenvolver melhor a comunicação e ficar mais resistente a tantas “gastroenterites”. Mas um mês depois, eu e Diogo fomos chamados para uma reunião na creche com a diretora e a psicóloga. Elas nos disseram que a Maria Luiza estava mordendo as crianças, estava com dificuldades para comer sozinha, não dormia após o almoço e tinha muitas crises coléricas. Chegaram a me perguntar se meu marido me batia em casa e se minha filha sofria ou presenciava algum tipo de violência. Disseram que continuariam a observá-la por alguns meses para vermos como tudo evoluiria.

Pouco tempo depois chegou o Natal e recebemos aqui na França uma das minhas irmãs, meu cunhado e minhas 2 sobrinhas. Os dois são psicólogos e puderam observar bem de perto tudo o que estava acontecendo. Maria Luiza mordia a prima mais nova diariamente, por motivos diferentes. Mordia quando queria um brinquedo que a prima estivesse segurando, mas também mordia quando estava muito feliz por estar brincando com ela. Assim como fazia comigo também. Com isso, concluí que a mordida era não somente uma forma de se comunicar (já que ela não sabia dizer “não”, “sim” e nem pedir qualquer coisa), mas também era uma falta de controle das suas emoções, fossem elas positivas ou negativas.

Com o tempo, aquela criança que quase não chorava e dormia muito bem, começou a ter insônia e crises de choro que chegavam a durar 5, 6, 7…, 12 horas sem parar!

Resolvemos ir ao Brasil em fevereiro de 2016 para fazermos uma avaliação da Maria Luiza com um neuropediatra e um psicólogo, ambos bastante profissionais e recomendados pelo meu cunhado.

Foi então, quando o neuropediatra depois avaliá -la, conversar bastante conosco e presenciar uma crise colérica que ela teve dentro do consultório, me disse o que eu já imaginava. Mas para minha surpresa, ele me disse que ela não tinha um diagnóstico fechado ainda, mas que existia sim uma suspeita de AUTISMO. Por mais que eu já imaginasse, por mais que eu já tivesse algum conhecimento sobre autismo e por mais que ele tenha me dito que por enquanto só existe uma SUSPEITA, o mundo desabou na minha cabeça naquele momento. Olhei para o Diogo e ele estava com aquela cara de choque. Chorei muito. E chorei na frente da minha filha. E quando ela percebeu, ela veio me fazer carinho e eu, tentando disfarçar, falei para ela: “Mamãe está com dodoizinho”. E as sábias palavras que esse médico me disse e que eu não posso jamais esquecer foram: “Não tem dodoizinho nenhum. A mamãe está chorando porque ela está preocupada com você, porque ela compartilha do que está te fazendo sofrer”. E continuou: “Ludmila, não minta e não esconda nada da sua filha, ela precisa saber o que está acontecendo e o que você está sentindo. E o fato dela ter percebido que você está triste e ter te feito carinho, significa que ela tem empatia, compaixão, discernimento entre as emoções e isso é um ótimo sinal de habilidade social. E é por esse interesse e habilidade dela em se socializar, associados a um contato visual bastante rico, que me fazem ter dúvidas e não fechar ainda o diagnóstico dela”. Não parando por aí, de repente veio a parte que sacolejou até a minha alma: “Chore querida, chore tudo o que tem para chorar aqui comigo. Agora veja a cara de choque do seu marido e a cara de desespero da sua filha. Respire fundo, abra os seus braços e estufe o peito. Seja forte, porque a ficha do seu marido ainda vai cair e os dois vão precisar muito de você e do seu acolhimento. E é você, sozinha, lá na França, quem vai ajudá-los. À partir de agora, você é o meio de comunicação e de transporte da sua filha para a vida”.

Voltamos do Brasil em março e a psicóloga da creche quis marcar uma outra reunião com as professoras da Maria Luiza e a diretora. Ouvimos tudo o que elas tinham para nos dizer e sem contar nada do que havia acontecido no Brasil, eu perguntei para a psicóloga: “Se você tivesse que dar um diagnóstico para minha filha agora, qual seria?”, e ela respondeu: “Autismo. Mas na verdade, para mim sua filha é uma incógnita”.
Orientados pelo neuropediatra, imediatamente iniciamos as sessões com fisioterapeuta, fonoaudióloga e terapeuta ocupacional.

Conversei com o pediatra negligente, e disse que eu precisava das prescrições médicas para todos esses acompanhamentos que estávamos iniciando (burocracia do sistema público de saúde francês, como qualquer outro) e de um pedido de exame de sangue para testar se além de tudo Maria Luiza era alérgica, pois ela já estava há 45 dias com diarreia e não havia crescido e nem engordado nos últimos 3 meses. Não tinha mais cabimento ele me dizer que isso era gastroentrite!

Descobrimos que ela era alérgica a caseína (proteína do leite), clara de ovo, amendoim e mostarda.
Nesse meio tempo, uma das minhas irmãs, que é formada em pedagogia Waldorf e em Antroposofia Curativa, colocou na minha vida 2 irmãs gêmeas, que se tornaram minhas irmãs de alma. Elas salvaram a qualidade de vida da minha filha! E eu nunca encontrarei formas de demonstrar o quanto sou grata a tudo que elas fizeram e fazem por nós. Para entenderem melhor sobre quem elas são e o maravilhoso trabalho que elas fazem, vocês podem acompanhar o blog delas: www.estouautista.com.br.

Desde quando falei com Karla e Luiza pela primeira vez, elas me mandaram tirar o leite e o glúten da vida da minha filha (procurem saber sobre autismo e dieta Sem Glúten e Sem Caseína). Eu obedeci! Antes mesmo de sair o resultado dos testes de alergia. Em 3 dias, Maria Luiza estava fazendo cocô normal, pela primeira vez na vida. Essas duas irmãs abriram meus olhos e minha mente para um mundo que eu pouco conhecia, onde muitas coisas são maravilhosas e outras muito tristes.

Dentre as coisas maravilhosas, elas me contaram sobre um tratamento homeopático chamado Cease Therapy, feito para desintoxicar as crianças de metais pesados contidos nas vacinas e de outras substâncias, como o paracetamol, por exemplo. Por causa desse tratamento conheci a Natalia, uma mulher, mãe e profissional fantástica. Ela é a única homeopata na França que tem autorização para fazer esse tratamento. É um tratamento longo, muitas vezes sofrido, que exige bastante paciência, disciplina e força de vontade dos pais. Mas se alguém aí estiver passando por algo parecido, saibam que o recomendo de olhos fechados! Estejam 100% preparados, mas podem ter certeza que vale MUITO a pena todo sacrifício!! Existem homeopatas bastante capacitadas no Brasil que também fazem esse mesmo tratamento.

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Hoje, depois de somente 5 meses de tratamento, Maria Luiza ama brincar na areia e não se importa mais se estiver andando descalça na grama. Já está falando várias palavrinhas em francês e até mesmo formando frases curtas com verbos. Voltou a dormir bem como na época em que era bebê, come sozinha e suas alergias acabaram (mas ela continua na dieta SGSC). Sua evolução tem impressionado bastante os profissionais que a acompanham e as professoras da creche.

Quando todas essas suspeitas começaram a surgir e após a avaliação do neuropediatra, cheguei a escutar de pessoas que eu amo, coisas do tipo: “o que sua filha precisa é brincar mais com as crianças lá de casa, pois elas são as mais espertas e inteligentes”; “sua filha precisa é assistir mais televisão”; “sua filha está assim pois como você passa a maior parte do tempo sozinha com ela, você deve ficar cansada e não deve estimulá -la o suficiente”; “sua filha está assim porque você é estressada demais e ela sente isso”; “imagina! Sua filha não tem nada, você que é estressada e preocupada demais!”. E até mesmo cheguei a perceber uma pessoa ou outra chegando a tratá-la como se ela sofresse de alguma debilitação razoavelmente grande. Tenho certeza que nenhuma dessas pessoas me falaram qualquer coisa para me magoar, pelo contrario, queriam me ajudar. Mas gente, por favor, vamos ter mais sensibilidade, vamos nos INFORMAR e vamos PENSAR antes de falar! O momento já é delicado e sofrido demais por si só. Pais como nós, precisam de amor e de ACOLHIMENTO. Por causa desses tipos de comentários, eu decidi que não ia contar mais nada para ninguém, pois eu não estava mais disposta a ouvir críticas, opiniões e julgamentos. E principalmente, porque eu também não queria que ninguém mudasse a maneira de tratar a minha filha.

Por isso peço desculpas aos vários amigos e familiares que até agora desconheciam do que está acontecendo conosco, e conto com a compreensão de todos vocês.
Por que eu resolvi contar tudo isso agora e expor nas mídias sociais? Porque eu me sinto mal em saber que existem tantos pais passando pelo que estamos passando e não fazer nada. 1 EM CADA 68, guarde bem este número! Precisava me abrir e gritar para esses pais: – Ei! Estamos aqui, nós sentimos o que vocês sentem, compartilhamos de suas batalhas, vamos nos unir e nos ajudar? Vamos botar a boca no trombone, trocar informações e fazer mudanças já!

As pessoas no geral, tem a ideia de que autistas são aquelas crianças que ficam isoladas num canto, olhando para o nada e balançando o corpo para frente e para trás. Não gente! Vamos acordar! Todos nós precisamos buscar por mais informação, principalmente os médicos, educadores, mães e pais. Existe algo chamado ESPECTRO AUTISTA, e dentro desse espectro, a criança pode ser diagnosticada do grau mais leve ao grau mais pesado, depende do quanto ela estiver comprometida. E isso não significa que ela ficará estagnada nesse grau para sempre. Com tratamentos e estímulos terapêuticos adequados ela pode evoluir bastante, podendo até mesmo sair do espectro. Recomendo aqui um filme que mostra isso muito bem, chamado “MEU FILHO, MEU MUNDO”. E sobre o fundador do programa “SON RISE” que foi diagnosticado com autismo quando criança.
Não estou aqui para levantar bandeira nenhuma. Estou aqui para contar o que está acontecendo dentro da minha casa. Eu, Ludmila, acredito que para uma criança ser considerada autista, deva existir uma predisposição genética, mas existem gatilhos ao longo da vida, que podem ou não, despertar essas características autistícas, fazendo com que a criança esteja dentro do espectro. Existem vários gatilhos já identificados, como os conservantes das vacinas, o paracetamol, pesticidas e outros.

No caso da minha filha, tenho convicção, que ela sofre por intoxicação dos metais pesados utilizados como conservantes das vacinas. Não, eu jamais vou falar para vocês não vacinarem seus filhos, principalmente porque algumas vacinas são obrigatórias por lei (variam bastante de país para país). Mas é um absurdo a indústria farmacêutica não mudar isso! Precisamos mudar muita coisa, mas antes de tudo precisamos nos INFORMAR, nos UNIR e ter mais SENSIBILIDADE com as crianças autistas e com os pais de autistas! O autismo precisa receber mais atenção de todos nós, ser mais bem divulgado, assim como seus diferentes tipos de tratamentos. Antes de criticarem ou julgarem, se informem!

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E lembrem-se: 1 em cada 68 crianças! E esse percentual só aumenta! O seu filho pode ser o próximo! Tenha isso em mente!

Depoimento de nossa querida e amada irmã de alma Ludmila Neder Monteiro

Clique aqui estão os posts do Estou Autista sobre dieta

Os 7 sentidos

Estimular a parte sensorial de um autista (em casa e com a ajuda de uma terapeuta ocupacional) é muito importante. Trabalhar os sete sentidos é fundamental para ajudar a desenvolver todas as atividades necessárias para casa, escola, trabalho, para ter uma vida independente e autônoma.

Cada quadro mostra as características das pessoas hipersensíveis ou hiposensíveis. O bacana é que também podemos visualizar dicas de como podemos trabalhar cada sentido! Brincar é muito importante! Use tinta, massinha, cola, tesoura, lápis de cor, músicas, etc. Brinque no banho, na cozinha, no quarto… torne cada aprendizado muito divertido!

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Recompensa não compensa!

*** Esse post é polêmico e se você não concorda com o conteúdo, apenas feche a página. Não temos o objetivo de convencer ninguém!***

Esse post tem a ver com autismo mas tem a ver também com educação! Sempre curtimos a educação responsiva, positivista e isso não é segredo pra ninguém. Somos SonRise Team antes de saber que o SonRise existia pois esse modo de ser positivas, empolgadas e incentivadoras das pessoas sempre esteve em nós. Somos entusiastas do Lu e vibramos com cada conquista que ele tem e aproveitamos o dia a dia dele, e suas tarefas para mostrá-lo como é importante persistir quando ele não consegue de primeira vez, como é importante ser corajoso para tentar e através do nosso exemplo, vibrando com os interesses dele, o inspiramos a também pensar em ouvir o coletivo, respeitando o próximo e querendo contribuir com a felicidade de todos. Nunca fomos a favor de “comprar” o Lu com recompensas. E o post de hoje é sobre isso pois anda circulando na net um bilhete de um pai que cortou a internet da filha e deixou muita gente empolgada…

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Porque as pessoas empolgam com esse tipo de estratégia? Primeiro porque somos criados em um mundo totalmente comportamental e massificado onde aprendemos que quem não se encaixa em um padrão merece um castigo e devemos apenas cumprir com nossas obrigações para ganharmos uma recompensa! Desde pequenos somos avaliados e temos que cumprir a nota média na escola, quando crescemos trabalhamos para ganhar dinheiro, a maioria dos empresários investem suas cotas de patrocínio pensando em retorno financeiro (poderiam pensam em ajudar a comunidade em que estão inseridos né?), pessoas fazem exercícios para ter um corpo bonito (encaixar no padrão da mídia), comem para compensar um dia estressante, etc… Ao longo de décadas esse pensamento nos acompanha e isso é uma vantagem enorme para a mídia que quer manipular a massa (todos iguais, quem discorda tá fora de moda, é louco ou “alternativo”…) e falar o que devemos ter para nos sentirmos incluídos.

Bom, vamos ao bilhete, que dá uma sensação de alívio aos pais que ACHAM que estão controlando seus filhos… falsa sensação de controle… uma fantasia!!! A primeira coisa que pensamos quando vimos a imagem: esse pai está tirando a menina de casa pois hoje tem internet em tudo quanto é lugar! E a segunda coisa que pensamos é:

Será que esse pai alguma vez na vida arrumou o quarto dele com prazer na frente de sua filha? Será que ele já lavou a louça em casa algum dia? Será que ele é um exemplo do ser humano que ele gostaria que a filha fosse? Será que se a filha ficar sem internet em casa ela pode deixar o quarto bagunçado e a louça acumulada? Essa realmente é uma troca boa?

Esse tipo de forma de disciplinar, além de revoltar algumas crianças que se sentem obrigadas a realizar uma tarefa apenas para atender uma expectativa do próximo pode trazer muitos outras falsas sensações e aprendizados perigosos que propiciam a falta de ética. Quer ver um exemplo?

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Nessa tabela as crianças recebem a mesada completa caso se comportassem bem e a cada “deslize” seria descontado um valor do pagamento. Essa “técnica” também viralizou na internet pois a sensação de controle dos pais vem a tona… Mas é claro que essa sensação não é verdadeira pois há mil e uma maneiras de burlar essas regras! A criança primeiramente, caso a ideia seja efetiva, fará o que deveria ser feito pelo simples fato de ser bom pra ela, para receber sua mesada integralmente. Ou seja, pelo dinheiro. O dinheiro é patrão dela e referência de sucesso… ela se tornará materialista e achará que o dinheiro é mais importante que tudo! Caso ela ache que vale a pena faltar a aula e pagar um real, ela estará em seu total direito… e ela aprenderá também que ir à aula é mais importante (dá mais dinheiro) que escovar os dentes ou guardar os brinquedos! Baseado em que o pai escolheu esses valores???

Então agora vamos entrar na questão do uso de reforçadores, bastante usada em algumas terapias para autistas (e crianças típicas também). Vamos por enquanto deixar de lado os reforçadores como guloseimas ou qualquer tipo de comida pois esse é um problema muito maior do que pensamos e caso abordemos esse tema no blog, ele merecece um post exclusivo.

Em muitas terapias, o uso do reforço é recorrente e por isso eles mesmos utilizam o termo “treinamento” para definir o que fazem pois o aprendizado é tido através da repetição e da recompensa para as respostas corretas que o paciente tiver, independente de seu entendimento da importância daquilo para sua vida ou para o coletivo. O que procura-se obter nessa terapia é um resultado satisfatório para o exercício. Esse resultado nada tem a ver com a pessoa fazer aquilo porque quer ou porque entendeu a importância daquilo mas sim dela cumprir com o que é esperado dela ou melhor, de ela cumprir com sua obrigação. Esses tipos de terapias ignoram a origem de um comportamento de negação ou de uma forma diferente de fazer do paciente pois elas se atém exclusivamente na intervenção do comportamento errado ou inadequado (aqui podemos ler comportamento não esperado pelo terapeuta), a fim de modificá-los, ou seja, eliminar esses comportamentos indesejáveis (palavra correta pois o desejo parte apenas do terapeuta) e da instalação (na linguagem da análise do comportamento) de novos comportamentos que não fazem parte do repertório do indivíduo para aumentar a frequência de comportamentos desejáveis que já fazem parte de seu repertório. Treinamento é a palavra mais correta mesmo para esse “ganho” pois o paciente deve se encaixar ali, como uma máquina em que você aperta o botão e ela realiza o processo (para não fazer outras comparações mais polêmicas!) Inclusive já até escutamos em uma palestra sobre um método comportamental uma terapeuta explicar sobre o espectro autista usando termos como “autistas mais estragadinhos” e “autistas menos estragadinhos” e falando que o método ia modificando e consertando aquela pessoa… mas o pior não eram esses termos e sim que ver que o exemplo de ser humano perfeito na linha dos níveis de autistas era a foto dela.

Não há empatia nenhuma durante esse processo pois a única necessidade atendida é a do terapeuta e o objetivo maior é o alívio dos familiares.

Esse vídeo mostra claramente como somos ensinados a encaixar em padrões e a esperar por recompensas quando fazemos algo. Quando alguma mãe reclama de seu filho autista por exemplo ela quase tem que pedir desculpas por estar frustrada ou cansada já que o comportamento esperado dela é que ela tenha sucesso em seus afazeres e não cause problemas a ninguém pois assim estaria saindo fora do padrão. As terapias comportamentais consideram que os sentimentos são aprendidos e que são correlatos aos comportamentos observáveis, não sua causa… então todos nós aprendemos que devemos melhorar o ambiente a volta dos que estão com problemas para resolver aquilo pois assim a pessoa volta a funcionar corretamente. Não devemos reforçar aquele sofrimento ou aquele comportamento inadequado… Então como a maioria reage a um problema do próximo? Oferecendo um sanduíche, uma xícara de chá ou soluções imediatistas que façam com que a pessoa apenas pare de reclamar! Fomos ensinados culturalmente a encaixar em padrões (não podemos nos surpreender dessa forma que o machismo e outras culturas preconcietuosas existam pois desconstruir é complicado já que esses comportamentos foram reforçados durante décadas… e quem pensa nisso é porque teve uma educação libertadora! Diferente dessa que o comportamental propõe)

Esse ensinamento é aplaudido por muitas pessoas pois ele traz resultados rápidos já que ao fazer o esperado o paciente pode brincar com o que mais gosta ou pode ter uns minutos de prazer e assim ele vai aprendendo a agradar as pessoas (um perigo por sinal pois se torna uma presa fácil para manipulações já que ele se acostuma a não considerar suas vontades).

Qual a diferença dessa tabela feita pelo pai de crianças típicas para as tabelas da Super Nanny, muito utilizadas por familiares de autistas, com o uso de estrelas para conseguir o que se quer? Nenhuma! As crianças farão suas responsabilidades apenas para ganhar seus prêmios e notarão como é fácil assumir o controle disso tudo!

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Ser aplaudido apenas nos momentos que acertamos ou cumprimos com o que é esperado, gera uma vontade muito grande de ficar na zona de conforto ou uma sensação de que não sou amado quando “erro”, tenho algum problema ou não ajo conforme o esperado. Para continuar ganhando o que quero eu fico dentro do que sei fazer bem, ignorando o fato de que posso ir além, de que posso colaborar mais se tentar algo inovador.

Dra. Dweck realizou uma série de quatro testes com 400 alunos da 5ª série de uma escola de New York. O primeiro teste era um quebra-cabeças extremamente simples para crianças dessa idade. Como era esperado, todas as crianças conseguiam realizá-lo facilmente. Nenhuma surpresa até aqui…

Mas é aí que começa a parte interessante da pesquisa. Cada vez que uma criança completava o teste, a pesquisadora lhe informava a sua nota e fazia um curto elogio. Metade das crianças eram elogiadas pela sua inteligência: “Uau, você deve ser muito esperto!”. Já a outra metade era elogiada pelo seu esforço: “Uau, você deve ter se esforçado muito!”

Logo na segunda tarefa, as diferentes consequências desses dois tipos de elogios começavam a aparecer. Agora, a pesquisadora perguntava se a criança desejava um teste do mesmo nível do primeiro ou se preferia algo um pouco mais difícil e desafiador. Adivinhou? As crianças “inteligentes”, evitando colocar sua imagem em risco, preferiam o teste mais simples, enquanto as crianças “esforçadas” pediam o teste mais difícil.

Na terceira etapa, a coisa se complicava. Todas as crianças receberam outro quebra-cabeças, dessa vez bastante complexo, projetado para crianças dois anos mais velhas. Inevitavelmente, todas falhavam. Entretanto, a atitude frente ao fracasso também foi significativamente diferente entre os dois grupos. Os “esforçados” persistiram por muito mais tempo, assumiram a responsabilidade pela falha e muitos (mesmo sem a pesquisadora perguntar) afirmaram que esse foi seu teste favorito. Já os “inteligentes” desistiam mais rapidamente. Além disso, assumiam a falha como uma prova de que na verdade não eram inteligentes como haviam sido levados a crer. Ou seja, o primeiro fracasso foi suficiente para fazer sua auto-estima despencar. “Bastava observá-los para ver a tensão.” descreveu a Dra. Dweck, “Eles estavam suando e se sentindo miseráveis”.

Alguns terapeutas comportamentais ignoram os comportamentos “inadequados” desviando a atenção da criança para uma ação dentro de sua zona de conforto para que ela receba um elogio no momento, reforçando assim uma ação “adequada” e elas também não trabalham com erros (antecipando a ação com a resposta certa ou dando dicas). Esse bater palmas e elogiar apenas o comportamento positivo traz, além de um reforço forçado (pois as comemorações vão ficando automáticas e assim vão perdendo forças), uma necessidade muito grande de reconhecimento. Isso não acontece apenas com autistas que passam por esse tipo de terapia mas com todos nós pois vivemos em uma cultura comportamental e massificada (pela TV, pela escola, pelos nossos familiares, etc)… Acham que as redes sociais fazem esse sucesso todo por que? Achamos até engraçado pois muitas pessoas que amam as terapias comportamentais reclamam que na internet são compartilhadas apenas as coisas bonitas e alegres… por que será? Será realmente que o mundo nos deixa a vontade para ser quem somos? De onde vem tanta necessidade de curtidas e aplausos?

Ao comemorarmos as conquistas de forma genuína, realmente interessados naquela aprendizagem, mostramos à pessoa que realmente nos importamos com aquele sucesso e que sabemos que ele veio através do esforço pois participamos ativamente do processo de conquista. Realmente nos colocamos no lugar daquela pessoa e valorizamos o caminho seguido. Então, encorajar as pessoas a tentarem, mesmo tendo dificuldades, faz com que elas acreditem que são capazes e muito mais do que isso, são amadas em todos os momentos. Não há porque esconder um erro ou porque fazer uma coisa que não se quer apenas porque tem que ser feito, porque é esperado.

A criança educada na responsividade e na educação positiva sabe que é apoiada em todos os momentos e que tentar e persistir é muito mais importante que acertar e que falhar não é o fim do mundo, está tudo bem, sem problemas! Seus pais e terapeutas a respeitam e estão ali ao lado independente de qualquer coisa e mais do que isso, eles também falham e pedem desculpas caso isso aconteça! Nessa forma de educar, as comemorações acontecem não só ao final do processo: há os elogios a coragem de tentar e persistir e há os elogios descritivos ao final do processo (falando o que está percebendo para mostrar que realmente está envolvido: Ex – “Uau, eu entendi, você falou aua para água!” ao invés de ficar repetindo apalavra água enquanto nitidamente a criança se esforça para falar água / Ex2: “uau, vejo que se esforçou fazendo seu desenho, com árvores grandes e uma casa colorida! Ficou bem desenhado! O que podemos colocar no céu para aquecer e iluminar a paisagem?”; ao invés de “falta alguma coisa no céu desse desenho… melhore e traga para eu ver”).

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Essas comemorações melhoram a relação entre as pessoas e no caso de autistas, evitam isolamentos (autistas se isolam por medo de errar ou se frustar ou frustrar o outro e por isso mesmo isso deve ser desmistificado para ele) e ensinam o autista se controlar emocionalmente, já que percebem que errar é natural e que todos a sua volta passam por processos de tentativas e chegam ao resultado desejado após persistirem, se dedicaram bastante com pesquisas, estudos e experimentos.

Os pais precisam entender com urgência que uma birra ou uma negação não é uma atitude pessoal, que acontece como uma forma do filho mostrar quem manda ou para controlar os pais. Um filho pode se negar a fazer algo simplesmente para se sentir diferente dos pais (isso acontece em uma pessoa típica por volta dos 3 anos de idade, quando ele descobre que é um indivíduo que pode fazer coisas diferentes das que os cuidadores fazem), por estarem cansados, por se sentirem com medo ou ameaçados, sem saber o que fazer ou sem saber como comunicar todas essas hipóteses (aqui se encaixam bebês típicos e autistas, principalmente os não verbais) ou seja, seus sentimentos. Já ouvimos dezenas de relatos de autistas “mau comportados” que tinham problemas dentários, nos rins, intestino entre outros.

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Ao ignorarmos essa comunicação, seja ela vinda de uma criança autista ou de uma criança típica, ignoramos seus sentimentos, não a ajudamos a lidar com seus problemas e não somos empáticos, resolvendo apenas nosso problema (acabar com a birra). Ao revidarmos, caímos na tentadora armadilha de disputa de controle (em que perderemos a guerra pois eles tem muito mais energia que nós, por serem mais novos ou no caso de autistas, nem precisamos explicar… a maioria é ligada no 220 e não desiste fácil!) ou, no pior dos casos, nossa tendência é impor e mostrar quem manda, ensinando que o mais forte sempre vence (essa criança vai crescer tá bom?) e que poder tem a ver com imposição e não com flexibilidade (qualidade que precisa ser trabalhada e precisamos dar o exemplo né? Se não, seremos contraditórios).

Deu pra perceber que somos totalmente contra castigos ou punições né? Assunto para um próximo post pois isso dá pano pra manga! Em caso de autistas, principalmente não verbais, queremos deixar bem escrito aqui que as “birras” podem ser desconfortos biológicos (mais de 85% dos autistas tem como comorbidade o intestino permeável e as alergias, que causam dores, irritabilidade e confusão) e ficar de castigo, apanhar ou ser ignorado por sentir dor é uma injustiça muito grande.

Bom, para finalizar esse post, que é um alerta a favor da educação da liberdade, propomos algumas perguntas para o leitor:

- Você alguma vez já se perguntou: “o que eu ganho com isso?” ao ouvir uma proposta?
- Você alguma vez achou ruim de seu marido te jogar na cara que ele põe tudo em casa então ele quer que você não reclame de nada pois você tem empregadas, um cartão de crédito ou um carro e que sua obrigação é cuidar da casa?
- Alguma vez você ouviu de um chefe que você não é paga pra pensar e sim para fazer?
- Alguma vez você teve seu pagamento descontado por faltar o trabalho, mesmo apresentando uma justificativa plausível?
- Você já fez as contas de quantos pontos precisava pra passar de ano e nem se importou para o conteúdo da escola pois o importante era ser mediano?
- Alguma vez você achou que ser chamado de esforçado ao invés de inteligente era um xingamento?
- Você já pensou em fugir de casa por medo de seus pais ou até em se matar para não enfrentar um castigo?

E a última pergunta do post é? O que você espera da educação de seu filho autista? Se você responder que quer que ele tenha autonomia, valores humanos e seja uma boa pessoa, repense nesse sistema de recompensas! Esse sistema cria pessoas egoístas que só fazem o que tem que fazer se houver vantagens. É prazeroso estar ao seu lado? É gostoso dividir tarefas com você? Você é um exemplo do que quer que seu filho seja? Essas perguntas sempre devem ser feitas! Autistas muitas das vezes são exigidos de coisas que nem um adulto típico realiza.

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Qual a alternativa para abrir mãos do sistema comportamental? Educação positivista, responsiva, respeitando os valores e o ser individual que cada um de nós somos. Nós adoramos o modo como o programa SonRise educa, adoramos ter conhecimento da Comunicação Não Violenta e de como ela trabalha nosso olhar para nossas necessidades e para as necessidades dos outros e conhecemos há 3 anos a Antroposofia e educação do espírito. Indicações de caminhos para um pensar mais livre!

Fontes:

Imagens:
iceberg
Foto família
Tabela de Incentivo
Bilhete Pai
Tabela Mesada

Texto:
A Arte de Educar
Sandra Coordenadora
Gestão Escolar
Rescola <— Clique nesse link para ver um vídeo em inglês da experiência da Dra. Dweck

A importância da Terapia Ocupacional

Oie!!! Voltamos com um tema super importante (qual não é? hahaha). Vamos falar de uma característica associada ao autismo: integração sensorial.

A integração sensorial é o processo pelo qual o cérebro organiza as informações, de modo a dar uma resposta adaptativa adequada, organizando assim, as sensações do próprio corpo e do ambiente de forma a ser possível o uso eficiente do mesmo no ambiente. As nossas capacidades de processamento sensorial são usadas para a interação social; desenvolvimento de habilidades motoras e para a atenção e concentração.

O PROCESSAMENTO SENSORIAL inclui a recepção de um estímulo físico (Registo Sensorial), a transformação do estímulo num impulso neurológico (Orientação), e a percepção (Interpretação), ou seja, o consciente experimenta as sensações e em seguida organiza uma resposta adaptativa adequada e executa-a. As funções de processamento sensorial ocorrem continuamente e de uma forma rápida e inconsciente. (Um exemplo deste processo é a reação após tocar numa superfície quente)

Todos temos dificuldade em processar determinados estímulos sensoriais (um certo toque, olfato, paladar, som, movimento, etc) e todos temos preferências sensoriais. Só se torna um transtorno do processamento sensorial quando temos uma “experiência perturbadora”, uma enxurrada de estímulos com um impacto significativo sobre a capacidade de filtragem ou funcionamento diário. Esse processo gera uma disfunção neurológica chamada Transtorno do Processamento Sensorial (TPS).

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Através desse quadro e do link no começo do post, vocês podem conhecer alguns sinais de TPS. Quando existem distúrbios sensoriais, estes podem afetar o desenvolvimento e as habilidades funcionais, quer sejam no comportamento, na parte motora, cognitiva, quer sejam no nível emocional. Isso pode resultar em sentimentos de baixa auto-estima, levando-os a preferir o isolamento ao invés de interagir com os seus pares. Algumas pessoas apresentam excesso de reatividade o que pode levá-los a serem rotuladas como impertinentes, “fora de controle” ou perturbadoras nas aulas, afetando seu desempenho acadêmico na escola. E, infelizmente, a má compreensão dos pais e educadores em como responder às crianças com esse tipo de desordem, muitas vezes leva a sentimentos de frustração, possível depressão ou comportamento agressivo.

Os pais costumam saber e entender, melhor que ninguém, as crianças e, por isso, são capazes de perceber quando elas estão felizes ou sofrem por qualquer motivo. Mas às vezes é a causa de felicidade ou frustração que não é compreendida, e se nós a entendermos, é mais fácil desenvolver ações que ajudam no desenvolvimento do filho/filha.

Às vezes pedimos para as crianças certos comportamentos ou execuções de algumas tarefas e elas ainda não estão prontas, ou seja, ainda não adquiriram competências necessárias para tal. Por exemplo, com a idade de cinco anos, a criança desenvolve a parte de percepção motora como a coordenação olho-mão, controle de olho-mão, ajuste postural, organização espacial, estruturação espaço-tempo, manter a atenção – processos que são pré-requisitos para o bom desenvolvimento de habilidades motoras finas e suas competências acadêmicas básicas, tais como a escrita. Isto quer dizer que com quatro anos essa criança não está pronta para escrever.

É importante deixar claro que existe uma ordem no desenvolvimento da aprendizagem. Wiliams e Shellenberger (1996) formularam uma pirâmide para ilustrar esse processo.

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Na base da piramide encontramos alguns sentidos que não são os clássicos (visão, audição, paladar e olfato), porque o nosso sistema nervoso precisa de pré-processar o toque, movimento, força gravidade e posição do corpo. Este processamento sensorial estabelece uma boa base para o desenvolvimento de todo o resto.

– Sistema Tátil: o sentido do tato – resposta dos receptores da pele sobre o toque, pressão, temperatura, dor.

- Vestibular: situado no ouvido interno – responsável pelas reações ao movimento e equilíbrio.

- Proprioceptivo: o sentido da “posição” – como o cérebro interpreta a posição do corpo, peso, pressão, alongamento, movimentos e alterações na posição. A capacidade de perceber espacialmente, cada segmento corporal em particular ou o corpo como um todo, tanto em situações estáticas, como nas atividades que demandam movimento (dinâmicas).

A interação com os sistemas é complexa e necessária para interpretar uma situação de forma rigorosa e fazer a resposta adequada e apropriada. E é assim que você pode compreender o conceito de integração sensorial, tais como a capacidade do nosso sistema nervoso central para organizar e interpretar informações capturadas pelo sistema sensorial (visual, auditivo, gustativo, olfativo, tátil, proprioceptiva e vestibular) com o objetivo de responder adequadamente em nosso ambiente. Vamos explicar cada item da piramide para vocês entenderem cada processo e valorizarem cada aprendizado.

- Auditivo: contribuição relativa aos sons, a habilidade de perceber corretamente, discriminar, transformar e reagir a sons;

- Oral: Relativo à boca, a habilidade de perceber corretamente, discriminar, processar e responder aos paladares ou a estímulos dentro da boca;

- Olfativo: relativo ao cheiro, uma habilidade de perceber corretamente, discriminar, processar e responder a diferentes odores.

- Visual: relativo à vista, a habilidade de perceber corretamente, discriminar, processar e responder ao que se vê.

- Segurança postural: estabilidade e condições para o movimento, como a habilidade de assumir e manter a posição corporal desejada durante uma atividade quer seja essa estática ou dinâmica.

- Consciência dos dois lados do corpo: realizar movimentos utilizando lados direito e esquerdo

- planejamento motor (praxia): é a capacidade de uma criança de organizar, planejar e executar habilidades motoras perfeitas, novas ou não praticadas.

- Esquema corporal: é a consciência do corpo como meio de comunicação consigo mesmo e com o meio.

- Maturação dos reflexos: desempenho mecanicamente eficiente coordenado e controlado.

- Discriminação sensorial: habilidade para interpretar as características temporais e espaciais dos diferentes estímulos sensoriais. (ver tabela no início do post)

- coordenação olho-mão: consiste na realização de atividades com as suas mãos e os seus olhos trabalhando juntos.

- Sistema motor ocular: reflexo que estabiliza as imagens na retina durante o movimento da cabeça ao produzir um movimento ocular na direção oposta ao movimento da cabeça, desta maneira preservando a imagem no centro do campo visual. Por exemplo, quando a cabeça se move para a direita, os olhos se movem para a esquerda, e vice-versa.

- Ajuste postural: estabilidade e condições para o movimento, como a habilidade de assumir e manter a posição corporal desejada durante uma atividade quer seja essa estática ou dinâmica.

- Habilidades linguísticas e visuais:
Linguísticas: falar, ler, compreender o que escutou, escrever.
Visuais: discriminação visual, memória visual, relação viso-espacial, constância de forma, memória sequencial visual, figura e fundo visual

- Percepção visuo-espacial: a identificação de um estímulo e a sua localização (leitura de mapas, por exemplo)

- Funções de atenção e concentração:
Atenção: é um processo cognitivo pelo qual o intelecto focaliza e seleciona estímulos, estabelecendo relação entre eles. A todo instante recebemos estímulos, provenientes das mais diversas fontes, porém só atendemos a alguns deles, pois não seria possível e necessário responder a todos.
Concentração: é o uso da mente focada em um determinado objeto; é a capacidade de abstrair-se num ponto, focar um alvo e mantê-lo pelo tempo que desejar.

- Atividades de vida diária (AVD): são as tarefas pessoais concernentes aos autocuidados e também a outras habilidades pertinentes ao cotidiano de qualquer pessoa. (arrumar a cama, tomar banho, se vestir, etc)

- Comportamento: é definido como o conjunto de reações de um sistema dinâmico face às interações e renovação propiciadas pelo meio onde está envolvido.

- Aprendizado acadêmico: processo pelo qual as competências, habilidades, conhecimentos, comportamento ou valores são adquiridos ou modificados, como resultado de estudo, experiência, formação, raciocínio e observação

Através da Integração Sensorial, a criança vai organizar a entrada sensorial para seu próprio uso. Quem vai ajudar nessa área é a Terapeuta Ocupacional (T.O.)

As terapeutas ocupacionais trabalham para promover, manter e desenvolver as habilidades necessárias para que o cliente/paciente (neste caso, as crianças com TEA) seja funcional nos ambientes que integra. A participação ativa dessas crianças nos seus ambientes de vida promove:

Aprendizagem
Autoestima
Autoconfiança
Independência
Interação Social

Os terapeutas ocupacionais utilizam uma abordagem holística nos seus programas de intervenção.

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Os pais sempre se questionam se estão excessivamente preocupados em determinadas metas de crescimento no desenvolvimento da criança ou se devem procurar intervenção precoce quando eles suspeitam de problemas sensoriais. A questão é: a intervenção terapêutica é necessária ou os sintomas melhoram à medida que a criança cresce?

Para que esperar se, a cada dia, é provado que a intervenção precoce proporciona melhorias significativas no desenvolvimento da criança com TPS. O tratamento é feito de forma individualizada, depois de uma conversa com os familiares e testes feitos para saber as capacidades e dificuldades do paciente.

Estudar essas habilidades, ter em mente que todas estão interligadas, que há uma ordem de estímulo a ser feita pois muitas habilidades dependem de pré requisitos para serem adquiridas e ter o acompanhamento profissional adequado, com metas estabelecidas e auxílio para que as habilidades trabalhadas em terapia sejam reforçadas em casa, são muito importantes para que a pessoa com autismo não seja cobrada injustamente, gerando frustração para ele e para os familiares também.

fontes:
Cuidar Criança
Baoba Infantil
Teache me mommy
Indonesiaexpat
Reab me

Livro: O Extraordinário – R.J. Palacio

Extraordinário não é um livro comum. É um livro que chama atenção pela capa, toda azul com um desenho simples de um rosto… tão simples que você se encanta de cara. Sem efeitos mirabolantes ou traços perfeitos, o desenho atrai os olhares e a vontade de ler a sinopse que começa com a frase: não escolha um livro pela capa… E mais um detalhe: as palavras livro e capa são riscadas e corrigidas tornando a frase assim: não escolha um menino pela cara.

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De cara refletimos sobre nossos julgamento perante as pessoas que não nos agradam apenas por sua aparência. Tatuagens, cabelos, cor da pele, vestimentas… DEFICIÊNCIAS ou COMPORTAMENTOS… Desde a primeira vez que ficamos sabendo do livro ficamos loucas pra comprar, mas não imaginávamos nem de perto o quanto iríamos amar e querer indicá-lo a todas as pessoas. August, personagem principal do livro, não é autista mas garantimos a vocês que todos que lerem o livro vão se sentir, nem que por um instante, meio Auggie (como preferimos chamá-lo, pelo apelido pois nos sentimos muito próximas dele já).

O livro é uma lição de como devemos encarar a vida de frente e o quanto nos prendemos a problemas, que depois que passam (e vemos que somos capazes de resolver), nem eram tão assustadores assim! A história é dividida por unidades e em cada uma delas uma personagem mostra seu ponto de vista. O livro tem início com a visão de August, um garoto de 10 anos que tem uma síndrome genética rara que faz com que ele tenha uma deformidade facial e por isso teve que passar por muitos procedimentos cirúrgicos e complicações médicas e por isso nunca frequentou a escola. Com 10 anos, ele tem essa oportunidade e divide com o leitor como se sente em relação a isso! Uma lição de vida!

A autora também coloca a participação de Via, irmã mais velha de Auggie; Jack, colega de escola; Justin, namorado de Via e Miranda, amiga de infância de Via. Cada um fala a seu modo, com sua maturidade e apresenta sua visão de como é conviver com Auggie Pulmmam! São verdadeiros, é como se estivéssemos lendo seus pensamentos… confessam coisas que sentimos e jamais confessaríamos! Muito bom pros pais verem o lado dos irmãos, dos colegas de aula, do lado “de lá” da história! As vezes queremos que nos entendam mas não paramos pra ouvir o outro! Vemos que não devemos ser juízes de nada pois as vezes o que parece egoísmo pode ser necessidade de acolhimento, conversa e amor. E sem procurar ouvir, sem nos despirmos de melindres ou ficarmos fragilizados com tudo que ouvimos, perderemos muitas pistas de como agir para “consertar” tudo! Pisar em ovos eternamente ou criar um escudo do mundo real é uma armadilha tentadora! Aqui, abrindo um parenteses, é como sempre ouvimos a frase “autistas não têm empatia”, mas quem fala nunca parou pra se colocar no lugar do autista… incoerência total!

Uma história que mostra nossa verdadeira capacidade de empatia e como devemos nos permitir experimentar os sapatos dos outros, livres de qualquer pensamentos ou rótulos… só temos a ganhar e crescer. Auggie sabe que é diferente mas para ele, ele é um garoto comum, como os outros garotos de sua idade:

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Há também um detalhe muito especial no livro que são os preceitos do Sr Bowne, professor de inglês que ensina às crianças como construir atitudes de gentileza através de cada pensamento que traz para a sala de aula todos os meses e propõe as crianças para que no final do ano escrevam os seus próprios! Tão linda essa ideia que a autora a expandiu em seu tumblr. seu app que desenvolveu para as pessoas compartilharem gentilezas e pensamento de amor! Acesse aqui e vejam o quanto esse livro além de ter trazido um assunto importantíssimo, virou um projeto bem maior: até um planejamento de atividades dentro de sala e um desafio para ver qual sala de aula é mais gentil (a autora prometeu prêmios para as melhores salas) e certificados de gentileza para os professores imprimirem e presentearem os alunos! Se você é professor, se inspire e se não for, faça uma competição na sua família!

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Com tanto sucesso que o livro teve, os leitores queriam outro livo mas a autora não queria fazer uma continuação da história e então surgiu a ideia de aprofundar mais na vida de algumas personagens e ela escreveu outros 3 contos e dentre eles o conto de Julian, o garoto que pratica bullying na escola de Auggie. Esse conto é o único que podemos dizer que é uma pequenina continuação mas bem mais aprofundado na visão de Julian. Mostrar essa visão em um outro livro foi uma jogada perfeita da autora para que não haja competição entre as histórias pois Auggie, no Extraordário, é um embaixador da empatia e apresentando os dois lados da história em um mesmo livro, nenhum dos dois teriam a atenção merecida! Recomendamos muito a leitura desse livro também, pois as 3 histórias são incríveis e principalmente o são pelo fato de podermos reconstruirmos nossos pre julgamentos! Julgar é normal, todo ser humano julga (até por uma questão de segurança fazemos isso)… o duro é nos apegarmos aos nossos PRÉ-conceitos e perdermos oportunidades incríveis. O livro se chama Auggie e eu, três histórias extraordinárias e ele tira aquela sensação de perda que ficamos quando acabamos um livro que amamos!

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Em 2015 foi sancionada a Lei que Institui o Programa de Combate à Intimidação Sistemática (Bullying). e foi um passo importante mas sabemos que essa lei, por si só, não combate as agressões físicas e psicológicas que correm na escola! Nosso próprio Sistema educacional deveria ser todo revisto para essa situação mudar pois está cada vez mais evidente em sala de aula a competição entre os alunos (e não a amizade, a irmandade) por melhores notas, para terem nomes em listas ou para ganharem medalhas de melhores alunos. Precisamos também mudar muito a nossa cultura para evitarmos ensinar essas atitudes dentro de casa. Frases como “quem não estuda vira lixeiro” ou “se você não comportar o homem da rua te pega” entre outras que minimizam a importância de todas as profissões (fique uma semana sem retirar o lixo e valorize seu lixeiro!) e não construiremos imagens falsas como a de que todo morador de rua é uma má pessoa. Há infelizmente até quem diga que deficientes forma castigados por Deus ou que Autistas tem o diabo no corpo ou cuidado que ele pode ser violento… isso tudo, constrói na cabeça de uma criança inocente, o preconceito. É nosso dever termos atitudes de gentilezas e incentivarmos cada vez mais a coletividade, mostrando que ao sermos egoístas quem perde somos nós. Trabalhos sociais, doações de brinquedos e roupas feitas em conjunto com as crianças e adolescentes, pesquisas e conversas sobre a imposição da mídia e da moda ajudam no combate do bullying! Respeito às diferenças não é fingir que elas existem e sim enxergar a beleza delas! Uma criança que tem uma mediadora por exemplo ou faz provas com mais tempo, isso não é uma vantagem e sim uma necessidade! Façam dinâmicas com os alunos em que eles tenham que fazer a prova com um fone de ouvido, com a mão não dominante, em outra lingua, etc… Professores devem tornar esse assunto um assunto de interesse de todos, não para apontar culpados mas mostrando a vantagem da união!

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Vamos praticar a gentileza?