Funções Executivas

Esse post é um complemento do post sobre memória e atenção. Resolvemos dedicar um post só para esse tema, pois assim o outro post não ficaria longo demais e para que vocês leiam com atenção sobre essas funções que são tão importantes no nosso dia a dia.

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Funções executivas (FE) são funções reguladoras do comportamento humano, funções necessárias para formular metas e planejar como alcançá-las. São todas as atividades mentais autodirigidas que ajudam uma pessoa a resistir a distração, solucionar problemas internos e externos e criação de estratégias para alcançar um objetivo.

Vamos dividi-las em duas categorias principais: habilidades de pensamento e auto-regulação.

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Muitos alunos têm problemas com o funcionamento executivo, em especial os com autismo e TDAH.

É importante reconhecer que o funcionamento executivo não está relacionado com a inteligência. Você pode ter um QI de gênio e ter um sério comprometimento para habilidades em FE. Da mesma forma, você poderia ter um QI mais baixo e tem grandes habilidades e ser capaz de funcionar no dia-a-dia de forma mais eficaz. É importante reconhecer que as dificuldades em FE não são preguiça. O aluno não faz sua lição de casa porque ele não consegue. Muitas vezes, esse mesmo aluno, passa horas a cada noite tentando, mas não realiza a tarefa. Déficits de funcionamento executivo são reais e temos que trabalhar para resolvê-los e ensinar o aluno a ser mais capaz de ajudar a si mesmo para ser bem sucedido.

Existem algumas chaves para abordar habilidades de funcionamento executivo que significa ir além de apenas ensinar estratégias individuais. O foco deve ser em ensinar os alunos a desenvolver, utilizando estratégias de acesso e utilização, e não apenas fornecer acomodações.

Então, quando avaliar os déficits de uma pessoa, uma das principais perguntas que precisamos fazer é se é um déficit de motivação ou um déficit de habilidade. Muitas vezes é uma questão de motivação. Isso significa que temos de encontrar formas de motivação do indivíduo para utilizar as estratégias. Acabamos focamos no problema e achamos que ele é difícil e ele não é. Vamos pegar o exemplo de um autista que não quer ir pro banho e isso acontece diariamente. Esse é um problema muito comum entre autistas por uma variedade de razões. Em primeiro lugar, muitos desses indivíduos não reconhecem o impacto que não tomar banho tem sobre uma rotina por causa de seus déficits sociais. Tem também questão sensorial, que torna esse momento complicado. Tudo isso diminui a motivação. Se a criança não sabe como encaixar o banho na sua rotina sem se desregular, então precisamos pensar em formas de motivá-lo para tomar motivadores externos que vão além do normal que é se sentir fresco e limpo (o reforçador para a maioria de nós). Esta criança não é preguiçosa; ela não está motivada para superar problemas reais que tornam o banho difícil e sem sentido para ela.

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Uma vez que podemos determinar se a função subjacente dos comportamentos é a motivação ou habilidade relacionada, podemos começar a desenvolver intervenções baseadas nessas funções. Se é uma questão de motivação, precisamos aumentar o reforço para completar a tarefa usando a estratégia ou diminuir o esforço envolvido, de alguma forma, de modo que não é preciso tanta motivação. Exemplo: Se a criança (adolescente ou adulto) não quer tomar banho, você tem que tornar a atividade atraente e usar algum reforçador: decorar o banheiro, comprar brinquedos de banho, mostrar a importância do banho, levar personagens preferidos para tomar banho junto, premiar com elogios cada etapa conquistada. Outra maneira de agir é diminuir o esforço: faça pequenas metas. Não exija que a criança tome banho sozinha todos os dias de forma perfeita como um passe de mágica. Brinque no banho e o ajude a fazer tudo. Depois que ela estiver adaptada ao ambiente e o banho tiver na rotina, comece a ensiná-lo a tomar banho sozinho aos poucos. Primeiro ensine a lavar as mãos e braços, o resto com ajuda, depois as pernas e pés, até se lavar por completo. Depois ensine a escolher roupas, colocar, etc. Tudo aos poucos.

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Se é um déficit de habilidade, então nós temos que dividir a tarefa e ensinar os passos sistematicamente. Se um aluno tem dificuldade para fazer um trabalho a longo prazo porque ele não consegue organizar os passos e seguir adiante, então temos que ensiná-lo a adquirir essa habilidade.

Distribuir a tarefa em passos (por exemplo, escolher um tema, pesquisar o assunto, fazer um esboço, escrever um rascunho, escrever o projeto final); em seguida escrever os passos em um calendário com a data final (data da entrega). Obs: Fazemos isso também com tarefas de casa: se a tarefa é pra daqui a dois dias, fazemos metade em um dia e metade em outro. Quando tem que entregar tudo no mesmo dia dividimos assim: Quando você chegar no número 3 te damos pausa de 10 minutos. Quando você chegar no 6 paramos para assistir um vídeo sobre máquinas de lavar. Quando acabar você ficará livre pra descansar e fazer o que quiser. E colocamos no concreto, em uma folha a parte todas as tarefas e a medida que vão sendo concluídas, riscamos e comemoramos!

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Temos que oferecer estratégias e não acomodações para que o autista adquira independência como os outros alunos e domine habilidades FE. Depois temos que ensiná-los a criar suas próprias estratégias de planejamento e organização. Temos que ensiná-los também a lutar pelos seus direitos: mais tempo nas provas, provas adaptadas, etc. É claro que isso acontecerá com autistas verbais e mais velhos.

A verdade é que todos nós usamos acomodações e estratégias para nos ajudar com funcionamento executivo. Usamos post-it, bips em celulares, secretárias que comandam as agendas, etc. Mas temos que trabalhar a diminuição de ajuda até que a pessoa consiga agir de forma independente. Temos que preparar nossos meninos para o ensino fundamental II, ensino médio, faculdade e mercado de trabalho desde que eles são pequenos.

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Outras estratégias:

- Pense em um mural estratégico ou para toda a classe com ferramentas para organizar materiais, tarefas e tempo de cada atividade.

- Ter tempo para a reflexão em sala de aula ou atividades para que os alunos adivinhaem quanto tempo cada atividade vai tomar.

- Escolher, a cada atividade, um aluno para cuidar do tempo. Ele fica com um temporizador e avisa quando acabar o tempo da atividade.

- Trabalhar com eles o uso de um calendário para que possam planejar seus deveres.

Concluindo e recapitulando:

As principais funções executivas “básicas” são:

- atenção (seletiva, concentrada e difusa);

- memória de trabalho;

- controle inibitório (contenção dos impulsos);

- auto-regulação (inclusive emocional)

- Metacognição (capacidade de raciocinar sobre o próprio conhecimento cognitivo).

Essas funções executivas básicas são a base para a estruturação de processos executivos mais complexos como:

- planejamento (requer alto grau de atenção, memória de trabalho, adequado controle inibitório e auto-regulação, além de uma habilidade metacognitiva aguçada);

- tomada de decisão (também requer o uso de todas as habilidades acima citadas);

- flexibilidade cognitiva (considerar diversos pontos de vista, aprender rapidamente e mudar de estratégia quando as estratégias previamente aprendidas já não surtem mais o efeito desejado);

- manutenção do foco e persistência ao alvo (capacidade de manter “na sua mente”, por períodos que podem ser relativamente longos, o seu objetivo e persegui-lo, mesmo que precise mudar de estratégias e fazer novas re-avaliações e planejamentos).

Brinquem junto com suas crianças, adolescentes e até adultos! Fiquem com a mensagem abaixo!

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Fontes:

Este post é tradução deste link (inclusive imagens) com adaptações do Estou Autista!
A Special Sparkle
July Neuro
Sweet land – imagem coração

Um dia inesquecível!

Desde que Lu é pequeno levamos as paixões dele á sério! Sempre achamos que esse era o caminho, a porta de entrada para uma conexão cada vez mais forte! Antes de conhecermos as informações que temos hoje, antes de sabermos da existência do son rise, já sabíamos que para conquistá-lo, deveríamos mostrar pra ele que ele podia confiar na gente, que a gente não achava um bebê que gostasse de motores esquisito. E era assim: levávamos ele no parquinho e a invés de ele querer ir no pula pula inflável, ele ficava interessado na bomba de ar ou no cooler do motor dos brinquedos ou brincava de forma inadequada com os brinquedos, principalmente se tinha algo que dava para girar! Claro que no começo a gente ficava meio frustrada pois todas as crianças estavam pulando alegres e a gente achava que ele estava perdendo tempo olhando o motor. Até que um dia pensamos: mas o parque dele é esse… os motores!!!

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Bom, pra quê explicar isso tudo? Porque hoje, Lu tem quinze anos e se enumerarmos as paixões dele que se tornaram nossas paixões, vocês vão achar o gosto dele muito exótico (tá bom, esquisito, se preferir): antenas internas (em uma época de TV a cabo), hidrômetros, relógios, collers, ventiladores, máquina de lavar…

Lu AMA ventiladores e máquinas de lavar! Em seu tempo livre Lu assiste vídeos de máquinas de lavar de todos os tipos: funcionamentos, funções, reclamações, apresentações, etc. Por conta disso nessa busca pelo youtube sobre o tema, ele se apaixonou por um canal chamado “Roupa Suja se Lava na Máquina”. O dono desse canal se chama Fernando Ricci e ele faz vários vídeos sobre as funções das máquinas que ele recebe para testar. Ele fala das funções, dos lançamentos, do tempo, dá dicas… Lu ama e vê o mesmo vídeo várias vezes e a partir disso ele começou a fazer seus próprios vídeos, filmando e narrando, como Fernando faz. A partir disso ele gosta de ir na Fast Shop filmar as máquinas (pois nessas lojas as máquinas funcionam para teste e em outras não), gosta de entrar em lojas de eletrodomésticos (e sim, vamos ao shopping e ficamos 2 horas com ele na loja esperando os vídeos ficarem prontos), ama por a roupa da casa dele pra lavar (está sofrendo um pouco porque com essa falta de água não pode ficar lavando roupa toda hora, mesmo a máquina dele sendo ecológica).

Fernando ficou sabendo que o Lu existe quando entramos em contato com ele falando que Lu adora o canal. Lu não queria estudar, estava na fase de não querer nada com a dureza (adolescência) e então tivemos a ideia de pedir para que Fernando o incentivasse mostrando que para tudo na vida, é necessário dedicar-se, estudar, persistir! Ele até fez um vídeo especial só pro Lu, mostrando o motor de uma máquina pequena e falando pro Lu que ele estudou muito pra ter esse canal, que Lu tinha que se dedicar bastante na escola… Lu amou o vídeo, ficou muito feliz mesmo… tão feliz que demorou uns dias pra assistir depois que ficou sabendo da existência de um vídeo especial pra ele… ele ficou sem reação!!!

E depois desse vídeo, Lu se achou íntimo do cara! Queria ir visitá-lo de qualquer jeito! E então, entramos em contato, marcamos um dia e seguimos viagem pra Sampa! Ficamos hospedados na casa da Fernanda, nossa irmã, e foi bem na época da copa do mundo. Saímos cedo de casa para não atrapalhar o Fernando a ver nenhum jogo e ficamos a manhã toda lá! Lu ficou louco em ver o Fericci (nome dele no canal) em carne e osso! Haviam muitas máquinas, filmamos, colocamos todas pra funcionar, brincamos com os gatos dele, fizemos amizade e até descobrimos algumas coisas em comum dele com Lu. Ele adora máquina desde pequeno, gosta de jogar o gênios (aquele jogo de memória que hoje chama simon), e sempre defendeu as máquinas de lavar… rimos muito com as histórias!

Fernando é muito gente boa e ficou muito feliz de nos receber e sentir tanto carinho e fez questão de falar isso pro Lu e pra nossa família! Nós saímos de lá com vontade de voltar mais vezes e também de recebê-lo em Uberaba! Foi um dia marcante para Lu, Fernando e principalmente para nós, que fazemos questão de levar as paixões de Lu a sério pois através disso, além dele ficar feliz, ele confia cada vez mais na gente, se sente aceito e acolhido e percebe que damos o nosso melhor por ele!

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Portanto, se você vê que seu filho gosta de alo que você acha esquisito, tente ver o porquê! Vá além no seu olhar e o apoie! Isso vai fortalecer a relação de vocês cada vez mais. Não há nada prejudicial nisso e não é perda de tempo como muitos pensam… Ah, vou passar o dia conversando sobre ventilador? Vou ficar pesquisando sobre dinossauros? Vou ver Peppa Pig à exaustão? Sim!!! Mas vai aprender a gostar disso, a se divertir e vai se dar uma chance de aprender muitas coisas! Muitos falam em trazer o autista pro nosso mundo… mas acham chato entrar lá no mundo deles… incoerente né? Querer uma coisa pro outro que a gente não faz? Toda relação começa de uma ponte e nunca vimos ninguém começar a se relacionar com o outro através de interesses incompatíveis, rs. Uma amizade, um namoro, um casamento, tudo começa com afinidades!

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Ah, leiam o livro Brilhante para se inspirarem!

FUNÇÕES NEUROPSICOLÓGICAS NO AUTISMO: MEMÓRIA E ATENÇÃO

O Autismo é um conjunto de transtornos que se apresentam de forma bastante singular. A forma heterogênea deste transtorno, provavelmente, deve-se a soma de fatores etiológicos, ambientais e genéticos. Sendo que a diversidade de patologias associadas ao Transtorno do Espectro Autista enfatizam a ideia de que o conjunto de sintomas podem ser secundários a importantes alterações funcionais do cérebro.

Para entendermos essas alterações, devemos saber sobre as funções neuropsicológicas:

- MEMÓRIA
- ATENÇÃO
- FUNÇÕES EXECUTIVAS

Primeiro vamos falar da memória:

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A memória é a capacidade de adquirir (aquisição), armazenar (consolidação) e recuperar (evocar) informações disponíveis, seja internamente, no cérebro (memória biológica), seja externamente, em dispositivos artificiais (memória artificial).

A memória focaliza coisas específicas, requer grande quantidade de energia mental e deteriora-se com a idade. É um processo que conecta pedaços de memória e conhecimentos a fim de gerar novas ideias, ajudando a tomar decisões diárias.

Os neurocientistas (psiquiatras, psicólogos e neurologistas) distinguem memória declarativa de memória não-declarativa. A memória declarativa, grosso modo, armazena o saber que algo se deu, e a memória não-declarativa o como isto se deu.

A memória declarativa é aquela que pode ser declarada (fatos, nomes, acontecimentos, etc.) e é mais facilmente adquirida, mas também mais rapidamente esquecida. Para abranger os outros animais (que não falam e logo não declaram, mas obviamente lembram), essa memória também é chamada explícita. Memórias explicitas chegam ao nível consciente. Esse sistema de memória está associado com estruturas no lobo temporal medial (ex: hipocampo, amígdala).

Psicólogos distinguem dois tipos de memória declarativa, a memória episódica e a memória semântica. São instâncias da memória episódica as lembranças de acontecimentos específicos. São instâncias da memória semântica as lembranças de aspectos gerais.

Já a memória não-declarativa, também chamada de implícita ou procedural, inclui procedimentos motores (como andar de bicicleta, desenhar com precisão ou quando nos distraímos e vamos no “piloto automático” quando dirigimos). Essa memória depende dos gânglios basais (incluindo o corpo estriado) e não atinge o nível de consciência. Ela em geral requer mais tempo para ser adquirida, mas é bastante duradoura.

Memória, segundo diversos estudiosos, é a base do conhecimento. Como tal, deve ser trabalhada e estimulada. É através dela que damos significado ao cotidiano e acumulamos experiências para utilizar durante a vida.

Explicamos isso para focar na memória de curto prazo, mais especificamente sobre uma habilidade muito relevante para a sala de aula: a memória de trabalho. Esta é ahabilidade cognitiva que lida com vários pedaços de informação simultaneamente, como somar números ou escolher palavras que rimam. A memória de trabalho é o alicerce da aprendizagem, pois determina a capacidade de processar informação, seguir instruções e acompanhar as atividades em sala de aula. Segundo pesquisadores, ela prediz o desempenho escolar de forma muito mais robusta do que o QI, e é menos influenciada pelo nível socioeconômico.

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As habilidades de memória de trabalho se desenvolvem ao longo da infância, atingindo níveis adultos por volta dos 16 anos.

Crianças com TDAH (transtorno do déficit de atenção com hiperatividade), dificuldade de aprendizado de leitura ou matemática, e transtornos de autismo compartilham uma fraqueza generalizada em memória de trabalho.

Portanto, podemos dizer que a função da educação é moldar o cérebro e isto é o que ocorre no cérebro dos estudantes quando o educador é bem sucedido.

Algumas estratégias para melhorar a memória de trabalho:

- Passe os trabalhos de casa por escrito. Escreva cada trabalho na lousa, no mesmo lugar, todos os dias, para que os alunos saibam onde encontrá-los.
- Fale devagar e passe as informações em pequenas unidades. Dar muita informação de uma só vez faz com que uma criança com memória de trabalho fraca rapidamente perca o rumo. Ela pode estar ainda trabalhando nos primeiros minutos da lição depois que você já passou para a seguinte.
- Torne as aulas interativas. Para fazer as crianças com memória de trabalho fraca lembrar-se de algo importante, estruture a aula para incluir as respostas delas.
- Use um relógio analógico durante as aulas para ajudar seus alunos com o gerenciamento do tempo. Eles serão capazes de se manterem conscientes de quanto tempo já se passou e de quanto ainda têm.
- Chame atenção para as datas- limite. Ponha avisos em quadros nas paredes, fale delas frequentemente, e lembre os pais e alunos em bilhetes, cartas ou pelo e-mail.
- Peça aos alunos que façam seu próprio “sistema de lembrar”

Em casa:

- Determine um lugar para que seu filho coloque coisas importantes – chaves da casa, carteira, equipamento esportivo. Tão logo ele chegue da escola, tenha certeza de que ele colocou essas coisas no lugar certo.
- Crie uma lista de checagem para se lembrar e ter derteza de que seu filho tem tudo o que necessita levar para a escola.
- Faça, e use, lista do que fazer.
- Use lembretes digitais. Com crianças dos graus médios, use telefone celular, mensagens de texto, ou mensagens instantâneas para lembrá-los de coisas que tenham de fazer.

Chegou o momento de explicarmos o segundo tópico, que é a atenção:

A atenção é uma função de fundamental importância, já que permite a interação do indivíduo com o seu ambiente, além de subsidiar a organização de processos mentais. Por meio dessa habilidade é possível captar estímulos e selecionar qual deles terá seus detalhes apreendidos de forma privilegiada. A forma como “escolhemos” e processamos essas informações contribui para determinar nosso comportamento. É importante destacar 4 tipos de atenção: seletiva, sustentada e dividida e compartilhada.

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Atenção compartilhada: A atenção compartilhada é a capacidade de dividir a atenção através de gestões e vocalizações com outra pessoa e um objeto de seu interesse no ambiente, este momento ocorre quando as crianças e os cuidadores estão interagindo entre si. (virar o rosto na direção do som, ao procurar o contato visual, ao rir com vozes e brincadeiras).

A habilidade da atenção compartilhada é considerada uma das mais importantes para o desenvolvimento social e comunicativo das crianças; através do jogo social a criança começa expressar seus interesses e compreender o interesse do outro.

No inicio do processo de aprendizado desta habilidade é importante que os objetos utilizados na brincadeira sejam do interesse da criança para ela conseguir compartilhar a atenção, aos poucos podem ser inseridos outros objetos na brincadeira.

Estimulem sempre, sejam PAIS (profissionais, educadores) MOTIVADORES para seus filhos (alunos, pacientes)!

Pesquisadores levantaram importantes hipóteses a respeito da relação entre a atenção compartilhada e as funções executivas, em que habilidades de mudança de foco de atenção estariam interligadas a atenção compartilhada e seriam mediadas pelo lobo frontal. De fato, Autistas demonstram demorar mais para alterar o foco de sua atenção. Quando olham para um objeto ou rosto se prendem em detalhes e não no todo. Como não desenvolvem adequadamente a atenção compartilhada, não conseguem compartilhar interesses e acabam por não receber modelagem ambiental correta, o que incentiva o desenvolvimento de comportamentos inadequados futuros e, consequentemente, dificuldades de interação social.

A disfunção atencional é solucionada com comportamentos obsessivos e inadequados que são repetidos de forma incessante. Em uma abordagem neurofisiológica percebe-se que a função da atenção em pessoas com Transtorno do Espectro Autista está suspensa o que promove o chamado vazio psíquico que é um tipo de desorganização de estados bastante primitivos. (estereotipias e as dispersões sensórias: tentativa de controlar, de forma repetitiva, seus objetivos)

Autistas podem passar um longo período de tempo envolvidos em alguma tarefa específica. É como se algo tivesse dominado a mente deles, deixando-os isolados de qualquer estímulo e em seu dia a dia, apresentam diversas flutuações no que diz respeito a sua atenção. Em tarefas que lhe são interessantes a capacidade atencional se mostra intransponível. Porém, em atividades direcionadas com fins terapêuticos e de reabilitação é perceptível a dificuldade em manter o foco. (por isso amamos os métodos em que se leva em conta o interesse do autista)

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Pessoas com autismo distraem-se facilmente tomados por suas estereotipias, falas desconexas, ecolalias e comportamentos típicos do transtorno, sendo necessário constante apoio e incentivo na manutenção da atenção. (solicitar um profissional para mediar em sala ajuda bastante no desenvolvimento do autista) Todos estes fatores dificultam a coerência e organização de ideias para compreender situações ou realizar julgamentos.

Se melhorarmos essas áreas, ajudaremos muito para que os autistas se interajam, foquem no aprendizado, se sintam mais confortáveis na escola e nas tarefas do dia a dia.
Já falamos sobre as estratégias para melhorar a memória de trabalho, agora vamos passar estratégias para atenção.

Estratégias para melhorar atenção seletiva:

- Sentar num lugar calmo com a criança, de frente para ela;
- Falar calmamente para a criança, olhos nos olhos;
- Dizer para a criança o que quer que ela faça em poucas palavras e de forma simples, por exemplo “Não bata a porta” em vez de “Não bata a porta porque ela pode-se estragar e os vizinhos reclamam do barulho”;
- Dar ordens específicas, por exemplo: “Não corra dentro de casa” em vez de dizer “Não faça isso”, quando a vir correr;
- Mostrar para a criança qual a consequência de ela não cumprir a ordem. Não se deve prometer às crianças e não cumprir, mesmo que seja uma consequência negativa:
- Elogiar a criança sempre que ela cumprir alguma ordem;

Estratégias para melhorar atenção sustentada: ler este post

Alguns exemplos de técnicas para melhorar a atenção:

Prejuízo na atenção mantida ou sustentada – podemos utilizar a técnica do treinamento da atenção: exercícios onde o autista ouça determinados parágrafos e depois diga o que entendeu.

Prejuízo na atenção seletiva – podemos utilizar a técnica de dispositivos externos: exercícios onde o autista faça uma redação e tenha que ignorar um ruído externo ou a TV.

Prejuízo na atenção dividida – podemos utilizar a técnica de treinamento da atenção: com exercícios onde o autista começe a fazer uma leitura e ao mesmo tempo procure palavras relacionadas com “café da manhã”.

 photo brain3_zps12d3731f.jpg Esperamos que tenham gostado. Como pode ser visto todas as funções cognitivas interagem entre si. A separação existe apenas para fins educativos, pois o ser humano é caracterizado por sua totalidade. Exercitar o cérebro é muito importante. Baixe jogos para a testar memória e atenção, brinque com as crianças com jogos que estimulem essas áreas. Falaremos de Funções Executivas no próximo post.

Fonte:
Portal da Educação
Tua Saúde
Cérebro Melhor
TDAH dourados
Neurônios no Divã
Projeto Amplitude

A influência das toxinas para o desenvolvimento do autismo

O que é o autismo?

O autismo é um termo usado para descrever um espectro de desordens que são caracterizadas por alterações na comunicação, socialização e comportamento.

O autismo ainda é considerado por muitos como um transtorno psiquiátrico ou comportamental, uma síndrome que tem origem genética e cerebral.

Na verdade, o autismo é um distúrbio médico em todo o corpo, ligado a deficiências no sistema imunitário, sistema gastrointestinal, desintoxicação, mecanismos de reparação celular, entre outros desequilíbrios fisiológicos de todo o sistema. O autismo não está só no cérebro.

As profundas deficiências biológicas encontradas nos corpos de crianças com autismo se correlacionam com sintomas neurológicos e comportamentais.

Assim, ao abordar as deficiências biológicos subjacentes em uma criança com autismo (especialmente no que diz respeito aos sistemas imunológico e gastrointestinal) melhorias na função neurológica e comportamental podem ser vistas.

O que causa o autismo?

Embora nenhum grupo de cientistas, médicos e pesquisadores ainda não conheçam “a” causa do autismo (especialmente uma vez que é provável que seja muitas variáveis que são diferentes para cada criança), muitos especialistas em autismo estão começando a juntar as peças do quebra-cabeça.

A resposta para o que causa o autismo pode ser encontrada se olharmos para a origem (frequentemente ambientais) e deficiências biológicas graves vividas pelas crianças com autismo.

Por que as crianças com autismo têm essas profundas deficiências biológicas?

No momento em que os sintomas do autismo emergem, aparece também uma enxurrada complexa de problemas biológicos, que já está acontecendo. Em outras palavras, quando as funções cotidianas, como a linguagem, sociabilidade e comportamento são afetadas, outros processos mais fundamentais do organismo (produção de energia celular, digestão, desintoxicação, reparação celular, etc) já estão comprometidos.

É importante analisarmos os sintomas do autismo, não como as consequências naturais de uma condição genética fixa, mas como “gritos de socorro” enviados pelo sistema biológico que sofre uma “carga total” excessiva de estressores (tóxicos, emocionais, bioquímica, imunológica, etc).

Abaixo está um gráfico que ilustra muito bem os fatores ambientais que podem contribuir para o desenvolvimento do autismo.

A imagem inclui fatores como toxinas ambientais, dieta e nutrição, uso de medicamentos e outros. As vulnerabilidades hereditárias adquiridas e gatilhos ambientais que levam o autismo a variar de criança para criança.

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Marcos Mion e seu filho Romeo

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Resolvemos divulgar hoje uma atitude bonita da Nike. Somos publicitárias e sabemos os prós e contras da profissão… mas hoje vamos divulgar uma ação da Nike pois ela nos emocionou MUITO. A maioria das pessoas sabe que Marcos Mion divulgou que possui um filho no espectro autista: Romeo. Foi a partir daí que começamos a seguir ele nas redes sociais (instagram e facebook). Não somos de assistir o programa dele mas a cada dia que passa vamos ficando cada vez mais fãs dele e de sua linda família. Mion é um paizão e passa muito tempo com os filhos, se diverte com eles e respeita muito a individualidade de cada um. E ele encara o autismo igualzinho a gente: de forma totalmente POSITIVA! Lu, é nosso mestre! Mion também agradece a Deus por ter recebido um anjo em sua casa. Muita gente não concorda com essa visão mas foi acreditando no potencial do Lu e respeitando seu modo de viver e agir que vimos ele evoluir e crescer no espectro. Lu era uma criança de autismo moderado/severo e hoje é um adolescente com autismo de alto funcionamento.

No dia 28 de junho, ele postou uma foto dele com os filhos (a filha estava com a mãe nos Estados Unidos) com o seguinte texto:

“Uma dica pros pais que tem anjos em casa, como a gente: vocês podem ver pela foto que o Romeo ta usando branco. Ele esta numa fase onde só usa roupa branca!! Pode parecer estranho pra outras pessoas, mas pra ele, por enquanto, é algo vital! Tão importante a ponto de ser responsável pela sua calma. Isso é muito comum no espectro autista. São comportamentos compulsivos, repetitivos. São padrões que surgem que podem ser desde uma cor de roupa, ate o balançar das mãos ou algum outro “tique”. Não lute contra!! Respeite porque vai passar. São fases! E pra uma criança do espectro ser proibida de fazer algo que esta dentro do seu comportamento repetitivo é como cair de um precipício sem fim! É estressante e desesperador. Muitas vezes vejo pais mandando os filhos autistas “pararem” de se mexer, pra se “acalmarem”. Pois saibam que são esses movimentos que estão acalmando eles. Dentro da maioria dos corpos das crianças do espectro é uma luta constante entre fazer o que é natural pra eles e o que a sociedade espera como um comportamento aceitável. Balançar pra frente e pra trás, pular, rodar, ficar se mexendo…São eles se acalmando. Achando um espaço dentro de si mesmos de Paz. Nós so temos que respeitar. E, pais, uma hora deve passar.”

Ontem a Nike enviou pro Mion uma camisa da seleção TODA BRANCA! Mion ficou emocionado e agradecido e a gente também. Isso é inclusão. Agora todos poderão torcer pela seleção devidamente uniformizados!

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Para completar o post, queremos deixar aqui os contatos de Mion nas redes sociais. Ele não precisa de publicidade já que tem mais de 5 milhões de seguidores mas se você quer se emocionar e dar boas risadas, vale a pena! Ele é uma pessoa famosa muito família e sempre posta sobre características e explicações de autismo. Achamos muito bom pois ele divulga a síndrome, ajuda muitas pessoas e faz com que o preconceito diminua.

Instagram: @marcosmion
Facebook: Marcos Mion

Vejam algumas das postagens dele sobre autismo:

“Levando Romeozão pra dançar na bagunça com os personagens! Multidão e musica alta!! Isso serve de exemplo pra todos os pais que, como eu, foram abençoados com anjos do espectro autista, mas que, por azar, receberam algum diagnostico que seu anjo nunca faria isso ou aquilo. É de conhecimento geral que muita gente e barulho são coisas que apavoram autistas. Mas com amor, paciência e dando muita segurança, eles evoluem em todos aspectos! Romeo é uma criança que ama shows, teatro, dança e musica em geral, então eu e minha mulher tínhamos que deixar esse mundo agradável e acessível pra ele. A fascinação e vontade de participar já existiam, faltava a confiança, coragem e entendimento do processo. Isso proporcionamos pra ele com muito amor, calma e doação ao longo dos anos. Hoje ele é o primeiro a sair correndo pra assistir a um show ou se jogar numa “balada”, ainda mais se tem um Pateta, um Tico e Teco juntos! Nunca deixem de acreditar na evolução dos seus anjos! Não deixe ninguém limitar o caminho e a evolução deles. Como eu sempre falo, nos não precisamos que ninguém nos “cure”, nos só precisamos de entendimento e compaixão.

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No dia 2 de Abril, dia mundial da conscientização do autismo, Mion também se retratou!

“Hoje é o dia mundial de conscientização sobre o Autismo. Para chamar atenção pra essa causa, pra ajudar a criar uma sociedade que respeita e admira os diversos talentos, muitas vezes únicos, do espectro autista e assegurar oportunidades para que eles atinjam o seu potencial máximo, pessoas envolvidas com a causa no mundo todo estão usando azul hoje!! Por isso gostaria de convidar todos vocês a usarem também uma peça de roupa azul e, mais importante que isso… encorajo vocês a falarem sobre o autismo hoje e com mais frequência, ajudando a quebrar o estigma e as informações erradas que existem por ai. Esses seres iluminados são muito mais do que estatísticas! São pessoas incríveis, sem maldade nenhuma, uma pureza e sensibilidade tão fora do comum que, infelizmente, percebem todo e qualquer tipo de “bullying” ou dedos apontados ao seu redor. E como qualquer outra pessoa, apenas querem ser aceitos e, principalmente, amados por serem como são! Conscientização e informação levam à compaixão que leva à aceitação!! FALEM SOBRE O AUTISMO E O ESPECTRO EM GERAL !! Perguntem, tirem duvidas, se informem, pois como eu sempre digo: é alta a probabilidade de você que esta lendo esse post ter algum gene autista sem nem saber! A genética autista esta muito presente em nossas vidas! Autismo não é uma doença!! Não se preocupe em nos curar, se preocupe em nos entender!! Vamos ajudar a quebrar estereótipos e preconceitos e substitui-los por nomes e rostos de pessoas reais, tão ou mais evoluídas e únicas como você! Fiquem com Deus!

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