Os 7 sentidos

Estimular a parte sensorial de um autista (em casa e com a ajuda de uma terapeuta ocupacional) é muito importante. Trabalhar os sete sentidos é fundamental para ajudar a desenvolver todas as atividades necessárias para casa, escola, trabalho, para ter uma vida independente e autônoma.

Cada quadro mostra as características das pessoas hipersensíveis ou hiposensíveis. O bacana é que também podemos visualizar dicas de como podemos trabalhar cada sentido! Brincar é muito importante! Use tinta, massinha, cola, tesoura, lápis de cor, músicas, etc. Brinque no banho, na cozinha, no quarto… torne cada aprendizado muito divertido!

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Recompensa não compensa!

*** Esse post é polêmico e se você não concorda com o conteúdo, apenas feche a página. Não temos o objetivo de convencer ninguém!***

Esse post tem a ver com autismo mas tem a ver também com educação! Sempre curtimos a educação responsiva, positivista e isso não é segredo pra ninguém. Somos SonRise Team antes de saber que o SonRise existia pois esse modo de ser positivas, empolgadas e incentivadoras das pessoas sempre esteve em nós. Somos entusiastas do Lu e vibramos com cada conquista que ele tem e aproveitamos o dia a dia dele, e suas tarefas para mostrá-lo como é importante persistir quando ele não consegue de primeira vez, como é importante ser corajoso para tentar e através do nosso exemplo, vibrando com os interesses dele, o inspiramos a também pensar em ouvir o coletivo, respeitando o próximo e querendo contribuir com a felicidade de todos. Nunca fomos a favor de “comprar” o Lu com recompensas. E o post de hoje é sobre isso pois anda circulando na net um bilhete de um pai que cortou a internet da filha e deixou muita gente empolgada…

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Porque as pessoas empolgam com esse tipo de estratégia? Primeiro porque somos criados em um mundo totalmente comportamental e massificado onde aprendemos que quem não se encaixa em um padrão merece um castigo e devemos apenas cumprir com nossas obrigações para ganharmos uma recompensa! Desde pequenos somos avaliados e temos que cumprir a nota média na escola, quando crescemos trabalhamos para ganhar dinheiro, a maioria dos empresários investem suas cotas de patrocínio pensando em retorno financeiro (poderiam pensam em ajudar a comunidade em que estão inseridos né?), pessoas fazem exercícios para ter um corpo bonito (encaixar no padrão da mídia), comem para compensar um dia estressante, etc… Ao longo de décadas esse pensamento nos acompanha e isso é uma vantagem enorme para a mídia que quer manipular a massa (todos iguais, quem discorda tá fora de moda, é louco ou “alternativo”…) e falar o que devemos ter para nos sentirmos incluídos.

Bom, vamos ao bilhete, que dá uma sensação de alívio aos pais que ACHAM que estão controlando seus filhos… falsa sensação de controle… uma fantasia!!! A primeira coisa que pensamos quando vimos a imagem: esse pai está tirando a menina de casa pois hoje tem internet em tudo quanto é lugar! E a segunda coisa que pensamos é:

Será que esse pai alguma vez na vida arrumou o quarto dele com prazer na frente de sua filha? Será que ele já lavou a louça em casa algum dia? Será que ele é um exemplo do ser humano que ele gostaria que a filha fosse? Será que se a filha ficar sem internet em casa ela pode deixar o quarto bagunçado e a louça acumulada? Essa realmente é uma troca boa?

Esse tipo de forma de disciplinar, além de revoltar algumas crianças que se sentem obrigadas a realizar uma tarefa apenas para atender uma expectativa do próximo pode trazer muitos outras falsas sensações e aprendizados perigosos que propiciam a falta de ética. Quer ver um exemplo?

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Nessa tabela as crianças recebem a mesada completa caso se comportassem bem e a cada “deslize” seria descontado um valor do pagamento. Essa “técnica” também viralizou na internet pois a sensação de controle dos pais vem a tona… Mas é claro que essa sensação não é verdadeira pois há mil e uma maneiras de burlar essas regras! A criança primeiramente, caso a ideia seja efetiva, fará o que deveria ser feito pelo simples fato de ser bom pra ela, para receber sua mesada integralmente. Ou seja, pelo dinheiro. O dinheiro é patrão dela e referência de sucesso… ela se tornará materialista e achará que o dinheiro é mais importante que tudo! Caso ela ache que vale a pena faltar a aula e pagar um real, ela estará em seu total direito… e ela aprenderá também que ir à aula é mais importante (dá mais dinheiro) que escovar os dentes ou guardar os brinquedos! Baseado em que o pai escolheu esses valores???

Então agora vamos entrar na questão do uso de reforçadores, bastante usada em algumas terapias para autistas (e crianças típicas também). Vamos por enquanto deixar de lado os reforçadores como guloseimas ou qualquer tipo de comida pois esse é um problema muito maior do que pensamos e caso abordemos esse tema no blog, ele merecece um post exclusivo.

Em muitas terapias, o uso do reforço é recorrente e por isso eles mesmos utilizam o termo “treinamento” para definir o que fazem pois o aprendizado é tido através da repetição e da recompensa para as respostas corretas que o paciente tiver, independente de seu entendimento da importância daquilo para sua vida ou para o coletivo. O que procura-se obter nessa terapia é um resultado satisfatório para o exercício. Esse resultado nada tem a ver com a pessoa fazer aquilo porque quer ou porque entendeu a importância daquilo mas sim dela cumprir com o que é esperado dela ou melhor, de ela cumprir com sua obrigação. Esses tipos de terapias ignoram a origem de um comportamento de negação ou de uma forma diferente de fazer do paciente pois elas se atém exclusivamente na intervenção do comportamento errado ou inadequado (aqui podemos ler comportamento não esperado pelo terapeuta), a fim de modificá-los, ou seja, eliminar esses comportamentos indesejáveis (palavra correta pois o desejo parte apenas do terapeuta) e da instalação (na linguagem da análise do comportamento) de novos comportamentos que não fazem parte do repertório do indivíduo para aumentar a frequência de comportamentos desejáveis que já fazem parte de seu repertório. Treinamento é a palavra mais correta mesmo para esse “ganho” pois o paciente deve se encaixar ali, como uma máquina em que você aperta o botão e ela realiza o processo (para não fazer outras comparações mais polêmicas!) Inclusive já até escutamos em uma palestra sobre um método comportamental uma terapeuta explicar sobre o espectro autista usando termos como “autistas mais estragadinhos” e “autistas menos estragadinhos” e falando que o método ia modificando e consertando aquela pessoa… mas o pior não eram esses termos e sim que ver que o exemplo de ser humano perfeito na linha dos níveis de autistas era a foto dela.

Não há empatia nenhuma durante esse processo pois a única necessidade atendida é a do terapeuta e o objetivo maior é o alívio dos familiares.

Esse vídeo mostra claramente como somos ensinados a encaixar em padrões e a esperar por recompensas quando fazemos algo. Quando alguma mãe reclama de seu filho autista por exemplo ela quase tem que pedir desculpas por estar frustrada ou cansada já que o comportamento esperado dela é que ela tenha sucesso em seus afazeres e não cause problemas a ninguém pois assim estaria saindo fora do padrão. As terapias comportamentais consideram que os sentimentos são aprendidos e que são correlatos aos comportamentos observáveis, não sua causa… então todos nós aprendemos que devemos melhorar o ambiente a volta dos que estão com problemas para resolver aquilo pois assim a pessoa volta a funcionar corretamente. Não devemos reforçar aquele sofrimento ou aquele comportamento inadequado… Então como a maioria reage a um problema do próximo? Oferecendo um sanduíche, uma xícara de chá ou soluções imediatistas que façam com que a pessoa apenas pare de reclamar! Fomos ensinados culturalmente a encaixar em padrões (não podemos nos surpreender dessa forma que o machismo e outras culturas preconcietuosas existam pois desconstruir é complicado já que esses comportamentos foram reforçados durante décadas… e quem pensa nisso é porque teve uma educação libertadora! Diferente dessa que o comportamental propõe)

Esse ensinamento é aplaudido por muitas pessoas pois ele traz resultados rápidos já que ao fazer o esperado o paciente pode brincar com o que mais gosta ou pode ter uns minutos de prazer e assim ele vai aprendendo a agradar as pessoas (um perigo por sinal pois se torna uma presa fácil para manipulações já que ele se acostuma a não considerar suas vontades).

Qual a diferença dessa tabela feita pelo pai de crianças típicas para as tabelas da Super Nanny, muito utilizadas por familiares de autistas, com o uso de estrelas para conseguir o que se quer? Nenhuma! As crianças farão suas responsabilidades apenas para ganhar seus prêmios e notarão como é fácil assumir o controle disso tudo!

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Ser aplaudido apenas nos momentos que acertamos ou cumprimos com o que é esperado, gera uma vontade muito grande de ficar na zona de conforto ou uma sensação de que não sou amado quando “erro”, tenho algum problema ou não ajo conforme o esperado. Para continuar ganhando o que quero eu fico dentro do que sei fazer bem, ignorando o fato de que posso ir além, de que posso colaborar mais se tentar algo inovador.

Dra. Dweck realizou uma série de quatro testes com 400 alunos da 5ª série de uma escola de New York. O primeiro teste era um quebra-cabeças extremamente simples para crianças dessa idade. Como era esperado, todas as crianças conseguiam realizá-lo facilmente. Nenhuma surpresa até aqui…

Mas é aí que começa a parte interessante da pesquisa. Cada vez que uma criança completava o teste, a pesquisadora lhe informava a sua nota e fazia um curto elogio. Metade das crianças eram elogiadas pela sua inteligência: “Uau, você deve ser muito esperto!”. Já a outra metade era elogiada pelo seu esforço: “Uau, você deve ter se esforçado muito!”

Logo na segunda tarefa, as diferentes consequências desses dois tipos de elogios começavam a aparecer. Agora, a pesquisadora perguntava se a criança desejava um teste do mesmo nível do primeiro ou se preferia algo um pouco mais difícil e desafiador. Adivinhou? As crianças “inteligentes”, evitando colocar sua imagem em risco, preferiam o teste mais simples, enquanto as crianças “esforçadas” pediam o teste mais difícil.

Na terceira etapa, a coisa se complicava. Todas as crianças receberam outro quebra-cabeças, dessa vez bastante complexo, projetado para crianças dois anos mais velhas. Inevitavelmente, todas falhavam. Entretanto, a atitude frente ao fracasso também foi significativamente diferente entre os dois grupos. Os “esforçados” persistiram por muito mais tempo, assumiram a responsabilidade pela falha e muitos (mesmo sem a pesquisadora perguntar) afirmaram que esse foi seu teste favorito. Já os “inteligentes” desistiam mais rapidamente. Além disso, assumiam a falha como uma prova de que na verdade não eram inteligentes como haviam sido levados a crer. Ou seja, o primeiro fracasso foi suficiente para fazer sua auto-estima despencar. “Bastava observá-los para ver a tensão.” descreveu a Dra. Dweck, “Eles estavam suando e se sentindo miseráveis”.

Alguns terapeutas comportamentais ignoram os comportamentos “inadequados” desviando a atenção da criança para uma ação dentro de sua zona de conforto para que ela receba um elogio no momento, reforçando assim uma ação “adequada” e elas também não trabalham com erros (antecipando a ação com a resposta certa ou dando dicas). Esse bater palmas e elogiar apenas o comportamento positivo traz, além de um reforço forçado (pois as comemorações vão ficando automáticas e assim vão perdendo forças), uma necessidade muito grande de reconhecimento. Isso não acontece apenas com autistas que passam por esse tipo de terapia mas com todos nós pois vivemos em uma cultura comportamental e massificada (pela TV, pela escola, pelos nossos familiares, etc)… Acham que as redes sociais fazem esse sucesso todo por que? Achamos até engraçado pois muitas pessoas que amam as terapias comportamentais reclamam que na internet são compartilhadas apenas as coisas bonitas e alegres… por que será? Será realmente que o mundo nos deixa a vontade para ser quem somos? De onde vem tanta necessidade de curtidas e aplausos?

Ao comemorarmos as conquistas de forma genuína, realmente interessados naquela aprendizagem, mostramos à pessoa que realmente nos importamos com aquele sucesso e que sabemos que ele veio através do esforço pois participamos ativamente do processo de conquista. Realmente nos colocamos no lugar daquela pessoa e valorizamos o caminho seguido. Então, encorajar as pessoas a tentarem, mesmo tendo dificuldades, faz com que elas acreditem que são capazes e muito mais do que isso, são amadas em todos os momentos. Não há porque esconder um erro ou porque fazer uma coisa que não se quer apenas porque tem que ser feito, porque é esperado.

A criança educada na responsividade e na educação positiva sabe que é apoiada em todos os momentos e que tentar e persistir é muito mais importante que acertar e que falhar não é o fim do mundo, está tudo bem, sem problemas! Seus pais e terapeutas a respeitam e estão ali ao lado independente de qualquer coisa e mais do que isso, eles também falham e pedem desculpas caso isso aconteça! Nessa forma de educar, as comemorações acontecem não só ao final do processo: há os elogios a coragem de tentar e persistir e há os elogios descritivos ao final do processo (falando o que está percebendo para mostrar que realmente está envolvido: Ex – “Uau, eu entendi, você falou aua para água!” ao invés de ficar repetindo apalavra água enquanto nitidamente a criança se esforça para falar água / Ex2: “uau, vejo que se esforçou fazendo seu desenho, com árvores grandes e uma casa colorida! Ficou bem desenhado! O que podemos colocar no céu para aquecer e iluminar a paisagem?”; ao invés de “falta alguma coisa no céu desse desenho… melhore e traga para eu ver”).

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Essas comemorações melhoram a relação entre as pessoas e no caso de autistas, evitam isolamentos (autistas se isolam por medo de errar ou se frustar ou frustrar o outro e por isso mesmo isso deve ser desmistificado para ele) e ensinam o autista se controlar emocionalmente, já que percebem que errar é natural e que todos a sua volta passam por processos de tentativas e chegam ao resultado desejado após persistirem, se dedicaram bastante com pesquisas, estudos e experimentos.

Os pais precisam entender com urgência que uma birra ou uma negação não é uma atitude pessoal, que acontece como uma forma do filho mostrar quem manda ou para controlar os pais. Um filho pode se negar a fazer algo simplesmente para se sentir diferente dos pais (isso acontece em uma pessoa típica por volta dos 3 anos de idade, quando ele descobre que é um indivíduo que pode fazer coisas diferentes das que os cuidadores fazem), por estarem cansados, por se sentirem com medo ou ameaçados, sem saber o que fazer ou sem saber como comunicar todas essas hipóteses (aqui se encaixam bebês típicos e autistas, principalmente os não verbais) ou seja, seus sentimentos. Já ouvimos dezenas de relatos de autistas “mau comportados” que tinham problemas dentários, nos rins, intestino entre outros.

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Ao ignorarmos essa comunicação, seja ela vinda de uma criança autista ou de uma criança típica, ignoramos seus sentimentos, não a ajudamos a lidar com seus problemas e não somos empáticos, resolvendo apenas nosso problema (acabar com a birra). Ao revidarmos, caímos na tentadora armadilha de disputa de controle (em que perderemos a guerra pois eles tem muito mais energia que nós, por serem mais novos ou no caso de autistas, nem precisamos explicar… a maioria é ligada no 220 e não desiste fácil!) ou, no pior dos casos, nossa tendência é impor e mostrar quem manda, ensinando que o mais forte sempre vence (essa criança vai crescer tá bom?) e que poder tem a ver com imposição e não com flexibilidade (qualidade que precisa ser trabalhada e precisamos dar o exemplo né? Se não, seremos contraditórios).

Deu pra perceber que somos totalmente contra castigos ou punições né? Assunto para um próximo post pois isso dá pano pra manga! Em caso de autistas, principalmente não verbais, queremos deixar bem escrito aqui que as “birras” podem ser desconfortos biológicos (mais de 85% dos autistas tem como comorbidade o intestino permeável e as alergias, que causam dores, irritabilidade e confusão) e ficar de castigo, apanhar ou ser ignorado por sentir dor é uma injustiça muito grande.

Bom, para finalizar esse post, que é um alerta a favor da educação da liberdade, propomos algumas perguntas para o leitor:

- Você alguma vez já se perguntou: “o que eu ganho com isso?” ao ouvir uma proposta?
- Você alguma vez achou ruim de seu marido te jogar na cara que ele põe tudo em casa então ele quer que você não reclame de nada pois você tem empregadas, um cartão de crédito ou um carro e que sua obrigação é cuidar da casa?
- Alguma vez você ouviu de um chefe que você não é paga pra pensar e sim para fazer?
- Alguma vez você teve seu pagamento descontado por faltar o trabalho, mesmo apresentando uma justificativa plausível?
- Você já fez as contas de quantos pontos precisava pra passar de ano e nem se importou para o conteúdo da escola pois o importante era ser mediano?
- Alguma vez você achou que ser chamado de esforçado ao invés de inteligente era um xingamento?
- Você já pensou em fugir de casa por medo de seus pais ou até em se matar para não enfrentar um castigo?

E a última pergunta do post é? O que você espera da educação de seu filho autista? Se você responder que quer que ele tenha autonomia, valores humanos e seja uma boa pessoa, repense nesse sistema de recompensas! Esse sistema cria pessoas egoístas que só fazem o que tem que fazer se houver vantagens. É prazeroso estar ao seu lado? É gostoso dividir tarefas com você? Você é um exemplo do que quer que seu filho seja? Essas perguntas sempre devem ser feitas! Autistas muitas das vezes são exigidos de coisas que nem um adulto típico realiza.

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Qual a alternativa para abrir mãos do sistema comportamental? Educação positivista, responsiva, respeitando os valores e o ser individual que cada um de nós somos. Nós adoramos o modo como o programa SonRise educa, adoramos ter conhecimento da Comunicação Não Violenta e de como ela trabalha nosso olhar para nossas necessidades e para as necessidades dos outros e conhecemos há 3 anos a Antroposofia e educação do espírito. Indicações de caminhos para um pensar mais livre!

Fontes:

Imagens:
iceberg
Foto família
Tabela de Incentivo
Bilhete Pai
Tabela Mesada

Texto:
A Arte de Educar
Sandra Coordenadora
Gestão Escolar
Rescola <— Clique nesse link para ver um vídeo em inglês da experiência da Dra. Dweck

A importância da Terapia Ocupacional

Oie!!! Voltamos com um tema super importante (qual não é? hahaha). Vamos falar de uma característica associada ao autismo: integração sensorial.

A integração sensorial é o processo pelo qual o cérebro organiza as informações, de modo a dar uma resposta adaptativa adequada, organizando assim, as sensações do próprio corpo e do ambiente de forma a ser possível o uso eficiente do mesmo no ambiente. As nossas capacidades de processamento sensorial são usadas para a interação social; desenvolvimento de habilidades motoras e para a atenção e concentração.

O PROCESSAMENTO SENSORIAL inclui a recepção de um estímulo físico (Registo Sensorial), a transformação do estímulo num impulso neurológico (Orientação), e a percepção (Interpretação), ou seja, o consciente experimenta as sensações e em seguida organiza uma resposta adaptativa adequada e executa-a. As funções de processamento sensorial ocorrem continuamente e de uma forma rápida e inconsciente. (Um exemplo deste processo é a reação após tocar numa superfície quente)

Todos temos dificuldade em processar determinados estímulos sensoriais (um certo toque, olfato, paladar, som, movimento, etc) e todos temos preferências sensoriais. Só se torna um transtorno do processamento sensorial quando temos uma “experiência perturbadora”, uma enxurrada de estímulos com um impacto significativo sobre a capacidade de filtragem ou funcionamento diário. Esse processo gera uma disfunção neurológica chamada Transtorno do Processamento Sensorial (TPS).

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Através desse quadro e do link no começo do post, vocês podem conhecer alguns sinais de TPS. Quando existem distúrbios sensoriais, estes podem afetar o desenvolvimento e as habilidades funcionais, quer sejam no comportamento, na parte motora, cognitiva, quer sejam no nível emocional. Isso pode resultar em sentimentos de baixa auto-estima, levando-os a preferir o isolamento ao invés de interagir com os seus pares. Algumas pessoas apresentam excesso de reatividade o que pode levá-los a serem rotuladas como impertinentes, “fora de controle” ou perturbadoras nas aulas, afetando seu desempenho acadêmico na escola. E, infelizmente, a má compreensão dos pais e educadores em como responder às crianças com esse tipo de desordem, muitas vezes leva a sentimentos de frustração, possível depressão ou comportamento agressivo.

Os pais costumam saber e entender, melhor que ninguém, as crianças e, por isso, são capazes de perceber quando elas estão felizes ou sofrem por qualquer motivo. Mas às vezes é a causa de felicidade ou frustração que não é compreendida, e se nós a entendermos, é mais fácil desenvolver ações que ajudam no desenvolvimento do filho/filha.

Às vezes pedimos para as crianças certos comportamentos ou execuções de algumas tarefas e elas ainda não estão prontas, ou seja, ainda não adquiriram competências necessárias para tal. Por exemplo, com a idade de cinco anos, a criança desenvolve a parte de percepção motora como a coordenação olho-mão, controle de olho-mão, ajuste postural, organização espacial, estruturação espaço-tempo, manter a atenção – processos que são pré-requisitos para o bom desenvolvimento de habilidades motoras finas e suas competências acadêmicas básicas, tais como a escrita. Isto quer dizer que com quatro anos essa criança não está pronta para escrever.

É importante deixar claro que existe uma ordem no desenvolvimento da aprendizagem. Wiliams e Shellenberger (1996) formularam uma pirâmide para ilustrar esse processo.

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Na base da piramide encontramos alguns sentidos que não são os clássicos (visão, audição, paladar e olfato), porque o nosso sistema nervoso precisa de pré-processar o toque, movimento, força gravidade e posição do corpo. Este processamento sensorial estabelece uma boa base para o desenvolvimento de todo o resto.

– Sistema Tátil: o sentido do tato – resposta dos receptores da pele sobre o toque, pressão, temperatura, dor.

- Vestibular: situado no ouvido interno – responsável pelas reações ao movimento e equilíbrio.

- Proprioceptivo: o sentido da “posição” – como o cérebro interpreta a posição do corpo, peso, pressão, alongamento, movimentos e alterações na posição. A capacidade de perceber espacialmente, cada segmento corporal em particular ou o corpo como um todo, tanto em situações estáticas, como nas atividades que demandam movimento (dinâmicas).

A interação com os sistemas é complexa e necessária para interpretar uma situação de forma rigorosa e fazer a resposta adequada e apropriada. E é assim que você pode compreender o conceito de integração sensorial, tais como a capacidade do nosso sistema nervoso central para organizar e interpretar informações capturadas pelo sistema sensorial (visual, auditivo, gustativo, olfativo, tátil, proprioceptiva e vestibular) com o objetivo de responder adequadamente em nosso ambiente. Vamos explicar cada item da piramide para vocês entenderem cada processo e valorizarem cada aprendizado.

- Auditivo: contribuição relativa aos sons, a habilidade de perceber corretamente, discriminar, transformar e reagir a sons;

- Oral: Relativo à boca, a habilidade de perceber corretamente, discriminar, processar e responder aos paladares ou a estímulos dentro da boca;

- Olfativo: relativo ao cheiro, uma habilidade de perceber corretamente, discriminar, processar e responder a diferentes odores.

- Visual: relativo à vista, a habilidade de perceber corretamente, discriminar, processar e responder ao que se vê.

- Segurança postural: estabilidade e condições para o movimento, como a habilidade de assumir e manter a posição corporal desejada durante uma atividade quer seja essa estática ou dinâmica.

- Consciência dos dois lados do corpo: realizar movimentos utilizando lados direito e esquerdo

- planejamento motor (praxia): é a capacidade de uma criança de organizar, planejar e executar habilidades motoras perfeitas, novas ou não praticadas.

- Esquema corporal: é a consciência do corpo como meio de comunicação consigo mesmo e com o meio.

- Maturação dos reflexos: desempenho mecanicamente eficiente coordenado e controlado.

- Discriminação sensorial: habilidade para interpretar as características temporais e espaciais dos diferentes estímulos sensoriais. (ver tabela no início do post)

- coordenação olho-mão: consiste na realização de atividades com as suas mãos e os seus olhos trabalhando juntos.

- Sistema motor ocular: reflexo que estabiliza as imagens na retina durante o movimento da cabeça ao produzir um movimento ocular na direção oposta ao movimento da cabeça, desta maneira preservando a imagem no centro do campo visual. Por exemplo, quando a cabeça se move para a direita, os olhos se movem para a esquerda, e vice-versa.

- Ajuste postural: estabilidade e condições para o movimento, como a habilidade de assumir e manter a posição corporal desejada durante uma atividade quer seja essa estática ou dinâmica.

- Habilidades linguísticas e visuais:
Linguísticas: falar, ler, compreender o que escutou, escrever.
Visuais: discriminação visual, memória visual, relação viso-espacial, constância de forma, memória sequencial visual, figura e fundo visual

- Percepção visuo-espacial: a identificação de um estímulo e a sua localização (leitura de mapas, por exemplo)

- Funções de atenção e concentração:
Atenção: é um processo cognitivo pelo qual o intelecto focaliza e seleciona estímulos, estabelecendo relação entre eles. A todo instante recebemos estímulos, provenientes das mais diversas fontes, porém só atendemos a alguns deles, pois não seria possível e necessário responder a todos.
Concentração: é o uso da mente focada em um determinado objeto; é a capacidade de abstrair-se num ponto, focar um alvo e mantê-lo pelo tempo que desejar.

- Atividades de vida diária (AVD): são as tarefas pessoais concernentes aos autocuidados e também a outras habilidades pertinentes ao cotidiano de qualquer pessoa. (arrumar a cama, tomar banho, se vestir, etc)

- Comportamento: é definido como o conjunto de reações de um sistema dinâmico face às interações e renovação propiciadas pelo meio onde está envolvido.

- Aprendizado acadêmico: processo pelo qual as competências, habilidades, conhecimentos, comportamento ou valores são adquiridos ou modificados, como resultado de estudo, experiência, formação, raciocínio e observação

Através da Integração Sensorial, a criança vai organizar a entrada sensorial para seu próprio uso. Quem vai ajudar nessa área é a Terapeuta Ocupacional (T.O.)

As terapeutas ocupacionais trabalham para promover, manter e desenvolver as habilidades necessárias para que o cliente/paciente (neste caso, as crianças com TEA) seja funcional nos ambientes que integra. A participação ativa dessas crianças nos seus ambientes de vida promove:

Aprendizagem
Autoestima
Autoconfiança
Independência
Interação Social

Os terapeutas ocupacionais utilizam uma abordagem holística nos seus programas de intervenção.

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Os pais sempre se questionam se estão excessivamente preocupados em determinadas metas de crescimento no desenvolvimento da criança ou se devem procurar intervenção precoce quando eles suspeitam de problemas sensoriais. A questão é: a intervenção terapêutica é necessária ou os sintomas melhoram à medida que a criança cresce?

Para que esperar se, a cada dia, é provado que a intervenção precoce proporciona melhorias significativas no desenvolvimento da criança com TPS. O tratamento é feito de forma individualizada, depois de uma conversa com os familiares e testes feitos para saber as capacidades e dificuldades do paciente.

Estudar essas habilidades, ter em mente que todas estão interligadas, que há uma ordem de estímulo a ser feita pois muitas habilidades dependem de pré requisitos para serem adquiridas e ter o acompanhamento profissional adequado, com metas estabelecidas e auxílio para que as habilidades trabalhadas em terapia sejam reforçadas em casa, são muito importantes para que a pessoa com autismo não seja cobrada injustamente, gerando frustração para ele e para os familiares também.

fontes:
Cuidar Criança
Baoba Infantil
Teache me mommy
Indonesiaexpat
Reab me

Livro: O Extraordinário – R.J. Palacio

Extraordinário não é um livro comum. É um livro que chama atenção pela capa, toda azul com um desenho simples de um rosto… tão simples que você se encanta de cara. Sem efeitos mirabolantes ou traços perfeitos, o desenho atrai os olhares e a vontade de ler a sinopse que começa com a frase: não escolha um livro pela capa… E mais um detalhe: as palavras livro e capa são riscadas e corrigidas tornando a frase assim: não escolha um menino pela cara.

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De cara refletimos sobre nossos julgamento perante as pessoas que não nos agradam apenas por sua aparência. Tatuagens, cabelos, cor da pele, vestimentas… DEFICIÊNCIAS ou COMPORTAMENTOS… Desde a primeira vez que ficamos sabendo do livro ficamos loucas pra comprar, mas não imaginávamos nem de perto o quanto iríamos amar e querer indicá-lo a todas as pessoas. August, personagem principal do livro, não é autista mas garantimos a vocês que todos que lerem o livro vão se sentir, nem que por um instante, meio Auggie (como preferimos chamá-lo, pelo apelido pois nos sentimos muito próximas dele já).

O livro é uma lição de como devemos encarar a vida de frente e o quanto nos prendemos a problemas, que depois que passam (e vemos que somos capazes de resolver), nem eram tão assustadores assim! A história é dividida por unidades e em cada uma delas uma personagem mostra seu ponto de vista. O livro tem início com a visão de August, um garoto de 10 anos que tem uma síndrome genética rara que faz com que ele tenha uma deformidade facial e por isso teve que passar por muitos procedimentos cirúrgicos e complicações médicas e por isso nunca frequentou a escola. Com 10 anos, ele tem essa oportunidade e divide com o leitor como se sente em relação a isso! Uma lição de vida!

A autora também coloca a participação de Via, irmã mais velha de Auggie; Jack, colega de escola; Justin, namorado de Via e Miranda, amiga de infância de Via. Cada um fala a seu modo, com sua maturidade e apresenta sua visão de como é conviver com Auggie Pulmmam! São verdadeiros, é como se estivéssemos lendo seus pensamentos… confessam coisas que sentimos e jamais confessaríamos! Muito bom pros pais verem o lado dos irmãos, dos colegas de aula, do lado “de lá” da história! As vezes queremos que nos entendam mas não paramos pra ouvir o outro! Vemos que não devemos ser juízes de nada pois as vezes o que parece egoísmo pode ser necessidade de acolhimento, conversa e amor. E sem procurar ouvir, sem nos despirmos de melindres ou ficarmos fragilizados com tudo que ouvimos, perderemos muitas pistas de como agir para “consertar” tudo! Pisar em ovos eternamente ou criar um escudo do mundo real é uma armadilha tentadora! Aqui, abrindo um parenteses, é como sempre ouvimos a frase “autistas não têm empatia”, mas quem fala nunca parou pra se colocar no lugar do autista… incoerência total!

Uma história que mostra nossa verdadeira capacidade de empatia e como devemos nos permitir experimentar os sapatos dos outros, livres de qualquer pensamentos ou rótulos… só temos a ganhar e crescer. Auggie sabe que é diferente mas para ele, ele é um garoto comum, como os outros garotos de sua idade:

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Há também um detalhe muito especial no livro que são os preceitos do Sr Bowne, professor de inglês que ensina às crianças como construir atitudes de gentileza através de cada pensamento que traz para a sala de aula todos os meses e propõe as crianças para que no final do ano escrevam os seus próprios! Tão linda essa ideia que a autora a expandiu em seu tumblr. seu app que desenvolveu para as pessoas compartilharem gentilezas e pensamento de amor! Acesse aqui e vejam o quanto esse livro além de ter trazido um assunto importantíssimo, virou um projeto bem maior: até um planejamento de atividades dentro de sala e um desafio para ver qual sala de aula é mais gentil (a autora prometeu prêmios para as melhores salas) e certificados de gentileza para os professores imprimirem e presentearem os alunos! Se você é professor, se inspire e se não for, faça uma competição na sua família!

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Com tanto sucesso que o livro teve, os leitores queriam outro livo mas a autora não queria fazer uma continuação da história e então surgiu a ideia de aprofundar mais na vida de algumas personagens e ela escreveu outros 3 contos e dentre eles o conto de Julian, o garoto que pratica bullying na escola de Auggie. Esse conto é o único que podemos dizer que é uma pequenina continuação mas bem mais aprofundado na visão de Julian. Mostrar essa visão em um outro livro foi uma jogada perfeita da autora para que não haja competição entre as histórias pois Auggie, no Extraordário, é um embaixador da empatia e apresentando os dois lados da história em um mesmo livro, nenhum dos dois teriam a atenção merecida! Recomendamos muito a leitura desse livro também, pois as 3 histórias são incríveis e principalmente o são pelo fato de podermos reconstruirmos nossos pre julgamentos! Julgar é normal, todo ser humano julga (até por uma questão de segurança fazemos isso)… o duro é nos apegarmos aos nossos PRÉ-conceitos e perdermos oportunidades incríveis. O livro se chama Auggie e eu, três histórias extraordinárias e ele tira aquela sensação de perda que ficamos quando acabamos um livro que amamos!

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Em 2015 foi sancionada a Lei que Institui o Programa de Combate à Intimidação Sistemática (Bullying). e foi um passo importante mas sabemos que essa lei, por si só, não combate as agressões físicas e psicológicas que correm na escola! Nosso próprio Sistema educacional deveria ser todo revisto para essa situação mudar pois está cada vez mais evidente em sala de aula a competição entre os alunos (e não a amizade, a irmandade) por melhores notas, para terem nomes em listas ou para ganharem medalhas de melhores alunos. Precisamos também mudar muito a nossa cultura para evitarmos ensinar essas atitudes dentro de casa. Frases como “quem não estuda vira lixeiro” ou “se você não comportar o homem da rua te pega” entre outras que minimizam a importância de todas as profissões (fique uma semana sem retirar o lixo e valorize seu lixeiro!) e não construiremos imagens falsas como a de que todo morador de rua é uma má pessoa. Há infelizmente até quem diga que deficientes forma castigados por Deus ou que Autistas tem o diabo no corpo ou cuidado que ele pode ser violento… isso tudo, constrói na cabeça de uma criança inocente, o preconceito. É nosso dever termos atitudes de gentilezas e incentivarmos cada vez mais a coletividade, mostrando que ao sermos egoístas quem perde somos nós. Trabalhos sociais, doações de brinquedos e roupas feitas em conjunto com as crianças e adolescentes, pesquisas e conversas sobre a imposição da mídia e da moda ajudam no combate do bullying! Respeito às diferenças não é fingir que elas existem e sim enxergar a beleza delas! Uma criança que tem uma mediadora por exemplo ou faz provas com mais tempo, isso não é uma vantagem e sim uma necessidade! Façam dinâmicas com os alunos em que eles tenham que fazer a prova com um fone de ouvido, com a mão não dominante, em outra lingua, etc… Professores devem tornar esse assunto um assunto de interesse de todos, não para apontar culpados mas mostrando a vantagem da união!

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Vamos praticar a gentileza?

Características associadas ao Autismo

Sempre que vamos falar sobre o conceito da síndrome, temos dificuldade pois é um transtorno tão amplo e cheio de comorbidades que fica difícil saber por onde começar ou como resumir o conhecimento sem deixar a pessoa com sono, hahaha. Ao lermos as características associadas ao autismo no livro “O Desenvolvimento do Autismo”, de Thomas Whitman, achamos bem interessante fazer um post com palavras fáceis e resumidas para divulgar conceitos importantes para entender esses indivíduos tão singulares.

Vamos começar com:

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Os sentidos nos alertam para tudo o que acontece ao nosso redor. Eles mobilizam e orientam o comportamento, influenciam as emoções e fornecem informações que afetam o pensamento em um nível estrutural e de conteúdo

hipersensibilidade= possuem os sentidos bastante sensíveis. Ex: rejeitam abraço, evitam certas roupas, evitam caminhar sobre a grama, dificuldade de manejar alguns tipos de materiais, etc.

Hipossensibilidade= não sentem dor, nem frio e não importam com sons altos.

Atração por estímulos= fixação, procuram perpetuar essa estimulação com comportamentos repetitivos e compulsivos. Ex: Anseiam por pressão profunda (tátil) ou cheiram tudo (atração por odor)

Não percebem o estímulo completamente= problemas de leitura (letras ondulam e desaparecem)

Incapacidade de coordenar ou integrar estímulos de diversas fontes= dificuldade de acompanhar conversa com ruído de fundo ou focar visualmente quando alguém está falando.

Mistura sensorial (sinestesia)= ver sons ou ouvir imagens

Sistema vestibular= regulação de equilíbrio e movimento. Sensibilidade: ter náusea ao passear de carro ou ao balançar. Algumas crianças que tem poucas reações podem ficar girando ou balançando sem parar.

Proprioceptivo= feedback sobre posição corporal pelos músculos, tendões e ligamentos. Este sentido nos ajuda a manter posição adequada em uma cadeira, segurar utensílios tais como uma caneta ou garfo de maneira adequada, julgar como manobrar no espaço de modo a não bater nas coisas, a que distância temos de estar das pessoas para não ficar perto demais, quanta pressão colocar para evitar quebrar um lápis ou um brinquedo e a mudar as ações que não foram bem sucedidas tais como jogar uma bola em um alvo.

Essa imagem mostra, claramente, os vários sinais de problemas sensoriais presentes nos autistas:

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A desorganização sensorial pode ocorrer por várias razões, inclusive uma incapacidade de concentrar-se em estímulos recebidos, falha ao filtrar aspectos irrelevantes dos estímulos e/ou falha para processar completamente a informação contida no estímulo.

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Em termos de comportamento este indivíduo pode parecer, em um extremo, hipoativo e retraído ou, no outro extremo, hiperativo e desorganizado.

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O Sistema de controle motor consiste em um conjunto de processos que ajudam a organizar e coordenar movimentos funcionais. Ele evolui ao longo do tempo como consequencia de feedback do ambiente e do corpo.

Pesquisadores notaram que bebês e crianças autistas pequenas exibem dificuldades precoces na alimentação autônoma, no vestir-se com destreza manual geral bem como atrasos nas conquistas dos principais marcos de desenvolvimento motor inicial (sentar, engatinhar, andar). Outros problemas observados incluem o controle postural, falta de jeito e habilidades motoras gerais e complexas (ex.: andar de bicicleta), comportamentos motores repetitivos, baixo tônus motor, anormalidade de contato visual direto e de rastreamento ocular, falta de resistência, perturbações no equilíbrio, dificuldades de sugar e engolir, complicações com a fala e dispraxia.

Dispraxia= problemas na formulação de um objetivo, em descobrir como concretizá-lo (planejamento motor) e a execução real da ação, etapas que têm obviamente um forte comportamento motor e cognitivo. Crianças com dispraxia têm dificuldades para aprender novas tarefas. Elas precisam de esforço e repetição para atingirem um nível específico de competência.

Crianças com dispraxia visual têm fraca percepção de forma e de espaço e problemas na coordenação visual-motora. Aqueles com dispraxia de comando são incapazes de assumir posturas físicas a estímulos verbais e têm dificuldades com o sequenciamento motor. Já aqueles com problemas de sequenciamento e integração bilateral têm dificuldade de coordenar os dois lados do corpo, não conseguem desenvolver predominância de mão e evitam cruzar a linha média do seu corpo. Finalmente, crianças com somatodispraxia manifestam problemas com a discriminação tátil, com a coordenação motora fina e grossa, com o controle das mãos, dos orais-motores, e com o esquema corporal.

Exemplos de problemas motores: dificuldade para jogar e pegar a bola, problemas com o equilíbrio (ficar de pé com uma perna e olhos fechados) e falta de destreza manual (dificuldade de amarrar o cadarço e com escrita).

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Pessoas com autismo são facilmente estressadas, ansiosas e temerosas. Mostram forte reação ao ambiente e também dificuldade para regular suas emoções quando se sentem incomodados.

Alguns dos sintomas associados ao autismo podem resultar de uma incapacidade de modular as informações sensoriais, o que reflete em problemas de baixa reatividade ou reatividade excessiva.

Para funcionamento eficiente, é preciso haver um estado de alerta tranquilo. Autistas demonstram níveis de estimulação inferiores ao ideal ou tão altos que ocorre a descompensação. Se há estimulação insuficiente, por razões biológicas e/ou ambientais, a hiporresponsividade (incapacidade para responder rapidamente ou até mesmo chegar a dar uma resposta) pode ocorrer. Se ocorre a estimulação excessiva, novamente por razões similares, a resposta torna-se desorganizada, impulsiva ou até mesmo inibida, como consequência de evasão ou retraimento.

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Existem vários posts que podem te ajudar nesta área, é só clicar para ler:

- Funções neuropsicológicas no autismo: Memória e Atenção
- Funções Executivas
- Teoria da Mente
- Dicas para Educadores e Pais
- Estratégias Pedagógicas
- Inclusão Escolar

Vale destacar que os autistas possuem pensamento concreto ou seja, dificuldade com ideias abstratas. Reagem de forma literal às palavras dos outros e por isso possuem dificuldade para entender sarcasmo, humor, metáforas, figuras de linguagem, duplo sentido, etc. Sua natureza é VISUAL portanto aprendem melhor através de imagens.

Retardo Mental= alguns autistas apresentam funcionamento intelectual abaixo da média com limitações em duas ou mais áreas de habilidades adaptativas: comunicação, cuidados pessoais, vida doméstica, aptidões sociais, uso da comunidade, autodeterminação, saúde, segurança, habilidades acadêmicas funcionais, lazer e trabalho.

Característica Savant= presença de capacidades notáveis e as vezes surpreendentes, existentes no contexto de déficits mentais. Ler sobre um autista savant aqui.

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Pessoas com autismo exibem um amplo padrão de deficiências em situações de interação social. Essa é uma das características central do autismo. Nesse quesito os autistas pode ser agrupados em três tipos: distante, passivo e ativo.

Distante= isolam-se do contato visual, aborrecem-se quando perto de outras pessoas e geralmente rejeitam propostas sociais.

Passivo= não tomam iniciativa social, aceitam tais iniciativas dos outros sem mostrar aborrecimento e podem até mesmo apreciar tal contato social.

Ativo= é composto por indivíduos que se aproximam espontaneamente, mas o fazem de maneira incomum, unilateral e inapropriada. Este grupo demonstra frequentemente um nível mais elevado de competência geral que os dois outros grupos.

Apego pelos pais (por se sentirem seguros), dificuldade com atenção conjunta (se interessar pelo que o outro interessa), complexidade para fazer imitação e para aprender de forma informal (pela observação de outras pessoas em situações sociais), são itens que tornam o ato de brincar um desafio. As brincadeiras dos autistas geralmente são esteriotipadas, sozinhas, concretas e não-simbólicas, decoradas e simples.

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Todos os autistas, não importa o grau, possuem dificuldade com comunicação. Alguns têm fala repetitiva e expressiva mínima enquanto outros desenvolvem linguagem mais elaborada, mas até esse grupo tem dificuldade para envolver-se em um discurso dinâmico. As deficiências de linguagem de crianças com autismo são resumidas como incluindo problemas em: palavras e gramática (incluindo recursos prosódicos da linguagem), convenções de conversação, entender perspectivas do ouvinte e uso da narrativa. Eles usam palavras menos sofisticadas, dificuldade do uso do passado, inversão de pronomes (usar “eu” no lugar de “você” e vice versa), utilizam sentenças na voz passiva e possuem problemas para produção e compreensão de perguntas. Geralmente são conversas sobre temas específicos e mudanças tangenciais de tópicos. Possuem problemas na modulação, volume, timbre, prosódia (ênfase) e ritmo. Possuem tendência para interromper os outros, dificuldade na elaboração de comentários e manter um fluxo de diálogo lógico.

Ecolalia= A pessoa repete o que escutou. Pode ser imediata (repetir a pergunta, por exemplo, ao invés de responder) ou tardia (responder ou conversar com frases de filmes, desenhos animados, séries, músicas ou frase que escutou das pessoas de convívio).

Deficiências pragmáticas= Dificuldade de iniciar conversas, dividir ideias, preocupam-se mais com o tema do que em trocar com o próximo.

Idiossincrasia= jeito peculiar de ser.

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Além da linguagem e interação social, outro ponto central nos autistas consiste em comportamentos incomuns e até mesmo bizarros porque sua origem e função não são compreendidas: balançar ou girar o corpo, ondular a cabeça, girar ou alinhar objetos, torcer ou tocar os dedos, dar descarga no vaso sanitário, apegar-se intensamente a itens específicos, aderir rigidamente a rotinas fixas e falar excessivamente de um tema específico.

Estereotipia= comportamentos repetitivos, geralmente ocorrendo com alta frequência, invariáveis em padrão e não funcionais (sem sentido para os outros). Geralmente fazem estereotipia para filtrar, diminuir ou aumentar estímulo, reduzuzir ansiedade ou tensão.

Transtorno Obsessivo compulsivo (TOC)= As obsessões, geralmente, se relacionam a comportamentos de natureza mais cognitiva, enquanto as compulsões têm natureza não verbal ou motora. Esses comportamentos aumentam quando o indivíduo está passando por estresse, adaptação a um novo ambiente e ansioso.

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Esse e o item seguinte estão relacionados. O comportamento autista é como um iceberg: o que está fora é só a ponta do problema.

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Quando há agressividade ou “birra”, a maioria das pessoas acabam julgando os autistas como pessoas sem educação ou sem limites. Mal elas imaginam que esse comportamento é um mínimo que está sendo externado. Por dentro dos autistas está acontecendo inúmeros desconfortos e dores. O comportamento inadequado pode ocorrer por algo que aconteceu no passado e só foi digerido posteriormente.

Depois de ler essas características anteriores, fica fácil perceber que é complicado suportar tantos estímulos ao mesmo tempo sem conseguir comunicar suas aflições. Fora isso, há muitas comorbidades que acompanham quem está no espectro: transtorno de sono, diarreias, sinusites, otite, etc. Para melhorar essas comorbidades e estes comportamentos, os pais devem ampliar sua visão e tratar a parte orgânica do autista, avaliando o que ela pode ou não ingerir.

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Essas imagens são excelentes para demonstrar o que estamos falando. Claudia Marcelino traduziu e divulgou e é fundamental estudar sobre o assunto e ter a alimentação saudável como aliada na qualidade de vida dos autistas.

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Esse item é muito importante e fazemos questão de colocar links para quem não tem conhecimento poder se inteirar sobre a amplitude do autismo, que é uma desordem orgânica: afetando o sistema imunológico, respiratório, digestório, neurológico… Os autistas estão cheios de alergias cerebrais e possuem o intestino permeável. Ler algumas características aqui

Importante ler a apostila da Cláudia Marcelino para ter um norte quanto a um tratamento biomédico eficaz.

Para facilitar vamos deixar essa imagem, feita também pela brilhante Claudia, pois ela mostra o passo a passo resumido de um tratamento holístico.

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Ler:
- Influência das Toxinas para os autistas
- Dietoterapia
- Protocolo DAN
- Tratamento DAN 2
- Alergias – Dr Sabra

Não existe um autista igual ao outro portanto não podemos julgar ninguém e nem fazer o que fizemos para um da mesma forma para o outro achando que vai dar certo. Temos que ser detetives e cientistas, com olhos bem abertos, para ajudá-los, ao máximo, a evoluir e ter muita qualidade de vida. Se eles são felizes, a gente é e para isso temos que ler cada item desses com atenção e vontade de agir!