Nem tudo é comportamento – Birra X Crise

Muitos pais não gostam quando um parente ou um professor (a) os chamam para reclamar do comportamento de seu filho, seja na escola ou em qualquer lugar. O mesmo acontece quando as pessoas dizem que seu filho não tem nada, é apenas mau-educado ou precisa de um corretivo. A frase ” você está procurando pelo em ovo” para a busca de um diagnóstico é um trauma recorrente em muitas famílias que escutam que seu filho apenas não tem limite. Pura falta de empatia! Esses pais e familiares de autistas vivenciam isso o tempo todo e tarefas simples podem parecer um filme de terror dependendo da lua ( e essa expressão aqui nem é mero acaso).

Se as pessoas se sentem mal quando terceiros resumem os comportamentos dos autistas em birras, nunca deveríamos colocar todos esses comportamentos em um mesmo pacote não é mesmo? Castigar alguém por ter dor de cabeça ou desconforto intestinal e não consegue comunicar, tirar oportunidades de pessoas as proibindo de fazer tal atividade apenas porque ela não entendeu ou não está no mesmo ritmo, obrigar uma pessoa a passar por uma situação que ela não quer (como comer algo que ela rejeita) impondo sua vontade, sem pensar que aquela pessoa se conhece bem e sabe seus limites… Ela não está jogando porque nesse momento ela é muito pura pra isso… Nem tudo é jogo, nem tudo é manipulação, nem tudo é para chamar atenção… pode ser uma crise, uma dor, ou uma tentativa de comunicação!

Então esse post tem o objetivo de diferenciar crises de birras e dar dicas de como lidar com ambos.

Crianças são cientistas natas e tudo para ela vira experiências. Ela passa boa parte das horas, em seus primeiros dias de vida, chorando para comunicar sua fome, que acordou ou que está suja. Isso não é birra! Quando crescem, jogam alimentos e objetos no chão para testar o barulho, a profundidade e principalmente, a reação das pessoas… Crescem mais ainda e testam seus limites e o limite do outro e isso não quer dizer medir forças; disputam brinquedos e isso não quer dizer egoísmo; falam “não” para os pais e isso não quer dizer uma afronta. Nem tudo é o que parece!

Birra no dicionário é “ação ou tendência para permanecer e/ou continuar de maneira insistente num mesmo comportamento, opinião, ideia etc; teimosia. Ato ou consequência daquele que contraria alguém por capricho”.

Quando uma criança está cansada, quer obter algo ou não quer fazer algo proposto para aquele momento, quando ela quer chamar atenção, esses comportamentos podem ser, muitas vezes, o que chamamos de birra. Choros incessantes, gritos, pisadas firmes ou empacadas, esperneios deitadas no chão… tudo isso tira um adulto do sério, os tiram de sua agradável sensação de controle e, na maioria das vezes, chamam muita atenção.

Esse tipo de comportamento de “birra” só tem fim de duas maneiras: QUANDO A PESSOA PERCEBE QUE AQUELA COMUNICAÇÃO NÃO VAI FUNCIONAR ou QUANDO A PESSOA OBTÉM O QUE QUER!

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Neste caso, é muito importante lembrar que muitas pessoas e terapias comportamentais enxergam o limite apenas como uma imposição de postura vinda de fora para dentro em que caso o comportamento continue após o aviso (ou ameaça), a consequência será um castigo, uma punição por não se comportar bem. Há também os que sugerem ignorar esse comportamento (o que muitas vezes torna-se impossível no casos dos autistas, já que podem se autoagredir / agredir o próximo ou se tornarem destrutivos, lançando objetos ou estragando coisas) ou o desvio de foco, mudando a atenção da criança autista para uma coisa que ela goste ou propondo um exercício simples para que ao ser realizado, ele ganhe o que quer como prêmio e não porque fez birra, bem focado em conter o comportamento, ao invés de promover a educação e trazer à tona formas melhores de lidar com seus obstáculos.

Não é segredo para ninguém que não gostamos dessas alternativas focadas apenas no comportamento (até porque um autista pode apresentá-lo bem depois, em um momento que pode não ter nenhum link com ele). Preferimos as terapias responsivas e a educação positiva, que também ensina e é a favor do limite, porém esse é feito de uma outra maneira: de dentro para fora e através do modelo e da mudança de comportamento do educador/autoridade AMADA, pais e familiares. Dessa forma a criança aprende a se autoeducar e entende a consequência de fato de seus atos, o que provoca uma real aquisição de uma habilidade emocional de controle, não trazendo raiva gratuita e nem distanciamento do próximo (lembrando que para o autista, como o social é uma barreira, não queremos que essa criança perca a vontade de fazer contato).

A forma que achamos incrível de encarar a birra é a apresentada pelo SonRise e pela educação positiva!

- “Birra” é comunicação: se seu filho/filha está fazendo escândalo para te contar o que ele quer, você deve mostrá-lo/a que essa não é a melhor maneira de se comunicar e para isso a primeira reflexão a ser feita é COMO VOCÊ SE SENTE EM RELAÇÃO À SITUAÇÃO. Quando vemos a pessoa que amamos em uma situação de desconforto, a primeira coisa que passa em nossa cabeça é resolver o problema e então nos tornamos mais rápidos e ágeis passando uma falsa impressão de que aquela comunicação é excelente e tem sucesso. Precisamos pensar que ser formos reativos ao invés de sermos conscientes, a criança nunca perceberá que essa não é a melhor forma de se comunicar pois está obtendo sucesso com essa comunicação. Devemos informar isso com calma para a criança, de que nos entendemos melhor com calma. Veremos mais exemplos a seguir. Encare a “birra” como uma grande oportunidade! Sim uma OPORTUNIDADE de mostrar ao autista que esse comportamento não funciona, é ineficaz, não traz o resultado esperado! Então, ao invés de ignorar, você vai mostrar a sua criança (ou pessoa de qualquer idade) que você não entende quando ela grita ou fala daquela forma. Ao invés de tentar adivinhar o que ela quer, você vai se tornando cada vez mais devagar, menos eficaz. E você pode inclusive comunicar isso a ela: “dessa forma eu não consigo te entender meu amor, procure se acalmar para que eu te ajude!” ou “com gritos, meus ouvidos doem e não entendo o que você diz, você pode me falar com calma e usar sua voz normal?” e a medida que a criança começa a responder essa comunicação, você se torna eficaz, mais rápido e responsivo. Se puder atender o pedido, atenda quando ela estiver calma e se comunicar melhor e se não puder, explique que você entende que ela queria muito aquilo mas que só poderá fazer isso em tal hora ou dê as opções possíveis no momento. Empatia!!!

- Previsibilidade / apertar o botão: Muitas vezes, nossas caras e comportamentos quando estamos bravos são previsíveis e muito interessantes (Quem não imita direitinho as frases que ouvia de sua mãe ou pai quando estava bravo? Eram sempre as mesmas ameaças e falas, hoje se tornaram até memes.) e isso pode ser o que sua criança espera de você pois não sabe como agir, qual o próximo passo (não consegue prever e tem sensação de perda de controle da situação) e quer atrair sua atenção e sabe que ao apertar o botão (fazer o comportamento “inadequado”) vai acontecer algo bem previsível, algo que ela conhece bem, igualzinho quando apertamos o botão e o brinquedo fala a frase que esperamos. Caso haja assim, estará reforçando essa comunicação de resposta rápida a uma ação que você não quer que se repita! Quebrar o ciclo com uma postura de calma e mostrar que aquele comportamento só a atrapalha naquele momento faz com que ela perceba, de dentro para fora, que ela se prejudicou e que aquilo não funciona e é melhor ela arrumar uma nova forma de comunicação. Ex: filho que tira sempre a roupa e recebe como resposta gritos ou atenção da mãe que o coloca sua roupa de volta ou corre atrás dele pelado com a roupa na mão criando uma brincadeira de pique pega – criança não só consegue o que quer como ainda arruma parceiro para brincadeira! Não seria melhor elogiar bastante quando ela está com a roupa e lhe dar bastante atenção nesse momento, compartilhando com ela seus interesses? Ao vê-lo sem roupa perguntar com “cara de paisagem” (pokerface – cara normal, calma) se ele quer ir ao banheiro ou tomar banho e encaminhá-lo ao local onde tiramos a roupa.

- Aqui também vale falar sobre as necessidades básicas da criança: fome, cansaço, sede, se está suja, dentre outras. Esses necessidades devem ser atendidas antes da criança chorar ou fazer escândalo e por isso é necessária a criação de um ritmo diário para que a própria criança saiba como agir quando passar por isso pois ela fará a ligação entre atitudes e seu corpo, o que ela precisa! Faça essas atividades falando como a pessoa se sente ao realizar aquela tarefa: “Estou com fome e vou comer”, “vou me limpar e vai ficar tudo bem”, “estou com sono e preciso dormir”… Falando pelo seu filho/a mesmo, modelando e também sendo modelo nas horas em que você mesmo estiver realizando as ações. Falando bem exagerado (de forma natural mas com emoção) você consegue atrair a atenção e o interesse! Prestar atenção aos sinais dessas necessidades é uma ótima estratégia para identificá-los para sua criança. Ela vai aprender o que sente e como agir! Caso isso aconteça e não tenha sido previsto, explique para sua criança que daquela forma você não entende o que ela quer e espere ela se acalmar para oferecer perguntas que a ajude a identificar o que precisa!

- Seja positivo e modele o que você quer ao invés de ensinar o que não quer: Sempre que um autista tiver um comportamento de agressividade ou um comportamento que não é o esperado, aproveite para mostrar a ele o comportamento esperado, o que é mais adequado para seu objetivo. Ex: quando uma criança der um tapa por não ter conseguido se comunicar ou não ter conseguido o objetivo dela, diga que você gosta de beijos e abraços e carinhos… e mostre como fazer! Se ela rabiscar uma parede, mostre o papel, se subir na mesa, mostre onde ela pode subir! Feito isso, ela vai aprender a tomar suas próprias decisões em seu tempo e verá que a melhor forma de agir é a que as pessoas que ela ama lhe apresentam. Estabelecer uma relação de vínculo afetivo é bem importante aqui pois a criança quer imitar uma pessoa que ela admira e apenas uma pessoa compreensiva e afetiva consegue isso. Muitos terapeutas/profissionais/pais querem mudanças nos autistas que nem eles mesmos realizam e portanto amamos a proposta de sermos modelo do que queremos, sermos inspiradores! Devemos ser modelo de flexibilidade, amor, boa comunicação e calma para que assim, vejamos isso tudo no autista (ou em qualquer pessoa)!

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- Use o diálogo e explicações: seu/sua filho/a/parente deve perceber que o diálogo é precioso e essa é uma excelente oportunidade de você se mostrar amigo/a. Mostrar para seu filho/a que se ele/a apontar ou disser calmamente o que quer, ele/a terá mais sucesso em sua comunicação ao invés de chorar ou gritar, explicar que você está ao lado dele/a e que o/a ama mas que precisa que ele/a entenda que naquela hora o melhor é acatar o seu pedido. Se nada disso funcionar, dizer que mesmo ele/a chorando, não vai conseguir o que quer pois naquela hora aquilo não lhe fará bem e então parta para outra atividade, no mesmo ambiente para que ele/a veja que existem outras alternativas e também para que você observe se ele/ela está em segurança. Você pode ler um livro, arrumar a estante, ou mesmo brincar ali por perto.

- Identifique, o porquê dessas “birras”, se é uma variável ambiental ou motivacional: (exemplo: todas as vezes que ele/a tem que tomar banho ele/a faz birra) para que você possa ir construindo ferramentas de apoio e adaptação do autista para aquela situação. Ex: melhorar o sensorial, construir a flexibilidade, se comunicar melhor, entre outras habilidades que podem ajudá-lo/a a reduzir o stress em muitas situações.

- Crie um ambiente que seja mais controlável para que você reaja à “birra” de maneira amena, lenta e sem resposta. Agir de maneira calma nessa hora pensando em proteger o vaso raríssimo de porcelana chinesa é bem complicado. Pior ainda se houver algo com que o autista possa se machucar. E aqui também vale reduzir o número de coisas para proibir de mexer… isso evita a quantidade de nãos que uma criança pode escutar!

- Não trave batalhas o tempo todo: Será que tudo é inadequado? Será que tudo é arte? Aprenda a se opor em atitudes realmente importantes para que sua relação não se desgaste atoa. Fazer vista grossa de vez em quando é tão saudável… se a criança não está em risco ou não está fazendo algo realmente prejudicial, pondere.

– Por último mas muito importante: Não interprete o que seu filho/a está fazendo nesse momento como algo que tenha a ver contigo. Ele/a não está fazendo isso para te provocar ou para te magoar… ele/a simplesmente busca uma resposta para sua comunicação. Portanto essa dica tem muito a ver com a dica de verificar como você se sente em relação a essa atitude de birra. Pense logo na oportunidade de ensinar ao seu filho/a como agir e como você é parceiro/a dele/a até nas situações difíceis! Então, nada de vingança: essa não é definitivamente a hora de castigá-lo/a ou impor algo a ele/a. É hora de mostrar como agir e que birra não funciona!

Agora vamos falar das crises, também chamadas de Meltdown acontecem na maioria das vezes devido a uma sobrecarga sensorial, emocional e de informação, mudança brusca de rotina ou até mesmo dificuldade em lidar com frustrações e de se comunicar.

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Ela entra em um processo de inundação do cérebro através da entrada sensorial. Cientificamente, ansiedades imediatas ou de curto período são definidas como reações de luta-ou-fuga. Na presença de estímulos ameaçadores, sendo eles reais ou mesmo imaginários, há ativação do sistema nervoso autônomo, mais precisamente o sistema nervoso simpático, responsável pela liberação de substâncias importantes para que o organismo possa escolher entre a luta ou a fuga do estímulo ameaçador. Essa resposta de estresse, aparentemente ruim e temida pelas pessoas, é responsável pela manutenção da vida e é extremamente essencial ao nosso organismo porém, pessoas com síndrome do pânico, crise de ansiedade e autistas podem acessar esse mecanismo no dia a dia em situações com muita carga emocional, psíquica e sensorial. Ela provoca muitas reações no corpo da pessoa tais como frequência cardíaca acelerada, pressão arterial aumentada e frequência respiratória acelerada. Após a ameaça desaparecer, leva entre 20 a 60 minutos para o corpo a voltar aos seus níveis normais. Ou seja só há duas formas dessa crise chegar ao final: uma delas é a fadiga total da pessoa e a outra e bem melhor é a redução de entrada dos estímulos, retirando seu filho/a do ambiente e levando-o/a para um local mais silencioso e ficando ao lado dele/a, transmitindo lhe segurança e conforto, sem falar muito pois o objetivo é silenciar as entradas sensoriais.

Vamos aprofundar mais então nos motivos que são as principais causas das crises

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– Super-estimulação e sobrecarga sensorial: as crianças autistas são mais propensas do que outras crianças a terem transtorno de integração sensorial,o que aumentam a sua sensibilidade à luz, barulho, cheiro ou certas texturas. Supermercados, escolas, parques, shoppings, ou seja, ambientes com muitas pessoas podem oferecer uma sobrecarga ao autista e por isso é sempre bom ter em mente que as idas a esses lugares devem respeitar uma adaptação, sem traumas e pessoas que forcem o autista a ultrapassar seu limite sem estar preparado. Quando for em festas de família, procure sempre criar um espaço aconchegante (ninho) para seu filho/a fazer pausas e tente fazer essa proposta na escola para que criem esse espaço na sala e disponibilizem saídas durante a aula, com objetivos específicos para que ele/a retorne. Uso de tampões de ouvido, carregar bolinhas para apertar ou garrafinhas sensoriais, mordedores (hoje existem opções de colares que são bem aceitos socialmente), roupas mais apertadas para quem precisa de sentir mais seu próprio corpo, dentre outras podem ajudar. Os autistas que tem problemas sensoriais devem procurar um/a Terapeuta Ocupacional para ajudá-los a lidar com esses estímulos e devem pesquisar sobre a dieta sem gluten e sem leite pois essas proteínas mal digeridas podem causar desequilíbrio sensorial. No momento de crise, apenas fique ao lado da criança, reduza os estímulos e não fale muito. Use sua voz calma e espere pois vai passar. O ideal aqui é ir mapeando os sinais que sua criança/adolescente/adulto dá antes de ter uma crise (se ele balança as mãos, se isola, se começa a ficar inquieto ou dar gritinhos, cada um tem o seu, é bem particular) e assim, já perguntar se está tudo bem, se gostaria de dar uma volta ou ir para um ambiente mais calmo.

– Mudança da rotina: como autistas tem dificuldades de previsibilidade (por isso amam desenhos repetitivos como Peppa Pig e séries repetitivas como Chaves) lidar com mudanças repentinas pode gerar muita frustração e provocar um pânico por não saber como lidar com a situação. Autistas precisam de controle, de saber o próximo passo! Como o melhor tratamento para uma crise é a prevenção dela, aqui cabe falar da importância de criar um ritmo para a casa (e não uma rotina pois rotina enrijece, endurece a pessoa, tira flexibilidade e o ritmo cadencia as atividades mas elas podem variar dependendo dos acontecimentos ou circunstâncias), para os dias da semana, para o dia a dia e ampliando isso, para as estações do ano, entre outras! Dá pra criar várias estratégias para que isso não se torne uma obrigação e sim uma vivência gostosa da disciplina vinda de dentro para fora (autoeducação). Exemplo: chegada da escola, preparo da mesa com música lúdica cantada (só os pais podem cantar a princípio e crianças vão aprendendo), depois do jantar pode-se criar uma brincadeira para ir para o banho e criar um momento gostoso com musicas no banheiro, brincadeira e depois o colocar o pijama, que é uma roupa especial para a historinha na cama… criar um clima, acender uma vela, contar a história, fechar o olhinho, fazer a oração e dormir… Músicas são ótimas para marcar transição! E ao invés de dar ordens diretas, criar mecanismos que estimulem a pessoa fazer a atividade: “Quem vai chegar primeiro no banheiroooo?” E assim, tudo vai se tornando leve e brincante! Caso aconteça uma mudança repentina de um professor faltar e não ter a aula que a criança mais gosta ou o tempo fechar e não der pra ir no clube, tente ser empático/a e entender que sua criança pode ficar muito triste e até raivosa e agressiva mas não é nada pessoal, é só ela tentando digerir o acontecido, que seus planos não deram certo. O melhor a fazer é dizer que entende que ela está chateada mas que vocês podem fazer outra coisa assim que ela se acalmar e que semana que vem ou na próxima oportunidade tudo volta ao normal.

– Dificuldades para lidar com frustração: autistas detestam errar e por isso é muito importante valorizar o processo de tudo que ele faz e ter, nas atividades, pequenas metas que vão sendo alcançadas até que o resultado maior seja atingido. Valorizar o esforço e não somente o resultado final e fazer elogios bem descritivos para que ele perceba onde está acertando. Trabalhar a persistência como um ato de coragem e valorizar bastante isso mostrando que até adultos erram e grandes campeões se esforçaram bastante para chegar até ali. Gostamos de trabalhar com as frustrações, e aproveitá-las para mostrar que as dificuldades nos fortalecem! Não curtimos terapias que não lidam com erros como forma de evitar crises ou problemas pois mostrar que errar não é o fim do mundo é fundamental para que o autista se torne flexível.

– Dificuldades de comunicação: As dificuldades na comunicação podem ser reduzidas à medida que são trabalhadas as nomeações de sentimentos (você está feliz porque ganhou um presente, você está bravo pois gostaria de comer mais doces e não pode, você está triste porque seu pai viajou), com a valorização das tentativas de comunicação sempre elogiando o esforço e a medida que o adulto não responde essa crise tentando adivinhar o que a criança quer nesse momento e sim espere ela se acalmar para mostrar que a melhor comunicação não é dessa forma. Mostrar que quando ela aponta, te leva ao local ou objeto e se esforça para dizer também é muito válido. Não devemos ficar forçando para que ela fale corretamente ou ignorando essas tentativas fingindo que não entendeu: ao menor sinal de comunicação, valorize! Comemore o apontar e aproveite para nomear o objeto, comemore o olhar e agradeça, vibre com um som e diga que entendeu que ele falou “bo” para bola e mesmo se o som não tiver nada a ver, aproveite: “você falou “iiii” para água”!

Então é muito importante identificar se o comportamento que o autista está apresentando é birra ou crise para você saber como agir para ajudá-lo!

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Mas uma coisa é certa, tem coisas que você pode fazer que vale pra qualquer reação de seu/sua filho/a e para melhorar a qualidade de vida da família toda:

- Elogie seu filho/a por se acalmar e sempre que estiver fazendo o que se espera. Um simples olhar (que para eles pode ser um esforço enorme) deve ser agradecido, elogiado, comemorado! O que para você é uma obrigação, para ele/a é um esforço que deve ser reconhecido. Elogiar a calma, como ele está sendo amigo, como está fazendo a tarefa bem, a concentração, etc. E muito importante: não banalize o elogio e o torne automático! Seja genuíno e descreva bem o que está elogiando, elogie de muitas formas, comemore… eles conseguem ler corações (não é Elaine?)

- Reconheça os sentimentos do seu filho. Você pode dizer algo como, “Eu sei que você estava chateado porque queria muito passar dessa fase no videogueime” ou “você está bravo porque seu pai está viajando mas ele vai voltar”.

- Punir ou zombar de uma criança que tem uma birra ou crise só torna o momento pior e é injusto quando aplicado em qualquer uma dessas situações. Usar palavras como garoto mau ou menina impossível dentre outras é muito prejudicial e causa uma berreira social, de confiança e emocional.

- Ensinar outras maneiras de lidar com a raiva e frustração. Por exemplo, incentive seu filho a usar palavras para expressar seus sentimentos, ensiná-lo a respirar profundamente, a encontrar um local calmo para vencer esse momento, a anotar suas angústias, dentre outras formas de se conhecer e lidar com o momento.

- Seja um bom modelo. As crianças aprendem assistindo seus pais/parentes/professores/terapeutas, assim deixe que sua criança veja que você pode segurar suas próprias emoções fortes calmamente. Tudo que queremos do próximo, devemos nos esforçar para conquistar também!

- Caso a criança se auto agrida ou agrida o próximo, você não deve deixar que isso aconteça. É o único caso de intervenção. Não se desespere, continue calma e proteja sua criança com travesseiros em volta, tirando tudo o que pode machucá-la do ambiente e se for necessário, a abrace para que ela entenda que você quer protegê-la.

Para finalizar, não poderíamos deixar de dizer que há também comportamentos vindos de um corpo desorganizado e segundo o ARI 85% dos autistas tem problemas intestinais. Além das alergias como comorbidade (condições que acontecem junto com a síndrome), um autista pode ter vermes, fungos, parasitas em geral, pode estar com metais pesados em excesso no corpo por não conseguir eliminar e intoxicam o cérebro, ter uma carga viral enorme sem nunca ter desenvolvido aquela doença e ter apenas vacinado dela, entre outras coisas. Então, a brincadeira dizendo que o comportamento do autista muda de acordo com a lua é uma brincadeira séria pois muitos pais notam os autistas mais agitados nas luas nova e cheia, principalmente nesta última e isso tem muita relação com os vermes. Além dos autistas terem essas comorbidades que causam desconforto eles ainda podem apresentar comportamentos “autísticos” devido a falta de vitaminas e sais minerais no corpo como por exemplo obsessão e compulsão pode ser falta de magnésio, omega 3 pode melhorar a fala, dentre outros protocolos. Recomendamos muito o tratamento do organismo como um todo para o autismo, não só do cérebro com remédios que são receitados para interromper sintomas (muitos são passados sem a causa ter sido investigada)… Para nós, a maioria dos comportamentos tem origem em desorganização orgânica! Fica a reflexão para que médicos, profissionais e todas as pessoas ampliem essa visão.

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Fontes:

Vencer Autismo
Understood
WebMd
Autism Awareness Centre
UFF
Clique e Aprenda
Vladman

Animação “Fixing Luka” (Fixação de Luka)

 photo f14_zpsq0ardcxe.jpgResolvemos fazer esse post pois um amigo nosso (Ivan Spolador) nos marcou em uma reportagem da Aliança para a Infância que mostrava uma animação sobre autismo. Adoramos animações e fomos logo assistir. É um projeto daqueles que você se apaixona a primeira vista, um filme que toca no fundo da alma e que faz a gente querer espalhar pois o aprendizado contido ali é enorme e lindo. Sempre que uma lindeza dessas cai nas nossas mãos nos emocionamos muito e ficamos gratas por existirem pessoas que conseguem dar forma, concretizar lições de vida. É claro que o autismo traz dificuldades, comorbidades, revoltas… mas também traz crenças, quebra de paradigmas, união e um amor capaz de dar uma força fora do normal para lutarmos e inspirarmos outras famílias e pessoas, um amor que faz com que sintamos a vontade de ajudar as pessoas, não a consertarem seus filhos mas a entenderem e compreenderem a missão deles na Terra.

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Sinopse:

Patos de borracha alinhados perfeitamente em uma fileira. Mil selos presos a uma parede do quarto. Uma pirâmide de dedais bateu no chão. Estas são apenas algumas das rotinas obsessivas de Luka, uma rotina diária desempenhada sob o olhar ansioso de sua irmã, Lucy. Ela acha que Luka precisa de conserto pois cada vez que ela perturba sua rotina, Luka desmorona. Literalmente.

Uma noite – maltratada por suas molas e rejeições – Lucy finalmente perde a paciência e foge. Tropeçando na floresta, ela descobre um soldado de relógio em uma barraca. Quando consegue consertar sua cabeça, Lucy acha que encontrou a solução para seus problemas em casa.

Assistam até o final e vejam o que acontece no desenrolar da história.

Fixing Luka (2011) from Jessica Ashman on Vimeo.

Ficamos realmente impressionadas com essa produção pois ela chegou até a gente também como um sinal divino. Também criamos um personagem autista que se chama LUKA e fizemos algumas histórias em quadrinhos com ele aqui pro blog e no filme, Lucy, a personagem que se preocupa e quer entender e consertar o Luka, é irmã dele. E é um vídeo sobre TOTAL empatia mostrando que o os caminhos (Son Rise e Antroposofia – pedagogias curativa e waldorf) que acreditamos e confiamos realmente são os que mais respeitam e tratam o autista com um indivíduo, uma pessoa com habilidades e dificuldades que serão diminuídas através de seus interesses, respeito e amor.

Pesquisamos um pouco sobre o filme e sobre a autora da obra para que a gente dê ainda mais valor ao curta.

Fixing Luka foi uma produção bastante épica considerando que foi seu primeiro curta profissional. Foi também o seu primeiro filme com financiamento profissional onde ela poderia contratar uma equipe para ajudar. “Lembro-me de Anna Odell, a produtora fantástica do curta, dizendo-me “Você faz a criação e eu vou fazer isso acontecer”, e isso me fez realmente concentrar-se nesta idéia de colaboração.” disse ela em uma entrevista. Na obra ela queria mostrar a “aceitação do outro” através do AMOR!

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O filme tem uma sensação tátil impressionante, como se pudéssemos tocar as personagens. A aparência do curta derivou da idéia de Lucy e Luka sendo bonecos de relógio quebrados – Luka especificamente. Desgastado nas bordas, sujo, mas inocente no caráter. A talentosa produtora, Judith Johnston, fez um belo trabalho criando os modelos para o filme, desenvolvendo esse estilo em uma forma física, trabalhando a partir de meus desenhos e pintura. À medida que mais personagens foram adicionados (como a mãe e o soldado de brinquedo), este estilo dilapidado expandiu-se para todo o mundo da animação. Ela queria o passar o conceito de “sentimento quebrado” e ao mesmo tempo, desenvolver um lado familiar. Colocou também patchwork, que combinava fragmentos sonhadores de nostalgia familiar com um olhar sombrio, mágico, de conto de fadas.

Simplesmente amamos! Este curta demorou um ano para ficar pronto e ganhou inúmeros prêmios. Abaixo está a ficha técnica da produção. Esperamos que tenham gostado e sentido, profundamente, o que está por trás deste roteiro e produção. Esta animação nos deixou muito contente e esperançosa, pois os autistas precisam, acima de tudo, de nossa empatia.

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Escrito, Animado & Dirigido por Jessica Ashman
Produzido por Anna Odell
Diretor de Fotografia: Ruan Suess
Original Pontuação: Pete MacDonald
Chefe de Design e Modelismo: Judith Johnston
Editor: Rachel Tunnard
CGI Responsável: James Houston
Desenvolvimento da história: Paul Welsh & Rosie Crerar
Animadores: Nicola Welbourne & Simon Doolan
Modeladores Superiores: Wendy Cairns & Gary Loughran
Modeladoras: Nicola Welbourne, Joanne Ferrie, Luisa Cocozza, Karen Hall, Edgar Elizabeth, Susan McCoomb, Claire Thacker
Artista Digital: Claire Thacker
Carpinteiro: Frazer Fyfe
Misturador de Dublagem: Romano Valerio em 422
Músicos: Emily Carr, Rory Clark, Susan Appelbe, Graeme Black, Gillian Fleetwood, Fergus MacDonald, Pete MacDonald, Cameron Maxwell
Colourista e Online: Tom Balkwill em Looks sujos
Equipamento fornecido por Kolik
Produtora: Ciara Barry
Coordenador do projeto: Ashley Black

Fontes:

Jessica Ashman
Fixing Luka
Director Notes

Livro: Com Amor, Anthony

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Vale a pena começar esse post pela autora do Livro: Lisa Genova. Ficamos encantadas com sua biografia: ela é uma autora best seller do New York Times, formada em biopsicologia e é PHD em neurociência pela Universidade de Harvard. Ela se apoiou na Neurociência para começar a escrever e informar sobre o que estudava. Seu primeiro livro, “Para Sempre Alice” tem como tema o mal de Alzheimer, no livro “Nunca mais Raquel” ela aborda TDAH e lesão cerebral traumática, em “Com Amor, Anthony” ela conta sobre uma criança autista e em seu livro mais recente “Inside the O’Briens” (achamos que o livro ainda não foi traduzido para o portguês) ela relata sobre a Doença de Huntington (um distúrbio neurodegenerativo).

Lisa pesquisa MUITO para escrever seus livros (lê tudo o que pode, entrevista médicos, conversa com as famílias que vivem com a condição), mas o desenvolvimento de “Com Amor, Anthony” foi definitivamente diferente dos dois livros anteriores. Quando ela estava escrevendo os primeios livros ela sempre sentiu que poderia se apoiar na neurociência através de livros didáticos e profissionais para obter informações científicas sobre Alzheimer ou Negligência e traumatismo crânio-encefálico, e, como uma escritora iniciante, achou isso reconfortante. Em “Com Amor, Anthony” ela tinha consciência que estava escrevendo sem este apoio: não existe nenhum livro de neurociência sobre o autismo. E a estrutura desta história é muito mais complexa do que os outros livros. Ela fala: “Com “Para Sempre Alice” e “Nunca mais Raquel”, eu era uma neurocientista escrevendo um romance. Com Amor Anthony, eu me tornei uma romancista.”

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A obra relata uma história de um autista não-verbal chamado Anthony, e foi inspirado no filho de sua prima, com o mesmo nome. Ficamos impressionadas com a qualidade da escrita de Lisa! Uma leitura completamente envolvente e atrativa. O livro aborda o transtorno da visão do autista e é quase impossível acreditar que a personagem é fictícia. Não é uma obra sobre autismo mas a forma como a síndrome foi tratada é perfeita. A autora mostra as dificuldades e aprendizados do dia a dia com uma pessoa que está no espectro. Em vários capítulos as lágrimas caíram mostrando a emoção contida em cada página.

Além de conscientizar as pessoas sobre a síndrome, Lisa queria algo muito maior com o livro:

“Eu queria lançar uma luz sobre o que é igual entre todos nós, se você tem autismo ou não. Como os seres humanos interagem uns com os outros? Somos todos capazes disso? O que acontece quando não conseguimos ou não queremos nos conectar com as outras pessoas? Qual a sua eficácia para comunicar como se sente ou o que você quer? O que acontece quando encontramos maneira de realmente entender e aceitar uns aos outros? Seu amor pelas pessoas é incondicional?”

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Resumo:

“Em seu novo romance, a autora best-seller de Para sempre Alice e Nunca mais, Raquel conta a história de Anthony. Ao dar voz ao rapaz autista, Lisa Genova permite que ele releve os segredos por trás do funcionamento de sua mente: por que ele odeia pronomes, mas ama o número 3 e balanços, como ele experimenta a rotina, a alegria e o amor. E é a voz desse rapaz que vai guiar duas mulheres em sua jornada inesquecível para descobrir as verdades universais que unem a todos nós.”

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Entrou para a lista dos melhores livros que lemos! Perfeito para presentear parentes, professores, amigos e todos aqueles que são amantes da leitura. O conteúdo é surpreendente e nos ensina muito. Guardaremos Anthony em nosso coraçao para sempre e somos gratas por cada palavra “falada” por ele. Foi como se estivéssemos dentro de sua mente e pudéssemos entender seus comportamentos. Podemos dizer que o foco principal desse livro é a empatia.

Título no Brasil: Com amor, Anthony
Título Original: Love, Anthony
Autora: Lisa Genova.
Editora: Nova Fronteira
Ano: 2015
Páginas: 304

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Fontes:
Simon and Schuter
Good reads
Uma apaixonada por livros
Entre óculos e livros
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3 boys and a dog
Cantinho de Duas
HDYO
Boston Globe
Lisa Genova
Conchego das Letas

Distúrbio do Sono

A maioria dos autistas sofrem de distúrbio do sono. A falta de sono leva os autistas e seus familiares a terem diversos problemas como agressividade, depressão, hiperatividade, aumento dos problemas de comportamento, irritabilidade e má aprendizagem e desempenho cognitivo.

As causas são variadas, mas as principais são:
- Refluxo gastroesofágico
- Apnéia do sono
- Pesadelos
- convulsões
- Ansiedade
- atividade física insuficiente
- distúrbios de ritmo circadiano (ciclos de sono e vigília)
- regulação anormal de melatonina
- fungos
- alergias
- experiências sensoriais aumentados: sensibilidade à luz, toque ou som.

Estamos aqui para falar dessa última hipótese (em negrito) e trazer dicas.

Para as crianças que têm problemas para dormir, técnicas sensoriais destinados a acalmar e organizar o corpo pode ser útil. Na verdade, muitas das mesmas técnicas e métodos que usamos para acalmar um recém-nascido ou do lactente pode ser adaptado para uso com crianças mais velhas para ajudá-los a adormecer com mais facilidade e espero ficar dormindo durante a noite.

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Essas dicas fornecem calmante tátil e proprioceptivo de entrada em todo o corpo, fazendo com que a criança se sinta segura.

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Movimentos repetitivos e rítmicos como balançar regulam o sistema vestibular, ajudando as crianças relaxar.

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O ruído branco pode ser calmante porque bloqueiam outros sons que possam assustar ou acordar as crianças.

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Assistindo água corrente, peixes deslizando através de um aquário, ou até mesmo uma fogueira crepitante, muitas vezes tem um “efeito hipnotizante” em crianças e adultos. Concentrando-se na entrada visual suave pode ajudar muitas crianças a relaxar e adormecer. Quando a criança dormir, desligar esses aparelhos.

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A temperatura quente traz conforto e acalma. Claro que alguns autistas são calorentos, observar o que é agradável ou não para a criança.

Confira outras dicas práticas:

- Evite decorar o quarto da criança com muitos enfeites e cores. Se possível, diminua os ruídos externos durante a noite.

- Prepare um ambiente bem escuro para ela.

- Evitar aparelhos eletrônicos até 1h antes de dormir (videogame, tablets, celulares, televisão, etc).

- A atividade física é uma boa forma de gastar energia. Prefira o período da manhã ou o início da tarde.

- Alimentos estimulantes, como chocolate, café e chá, não devem ser ingeridos próximos à hora de dormir. Fazer diário alimentar e ver o que faz bem ou não (o que agita). Autistas devem fazer dieta com pouco açúcar, isento de glúten e leite.

- E nunca se esqueça: criar um ritmo para dormir e acordar é importante para o organismo da criança: escovar os dentes, tomar banho, fazer massagem, contar história (ou cantar), dormir.

Fontes:

Revista Crescer
ARI
The Inspired Tree House

A importância de saber lidar com a frustração

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A vontade de escrever esse post surgiu de mostrar a importância de ensinar os autistas a saber lidar com suas frustrações/ dificuldades. Utilizamos a forma lúdico/responsiva com Luiz Júnior, mesmo antes de conhecer o son rise. Somos a favor do encorajamento de tentar até conseguir o objetivo e de fortalecer a auto estima para que ele acredite no potencial dele. Lu está invocado com edição. Ele sempre gostou do canal globo mas agora ele expandiu seu interesse para além do visual e da pesquisa sobre vinhetas e logomarcas de afiliadas, agora ele quer produzir suas vinhetas. Baixamos alguns aplicativos sobre edição no ipad e ele foi querendo mais e mais… até conversamos com amigas sobre o tema (Valeu, Lulu) e conseguimos outros programas com mais efeitos… E ele quer mais ainda. Outro dia queria fazer um movimento que não conseguíamos. Mostramos o movimento que ele queria em quadros (pois os vídeos são feitos de fárias fotos em sequência) utilizando o corel (programa de design) e depois colocamos as inúmeras imagens no movie maker (programa bem básico de edição do windows) mas não ficou perfeito… e então falamos que não conseguíamos mas que íamos ver se algum editor nos ajudaria. Ele fez 81 vídeos até ficar como ele queria… e ficou PERFEITO… ficamos emocionadas… não com o movimento perfeito mas com a PERSISTÊNCIA dele. E ele só chegou lá porque NUNCA deixamos de conversar ou nos interessar pelo que ele gosta. Sempre colocamos os projetos dele em prática com entusiasmo! E nunca elogiamos apenas o resultado final… elogiamos cada passo dado, elogiamos sua coragem, elogiamos quando ele busca outra solução e assim ele se sente motivado.

Perder no jogo, tirar nota baixa na escola, não ter o brinquedo que quer. Frustração é um sentimento, uma emoção que ocorre quando algo que era esperado não ocorreu. A decepção faz parte da vida das crianças e tem papel importante no desenvolvimento. É difícil para os pais, professores, amigos e parentes verem as crianças sofrerem, mas é preciso ter em mente que ela vai passar por essas situações em diversos momentos da vida e que elas serão importantes para que a criança amadureça e se torne mais forte.

Os autistas (e pessoas típicas) estão cada vez menos sabendo lidar com esse sentimento. Uma das possíveis influências para esse comportamento, cada vez mais frequente, é o imediatismo do mundo atual. Hoje temos acesso à informação, a alimentação, entretenimento de forma muito rápida e fácil (as brincadeiras estão cada vez mais virtuais e direcionadas), a maioria das escolas é comportamentalista (ou a criança ganha certo ou errado, o processo quase nunca é valorizado), e ainda existem terapias com aprendizagem sem erro em que a criança acerta sempre e ganha um reforço depois disso. Vamos comentar esses desses itens abaixo.

A importância da valorização do processo:

A maioria das crianças e jovens hoje não participam de nenhum processo de feitio de nada, ganham ou compram tudo pronto. E não conseguem esperar por nada sem reclamar ou ficar irritado/agressivo. Antigamente víamos nossos familiares prepararem nossa comida, víamos uma roupinha de boneca ser costurada, um boneco ser feito, uma tábua virar escorregador, caixotes virarem fogõezinhos, pedaços de pau se transformavam em espadas, etc.

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O trecho acima é do texto No mundo dos processados, a criança não aprende o que é o processo, que vale a pena ser lido na íntegra. Os processos foram abolidos até da escola por acharem ser “perda de tempo” ou por ter que cumprir uma grade curricular extensa. Falamos isso porque damos aula particular e ficamos todos os dias no contra-turno com nosso irmão, fazendo deveres, ensinando a matéria, pesquisando, estudando para provas. Os professores raramente fazem experiências. Lu teve que decorar se uma mistura é bifásica ou trifásica em química, o que é lipídeo, carboidrato ou proteína em biologia, o que é movimento retilíneo uniforme em física, tipos de gêneros literários e por aí vai… o famoso “cuspe e giz”. Os professores precisam aprender que saber “de cor” é saber de coração… como guardar uma matéria se ela é dada apenas na teoria? Para os autistas isso ainda fica pior porque eles precisam de material concreto para aprender.

Comportamentalismo/diretividade x construtivismo/responsividade

Antes da descrição desse ítem, vale muito a pena ler o nosso post Recompensa não compensa. Adoramos os métodos responsivos e somos apaixonadas na educação para a liberdade.

A responsividade e não é desleixo ou ausência de limites. Os terapeutas/professores não fogem de suas obrigações e sim realizam de uma forma mais apropriada aquilo que a palavra “educar” significa: conduzir a partir do interior. E isso exige PRESENÇA profunda (observação e atenção) e constante. Para ajudar o aluno/paciente a pensar e saber decidir é preciso estar próximo dele, percebê-lo, situá-lo em seu contexto, questioná-lo quanto ao que está pensando e sentindo, permitindo-lhe, assim, que descubra quais são os múltiplos fatores que o estão condicionando. Agir não-diretivamente é interessar-se pelo que de melhor existe, é tratá-lo como indivíduo, como uma forma de querê-lo bem em sua integralidade, de reconhecê-lo em seus lados fortes e ajudá-lo a lidar com suas fraquezas.

O construtivismo (Jean Piaget e Vygotsk) propõe que o aluno participe ativamente do próprio aprendizado, mediante a experimentação, a pesquisa em grupo, o estimulo a dúvida e o desenvolvimento do raciocínio, entre outros procedimentos. A partir de sua ação, vai estabelecendo as propriedades dos objetos e construindo as características do mundo.

O método enfatiza a importância do erro não como um tropeço, mas como um trampolim na rota da aprendizagem. A teoria condena a rigidez nos procedimentos de ensino, as avaliações padronizadas e a utilização de material didático demasiadamente estranho ao universo pessoal do aluno.

As disciplinas estão voltadas para a reflexão e auto-avaliação, portanto a escola não é considerada rígida.

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Comportamentalismo (Ler: John B. Watson, B. F. Skinner, Lovaas e outros) remete a uma alteração do comportamento dos elementos envolvidos no processo de aquisição de conhecimento, sendo que essa mudança poderia melhorar a aprendizagem. “Transformar” e “moldar” o comportamento para que ela se encaixe nos padrões aceitos. É diretivo e trabalha com reforço e punição. É método mais utilizado (infelizmente) nas escolas.

O método enxerga o comportamento (esteriotipia, agressividade, negação, etc) APENAS como uma forma de conduta e ignora que seja uma forma de comunicação, principalmente dos autistas não verbais, do que está ocorrendo internamente ou externamente com o paciente/aluno.

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Esta corrente não aceita qualquer relação com o transcendental, com a introspecção e aspectos filosóficos (o indivíduo ao nascer é uma folha em branco), ou seja, critica a homeopatia, florais de bach, e como é baseado em registros/ciência, é contra os protocolos biomédicos e dietas (mesmo que estes sejam amparados por muitos estudos científicos), acreditando que o paciente/alunos só evolui através da modelação do indivíduo e com alopatia.

Diretividade: O ensino é centrado no professor/terapeuta – ele é quem elabora os programas, tendo como referência o grau de complexidade das matérias e a sua responsabilidade de professor/terapeuta. Além disso, dá-se ênfase na utilização de métodos/ técnicas/ estratégias de ensino para atingir altos níveis de desempenho. O professor acredita na transferência do conhecimento.

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É um erro não usar erros como parte do processo de aprendizagem

O problema para os estudantes não é que eles cometem erros e sim que estes erros não são usados para promover a aprendizagem. Estudantes têm medo de arriscar porque o medo de passar vergonha perante a turma é grande. Sendo assim, todos ficam calados ou em suas zonas de conforto.

Isso é preocupante na escola e em terapias muito usadas com autistas em que o paciente é premiado só no acerto… seu processo em terapia comportamental quase nunca é valorizado e através de dicas ele só pode chegar no certo. Se a criança criar algo, ou não gostar da atividade, ele é “punido”, aprendendo a aniquilar a sua individualidade e a obedecer o profissional. É nítido que os pacientes fazem tudo para ficar livre das atividades. A única coisa que é prazeroso pra ele é o reforçador, então o paciente ainda aprende a associar que sempre que ele tiver sucesso ele pode se recompensar com algo. Um dos maiores problemas dos autistas é inflexibilidade, não saber lidar com a frustração. Esse tipo de terapia reforça isso pois na terapia ele não erra mas fora de lá sim. Também não há um modelo de flexibilidade de um professor/terapeuta.

Errar é humano, é natural, faz parte da vida. E pode ser usado para o crescimento, para a evolução e para a colaboração. Desde que conduzido de forma construtiva e criativa. O erro pode ser colaborativo. O acerto também.

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Fontes:

Comunicando Psicologia
Brasil Escola
Educar para crescer
Portal Administração
Pedagogia
Welington Barcelos
Significados
Educação e Temporaneidade
É um erro não usar erros como parte do processo
Rescola